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Artigo

Diminuição da população e das emissões de CO2 na China

 

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A grande novidade da China na atual década é a diminuição da população a partir de 2022, seguida da redução das emissões de CO2.

Não é coincidência, mas uma consequência da transição demográfica e da transição energética que estão mudando o cenário sociodemográfico e ambiental da maior economia do mundo (quando se considera o poder de paridade de compra).

A população da China era de 539 milhões de habitantes em 1950, atingiu 1 bilhão de habitantes em 1982, chegou ao pico de 1,43 bilhão em 2021 e começou a diminuir a partir de 2022, devendo chegar a 633 milhões de habitantes em 2100.

Nas últimas décadas, o crescimento populacional aumentou a demanda por imóveis e o setor de construção civil liderou o crescimento econômico chinês. Mas a bolha imobiliária estourou na década passada e os investimentos na transição energética (veículos elétricos, energia solar e eólica e baterias) passaram a liderar o crescimento econômico e o crescimento das exportações na atual década. Estes fatores reduziram a proporção da demanda por combustíveis fósseis e aumentaram a proporção das energias renováveis.

Matéria da Carbon Brief (Myllyvirta, 12/02/2026) mostra que as emissões de dióxido de carbono (CO2) da China caíram 1% no último trimestre de 2025, o que provavelmente garante uma redução de 0,3% para o ano todo. Isso amplia uma tendência de “estabilidade ou queda” nas emissões de CO2 da China, que começou em março de 2024 e já dura quase dois anos, como mostra o gráfico abaixo.

diminuição da população e das emissões de co2 na china

A nova análise da Carbon Brief mostra que, em 2025, as emissões de combustíveis fósseis aumentaram cerca de 0,1%, mas esse aumento foi mais do que compensado por uma queda de 7% nas emissões de CO2 provenientes do cimento. Outros pontos importantes incluem:

• As emissões de CO2 caíram ano a ano em quase todos os principais setores em 2025, incluindo transporte (3%), energia (1,5%) e materiais de construção (7%).

• A principal exceção foi a indústria química, onde as emissões cresceram 12%.

• A produção de energia solar aumentou 43% ano a ano, a eólica 14% e a nuclear 8%, contribuindo para reduzir a geração de energia a carvão em 1,9%.

• A capacidade de armazenamento de energia cresceu um recorde de 75 gigawatts (GW), superando em muito o aumento da demanda máxima de 55 GW.

• Isso significa que o crescimento da capacidade de armazenamento de energia e da produção de energia limpa superou os aumentos na demanda máxima e total de eletricidade, respectivamente.

Os números de CO2 indicam que a intensidade de carbono da China – suas emissões de combustíveis fósseis por unidade de PIB – caiu 4,7% em 2025 e 12% durante o período de 2020 a 2025. Mas isso está bem abaixo da meta de 18% estabelecida para esse período pelo 14º Plano Quinquenal. Além disso, a China agora precisaria reduzir sua intensidade de carbono em cerca de 23% nos próximos cinco anos para cumprir um de seus principais compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris.

Desta forma, a capacidade de geração de energia da China proveniente de fontes não fósseis, incluindo solar, eólica, nuclear e hidrelétrica, ultrapassou sua capacidade baseada em combustíveis fósseis pela primeira vez, atingindo 52% do total em fevereiro de 2026.

Apesar de liderar o investimento global na transição energética e de ter uma enorme expansão de energia limpa, a China colocou em operação 78 GW de novas usinas a carvão em 2025, o maior total anual em uma década, para garantir a segurança energética e a estabilidade das redes durante os picos de demanda.

As preocupações com a segurança energética e a pressa em avançar com projetos antes de possíveis restrições políticas significam que a China continua a ter o maior parque de usinas a carvão do mundo e responde por 71% da capacidade total global de geração de energia a carvão em desenvolvimento.

Porém, pela primeira vez na história, a China possui mais capacidade de geração de energia proveniente de fontes limpas do que de combustíveis fósseis, graças a uma década de instalações solares e eólicas em franca expansão.

A capacidade de energia limpa da China, incluindo energia nuclear e hidrelétrica, está atingindo níveis recordes, à medida que a segunda maior economia do mundo busca fazer com que suas fontes de energia domésticas – com a ajuda de uma enorme cadeia de suprimentos de painéis e baterias – atendam a uma parcela cada vez maior da crescente demanda por eletricidade.

A China não está abandonando uma fonte de energia em favor de outra; ela utiliza sua cadeia de produção doméstica para expandir as energias renováveis, enquanto ainda depende do carvão para geração de base e redes elétricas estáveis. Mas com o avanço da transição demográfica e da transição energética a China deve acelera a redução das emissões de CO2. Resta saber se esta redução será rápida o suficiente para evitar que a temperatura global ultrapasse os 2º C, meta necessária para evitar uma catástrofe climática global.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. Declínio e Ascensão: O encontro de Trump com Xi Jinping em 2026, Ecodebate, 18/05/2026

https://www.ecodebate.com.br/2026/05/18/declinio-e-ascensao-o-encontro-de-trump-com-xi-jinping-em-2026/

Lauri Myllyvirta. China’s CO2 emissions have now been ‘flat or falling’ for 21 months, Carbon Brief, 12/02/2026 https://www.carbonbrief.org/analysis-chinas-co2-emissions-have-now-been-flat-or-falling-for-21-months/

 

Citação
EcoDebate, . (2026). Diminuição da população e das emissões de CO2 na China. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/05/27/diminuicao-da-populacao-e-das-emissoes-de-co2-na-china/ (Acessado em maio 27, 2026 at 14:13)

 
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
 

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