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Desastres naturais aumentam de intensidade e frequência no Brasil com mudanças climáticas

O cenário natural do Brasil, tradicionalmente famoso por quase não ser acometido por desastres como terremotos, maremotos, tufões e tornados, vem mudando recentemente, desde que se registrou no mundo que a temperatura global tem aumentado, em função das mudanças climáticas.

Hoje, principalmente no verão, já é realidade ocorrências como enchentes de grandes proporções, que terminam em deslizamentos de terra, inundação de cidades e, não só com perdas materiais, mas registram-se mortes e vê-se famílias inteiras desabrigadas.

Este ano, por exemplo, no Rio de Janeiro, na tragédia da região serrana, foram 916 mortos e 345 pessoas continuam desaparecidas embaixo de toneladas de terra e escombros que desceram morro abaixo. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro chegou a criar uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as responsabilidades sobre as proporções da tragédia. A investigação ficou conhecida como a CPI das Chuvas.

O presidente da CPI, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), alerta que o Brasil não está preparado para enfrentar esses desastres naturais. “A urbanização nas cidades cresce e as ocupações em áreas de risco e em margens de rios continuam a ocorrer. As chuvas estão cada vez mais curtas e de maior intensidade”, diz.

O chefe da Comunicação da Defesa Civil de Minas Gerais, Major Edilan Arruda, lembra que os problemas se repetem todos os anos porque o excesso de chuva provoca a transbordamento dos rios e as enxurradas. “Como o homem construiu muito próximo aos rios, a tendência natural é que, quando chova muito, os rios venham a subir e, necessariamente, vão ocupar o espaço que hoje está construído. Há excesso de água dentro da cidade, que não escorre pelas canalizações e fica em cima das ruas. Isso produz o que chamamos de enxurrada”, afirma.

Ainda que deslizamento seja um fator natural, quando da ocorrência de chuvas, como lembra o professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Fernando Scheibe, por outro lado, a ocupação irregular do terreno é uma questão cultural no Brasil que amplia a dimensão dos problemas quando ocorre um deslizamento.

“A culpa reside especialmente no fato de não ter havido uma fiscalização e que o município tenha coibido a habitação nessas áreas. Não deveria ser permitido, mas foi permitido irregularmente”, aponta. Outro problema que pode aumentar a incidência de temporais, na opinião de Scheibe, é o desmatamento das florestas.

O ecologista e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rui Cerqueira corrobora a análise e explica que a sequência das chuvas depende das matas porque não é a quantidade total de chuvas só que importa. “Se as matas são derrubadas, o número de dias de chuvas diminui e as chuvas ficam mais intensas, causando mais enchentes e contribuindo para a ocorrência da erosão”.

Reportagem de Deogracia Pinto, do Radiojornalismo ABr, publicada pelo EcoDebate, 06/06/2011

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One thought on “Desastres naturais aumentam de intensidade e frequência no Brasil com mudanças climáticas

  • Álvaro R Santos

    Por favor, informem-se mais antes de fazer afirmações tão equivocadas e tão ao gosto dos administradores irresponsáveis. Não há a mínima comprovação de qualquer relação entre as tragédias geológicas brasileiras por deslizamentos/enchentes e esse ainda muito polêmico fenômeno de aquecimento global.
    A análise das feições geológicas da Serra do Mar (coluviões, corpos de tálus, leques aluviais, morfologia das encostas, etc.) mostra que os deslizamentos são seu mecanismo privilegiado de evolução de relevo desde há 60 milhões de anos, época em que se formou.
    Se há maior frequência de eventos com vítimas isso se deve unicamente ao aumento dsa expansões urbanas sobre os domínios geológicos da Serra. Ou seja, mais áreas serranas estão sendo indevidamente ocupadas. Entre essas áreas estão aquelas que nunca deveriam ser ocupadas, e aquelas que poderiam até ser razoavelmente ocupadas, uma vez adotadas as técnicas urbanísticas e geotécnicas corretas para tanto.
    Abraços,
    Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos

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