Qualidade de Solos Agrícolas

 

Qualidade de Solos Agrícolas, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho

A avaliação e o monitoramento da qualidade do solo representam uma questão-chave para a política agrícola e a gestão dos recursos ambientais.

A qualidade do solo, entre muitas outras funções, é altamente relevante para nossa capacidade de fornecer serviços ecossistêmicos essenciais aos seres humanos, como a conservação da produtividade de plantas e animais e o fornecimento de alimentos e rações saudáveis.

Este é um tópico importante para os formuladores de políticas que têm a responsabilidade de preservar a qualidade do solo e implementar medidas para remediar solos poluídos. Elementos potencialmente tóxicos (EPT), sejam de origem geogênica ou antropogênica, podem constituir um risco à saúde humana e aos ecossistemas. O monitoramento rotineiro das concentrações de EPTs ao longo do tempo fornece informações sobre as mudanças na qualidade do solo devido às atividades humanas, incluindo alterações no uso da terra e mudanças climáticas.

Na China, as fontes principais de poluição de metais traços em solos agrícolas são a irrigação, inclusive com a aplicação de águas residuais (sewage irrigation) e de lamas de águas residuais (sewage sludge), além de rejeitos de minas (Luo et al., 2012).

Nesse sentido, Muchuweti et al. (2006) discutem, no Zimbabwe, sobre o cultivo de vegetais em solos tratados ou irrigados com produtos de águas servidas (esgotos). Ressaltam que a acumulação excessiva de metais pesados em solos agrícolas pode não só resultar em contaminação ambiental, mas levar a absorção de metais pesados pelas culturas e, consequentemente, afetar a qualidade e segurança dos alimentos

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Boxplots mostrando a variabilidade dentro das áreaa para As e Co. A linha pontilhada representa o limite legislativo italiano para áreas residenciais/recreativas. (Beone et al., 2018)

 

Beone et al. (2018) avaliaram a faixa de concentração de elementos potencialmente tóxicos (EPT) em solos agrícolas da planície da Lombardia e consideraram sua variabilidade espacial nas bacias dos rios Ticino, Adda, Oglio, Mincio e Po. A distribuição espacial dos EPTs refletiu a litologia predominante na qual os solos se desenvolveram e a deposição de sedimentos ao longo das bacias hidrográficas. As maiores concentrações de As e Sb na bacia do Adda e de Co, Cr e Ni na bacia do Po foram devidas à sua origem geológica. As concentrações elevadas de Hg e Pb na bacia de Adda provavelmente surgiram de antigas operações de mineração.

Prioridades de investigações, estudos e monitoramentos são sugeridas por Beone et al. (2018) para a região da Lombardia, mas que poderiam ser aplicadas em todas áreas de uso agrícola:
a) Determinar e comparar as concentrações de EPTs nos horizontes superficiais e profundos dos solos, avaliar o “conteúdo pedogeoquímico natural” e discriminar entre as contribuições de background e antropogênicas dos EPTs;
b) Investigar a biodisponibilidade dos EPTs em áreas sensíveis, avaliar sua toxicidade e, quando necessário, tomar medidas para evitar sua transferência para a cadeia alimentar para minimizar os riscos à saúde associados;
c) Aumentar a densidade dos pontos de amostragem e monitorar periodicamente as áreas-alvo para obter informações mais detalhadas sobre a distribuição dos EPTs e avaliar como eles mudam ao longo do tempo.

Referências Bibliográficas

Beone, G.M; Canini, F.; Guidotti, L; Rossib, R.; Gatti, M.; Fontanella, M.C.; Cenci, R.M. 2018. Potentially toxic elements in agricultural soils from the Lombardia region of northern Italy. Journal of Geochemical Exploration 190 (2018) 436–452.

Luo, X.; Tu, S.; Zhu, Y.; Li, X. 2012. Trace metal contamination in urban soils of China. Science of the Total Environment 421–422, 17–30.

Muchuweti, M.; Birkett, J.W.; Zvauya, R.; Scrimshaw, M.D.; Lester, J.N. 2006. Heavy metal content of vegetables irrigated with mixtures of wastewater and sewage sludge in Zimbabwe: Implications for human health. Agriculture, Ecosystems and Environment 112; 41–48.

Carlos Augusto de Medeiros Filho, geoquímico, graduado na faculdade de geologia da UFRN e com mestrado na UFPA. Trabalha há mais de 35 anos em Geoquímica em Pesquisa Mineral e Ambiental.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/03/2022

 

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