Tartarugas marinhas – saiba o que fazer se encontrar uma fêmea desovando ou um ninho

 

Tartarugas marinhas – saiba o que fazer se encontrar uma fêmea desovando ou um ninho

Embora sejam marinhas, as tartarugas utilizam o ambiente terrestre – a areia das praias – para desovar, buscando o local adequado à incubação dos ovos e ao nascimento dos filhotes, ou seja, praias escuras e desocupadas

Até abril de 2022, está acontecendo a temporada reprodutiva de tartarugas marinhas na costa da Bahia. Iniciada em setembro, a temporada tem seu pico entre os meses de novembro, dezembro e janeiro. Os primeiros ninhos já foram identificados e protegidos pelo Programa de Monitoramento de Quelônios Marinhos do Terminal Marítimo de Belmonte, promovido pela Veracel Celulose, e há a expectativa de que os primeiros filhotes comecem a nascer durante este mês de dezembro.

Com orientação do Centro TAMAR-ICMBio, e execução da consultoria ambiental CTA, a Veracel traz algumas orientações para que a população saiba o que fazer se identificar algum ninho, filhote ou tartarugas em desova. Este período reprodutivo é de extrema importância para as espécies, mas é também um momento que os animais se tornam muito frágeis nas praias, justamente em um período em que as faixas de areia estão ocupadas por turistas e moradores, por isso, é muito importante que a população saiba como é possível ajudar as tartarugas, caso identifiquem uma.

“A região sul da Bahia é muito importante para o turismo do nosso país, mas também é uma região de reprodução das tartarugas marinhas na costa brasileira. Por isso, é muito importante que todos nós saibamos o que fazer ao ver um ninho, para evitar ao máximo as interferências externas e protegermos o ciclo de vida desses animais”, destaca Tarciso Matos, coordenador de meio ambiente da Veracel Celulose e responsável pelo Programa de Monitoramento de Quelônios Marinhos do Terminal Marítimo de Belmonte.

O programa, promovido pela companhia, monitora diariamente as praias da área de influência do Terminal, visando acompanhar e proteger as tartarugas marinhas. Anualmente, o monitoramento ocorre em cerca de 25Km de praias , ao norte e ao sul do Terminal de Belmonte

Embora sejam marinhas, as tartarugas utilizam o ambiente terrestre – a areia das praias – para desovar, buscando o local adequado à incubação dos ovos e ao nascimento dos filhotes, ou seja, praias escuras e desocupadas. Ao visitar um local de reprodução de tartarugas marinhas, ao flagrar uma fêmea em processo de desova ou avistar um ninho, é importante estar atento às orientações abaixo:

• Respeitar o deslocamento das tartarugas desde o mar até a praia, não invadindo seu espaço nem obstruindo seu caminho;
• Permanecer a uma distância maior que 20 metros (ou a indicada pelo guia, quando for o caso);
• Não tirar fotos com flash. A luz assusta e desorienta as tartarugas;
• Não usar focos de luz ou lanternas à noite pelos mesmos motivos;
• Não fazer fogueiras nas praias onde as tartarugas fazem seus ninhos;
• Não permitir que haja contato das tartarugas com animais domésticos;
• Não se colocar imediatamente em frente a uma tartaruga em processo de desova, seja em qualquer etapa dela;
• Manter-se em silêncio;
• Não fumar;
• Não cavar os ninhos.

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (Centro TAMAR ICMBio) possui abrangência em toda a orla brasileira em especial nas áreas consideradas prioritárias para a reprodução das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral brasileiro. O centro coordena as avaliações do estado de conservação das tartarugas marinhas, bem a elaboração e a implementação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação das Tartarugas Marinhas, que visa à conservação dessas espécies e dos ecossistemas costeiros e marinhos dos quais dependem. A condução dessas estratégias se dá por meio de uma rede de instituições que trabalham com as cinco espécies de quelônios marinhos que ocorrem ao longo da costa brasileira, incluindo ações de pesquisa, monitoramento, conservação e educação ambiental.

