Para onde vai o mundo?

Artigo de Montserrat Martins
A vitória de Trump afeta o mundo todo e não só os Estados Unidos, ela influi na economia, na ecologia e na “filosofia” global, na forma de pensar das pessoas, na psicologia de massas.
Trump pode ser visto por muitos ângulos diferentes, mas esses três parecem ser os que nos afetam mais diretamente: economia, ecologia e ideologia.
O professor universitário Eduardo Antunes Dias acredita que os Estados Unidos ficarão mais isolados da economia globalizada, por Trump ser um protecionista da economia americana, e que esse isolamento vai favorecer economias como as da China e da Rússia, que já trabalham juntas no BRICS, onde Brasil e Índia também se destacam, como economias emergentes.
Os produtos americanos ficarão mais caros frente aos preços mundiais, favorecendo a China e o BRICS. O dólar vai se fortalecer com o protecionismo americano, mas como o comércio mundial é liderado pelos chineses, pode surgir uma nova moeda internacional (o que também já se discute dentro do BRICS) que comece a substituir um dólar valorizado de maneira forçada. A médio e a longo prazo, segundo essa previsão, o isolacionismo não vai favorecer a economia americana, mas sim as outras potências econômicas mundiais.
Na ideologia, a direita comemora a vitória de Trump como afirmação de sua visão de mundo, na qual o empreendedorismo e o mercado são mais importantes que o papel do Estado na economia dos países, além da pauta de costumes, conservadora. Uma filosofia de vida mais individualista do que coletiva parece mais fácil de ser praticada, no atual grau de consciência humana.
Por exemplo, fazendo uma análise da derrota do Partido Democrata americano, vemos grande dose de individualismo de Biden em sua demora para desistir de concorrer. Kamala também pensou só em si quando deixou de indicar o governador da Pensilvânia para vice, que era o nome mais popular e influente e que poderia ajudar em estados chave, para em seu lugar convidar um vice sem expressão, para não lhe fazer sombra. Situações semelhantes ocorreram nas vitórias da direita nas eleições municipais do Brasil, a esquerda tem muito a rever em seus conceitos e em suas práticas, se quiser voltar a vencer.
Por fim, a ecologia planetária vai ser afetada pelo trumpismo, que é negacionista em relação à crise climática.
Sendo o país mais poluidor do mundo, junto com a China, os Estados Unidos ignorando a ecologia vai acelerar a ocorrência de novas tragédias climáticas.
A ideologia e até a economia tem fatores subjetivos, mas o clima é uma realidade que, se ignorada, se volta contra nós. Quem viver, verá, já se viu e é incrível que ainda exista tanta negação dessa realidade.
Montserrat Martins é Psiquiatra.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
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