Outra abrangência do Centro Tamar ICMbio é o monitoramento da biodiversidade do bioma marinho costeiro no Mar do Leste brasileiro, compreendido entre Cabo Frio-RJ e Salvador-BA, com ênfase nos impactos de empreendimentos e demais atividades antrópicas. O Centro auxilia ainda no manejo e na criação de Unidades de Conservação federais por meio de estudos, monitoramentos e capacitação voltados para a conservação e para o uso sustentável da biodiversidade. A missão do Centro Tamar ICMBio é proteger as tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, por meio de ações de pesquisa e conservação, gerando alternativas econômicas sustentáveis às comunidades que dependem dessas espécies e criando áreas protegidas que garantam a conservação do ecossistema marinho/costeiro a longo prazo.

Segundo o coordenador do TAMAR ICMBio, Joca Thomé, as ações realizadas pela Veracel em seu Programa de Monitoramento fazem parte das ações de proteção dos ninhos e registro dos encalhes para avaliar impactos nessas espécies, sendo o único ponto de monitoramento de longo prazo na região sul da Bahia, portanto importantíssimo para a conservação dessas espécies numa das regiões de maior biodiversidade do Atlântico Sul.

Na temporada reprodutiva anterior a esta, ocorrida entre setembro de 2020 e março de 2021, o Programa de Monitoramento de Quelônios da Veracel registrou 322 ocorrências reprodutivas de quatro das cinco espécies de quelônios marinhos com presença no Brasil, com predominância da Caretta caretta, ou tartaruga cabeçuda, além de ter acompanhado 266 ninhos com desova e o nascimento de aproximadamente 14 mil filhotes de tartarugas. Na temporada vigente, já foram registrados mais de 100 ninhos, com previsão de eclosão a partir desse mês de dezembro.

filhotes de tartarugas marinhas em seu caminho ao mar

Filhotes de tartarugas marinhas em seu caminho ao mar

Monitoramento e proteção das tartarugas marinhas

O Programa de Monitoramento de Quelônios Marinhos do Terminal Marítimo de Belmonte é realizado pela Veracel desde 2005 e contempla a execução de cerca de 200 horas de monitoramento mensal, diurno e noturno, em 35 km de praias. Além do acompanhamento da reprodução dos animais, o Programa também realiza o registro da presença de quelônios encalhados nos trechos monitorados.

O Programa também contempla a liberação do acesso às praias adjacentes ao terminal para as máquinas, o acompanhamento das atividades maquinárias, diálogos sobre a proteção do meio ambiente (com colaboradores e população em geral) e monitoramento da incidência de iluminação artificial nas adjacências do Terminal.

As atividades possuem metodologia e periodicidade definidas e estão respaldadas por Autorização para Manejo de Fauna, emitida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA). Durante o período reprodutivo de tartarugas marinhas na costa brasileira, as equipes realizam ações para proteção de ninhos e preservação dos ovos, seja com marcação, colocação de telas de proteção ou com a transferência dos ovos, caso estejam em uma área de risco para os filhotes. Somente nas últimas cinco temporadas de desova, a Veracel registrou mais de 94 mil nascimentos de tartarugas na região do monitoramento de seu Programa.

Ao longo desses 17 anos, a execução do Programa proporcionou o registro contínuo dos eventos reprodutivos no sul da Bahia – região de Belmonte, informações importantes para o Plano de Ação Nacional para Conservação das Tartarugas Marinhas, com registros de espécies como a tartaruga-verde (Chelonia mydas) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). A tartaruga-verde desova preferencialmente em ilhas oceânicas, tendo seus maiores sítios reprodutivos localizados na ilha de Trindade, no Espírito Santo; em Fernando de Noronha, em Pernambuco; e no Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte. Já tartaruga-de-couro, desova regularmente no litoral norte do Espírito Santo, próximo à foz do Rio Doce. O registro dessas espécies na região Sul da Bahia são fenômenos considerados importantes para a conservação destas espécies.

A Veracel licenciou o Centro de Reabilitação do Terminal Marítimo de Belmonte, que será instalado pela empresa em 2022 e gerido pelo CTA para a reabilitação e a necropsia dos quelônios marinhos registrados pelo Programa de Monitoramento. Este deverá ser o primeiro local do Extremo Sul da Bahia, especializado para os cuidados e para pesquisas dedicadas à proteção dessas espécies de animais. A operação do Centro visa a receber tartarugas debilitadas e com necessidades de tratamento veterinário; reintroduzir à natureza os espécimes resgatados e realizar a investigação da causa de morte dos animais encontrados.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/12/2021

 

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