Conversa didática sobre conservação da biodiversidade e formação para o desenvolvimento sustentável

 

Conversa didática sobre conservação da biodiversidade e formação para o desenvolvimento sustentável

Elissandro Santana entrevista a Doutora Cristiana Martins, Coordenadora e Professora do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, ESCAS, IPÊ

Quem não conhece o trabalho dessa grande pesquisadora, professora, coordenadora e conservacionista da biodiversidade deveria conhecer, por isso, resolvi fazer esta entrevista em forma de uma conversa didática, haja vista que todos e todas temos muito a aprender com Ela.

A professora e Coordenadora Cristiana ou Cristi, comConversa didática sobre conservação da biodiversidade e formação para o desenvolvimento sustentável

Elissandro Santana entrevista a Doutora Cristiana Martins, Coordenadora e Professora do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, ESCAS, IPÊo é chamada carinhosamente pelos/as discentes e colegas, é Veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, especialista em Primatologia pela UnB e em Wildlife Management pelo Smithsonian Institution. Mestre e Doutora em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas.

cristiana martins

Ela coordena o Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável na Escas. Ademais, atuou na coordenação do programa de conservação do mico-leão preto do IPÊ por mais de dez anos. Tem experiência na área de Ecologia Animal, com ênfase em manejo de fauna, atuando principalmente nos seguintes temas: primatas, conservação, comportamento e manejo de espécies ameaçadas.

Fonte da imagem e das informações no quadro acima: https://ipemestradobahia.wordpress.com/2013/01/25/coordenacao-dra-cristiana-saddy-martins/

Elissandro Santana: Professora Cristiana Martins, você é uma profissional que pensa a Conservação da Biodiversidade no Brasil não somente na perspectiva da elaboração e execução de projetos, mas, também, como coordenadora de cursos de formação como o Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável na ESCAS e, principalmente, como professora. Diante dessa tríade de atuação, fale um pouco com nossos/as leitores/as sobre sua experiência e como se percebe a mudança dos atores/atrizes sociais que participaram de cursos de formação ou de projetos voltados para a conservação ambiental a partir de sua prática no IPÊ.

Professora Cristiana Martins: Elissandro, antes de tudo, obrigada por seu interesse, engajamento e por me convidar para compartilhar estes pensamentos. Minha carreira foi iniciada como pesquisadora e, bem especificamente, como uma pesquisadora que queria mudar o cenário de uma espécie, o mico-leão-preto. Bebi na fonte do programa de conservação do MLP, desenhado e iniciado pelo Professor Claudio Padua, fundador do IPÊ. Aprendi, na prática, a compreender como a coleta de dados no campo poderia se transformar em ações, e quais destas ações realmente poderiam ter impacto na conservação da espécie. Anos mais tarde, quando me envolvi com a educação formal na pós graduação, já tinha vivido minha própria experiência como aluna de pós graduação, e em um programa amplo de conservação. Portanto, já tinha minha compreensão de como precisamos ter uma boa base de conhecimentos para “ler” os desafios ambientais e colocá-los dentro do prisma da sociedade, ou seja, sem tratar estas questões de forma isolada, meramente disciplinar.

Talvez esta seja a maior mudança que podemos oferecer a nossos alunos e participantes, a experiência em uma instituição que viveu estes dilema na prática, e que hoje consegue perceber a necessidade de uma abordagem sistêmica na formação de profissionais, ainda que oferecendo ferramentas específicas de determinadas áreas. Percebo isto em nossos alunos e colaboradores, a curiosidade e, em alguns momentos, o espanto de perceber outras visões, outras leituras de mundo.

Elissandro Santana: Em sua atuação em projetos e, principalmente, como coordenadora e professora de uma escola como a ESCAS, quais mudanças de mentalidade social sobre as questões relacionadas ao meio ambiente percebeu ao longo dos anos de formação?

Professora Cristiana Martins: Ainda temos muito no que avançar, mas percebo esta agenda na “boca do povo” hoje. O avanço de nossos impactos na natureza, a urgência da crise climática, trouxeram estas questões para o dia a dia. Acredito que a educação contribua, e muito, para a disseminação do conhecimento e promoção de uma consciência socioambiental maior, mas a visibilidade que temos hoje se deu pela necessidade.

Elissandro Santana: Ao pensar na organização das disciplinas e em todos os processos para a formação de novas mentes sociais direcionadas à conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável no mestrado profissional, como consegue tecer redes que possibilitam uma formação holística, com a profundidade que comportam as discussões em ecologia?

Professora Cristiana Martins: Estou numa instituição que vive isto, então é mais fácil. Temos longos anos de colaborações, parcerias, trocas com muitos profissionais e atores sociais. Isto traz uma vantagem imensa na hora de pensar em formação profissional.

Elissandro Santana: Como coordenadora do Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade, dialoga e tece saberes com outros profissionais como a encantadora Professora Suzana Padua, o incrível, carismático e querido professor Cláudio Padua e o inteligente e inquieto professor Alexandre Uezu e com outras tantas mentes brilhantes que fazem parte da instituição. Como isso se dá?

Professora Cristiana Martins: Sim, temos profissionais inspiradores no IPÊ. É tudo muito natural, porque a instituição tem uma filosofia de inclusão e pertencimento que possibilita aos mais seniores se relacionarem com os mais jovens num ambiente bem horizontal. Talvez o maios desafio hoje sejam as agendas muito apertadas, gostaria de ter mais tempo para discussões e produções conjuntas.

Elissandro Santana: Como educadores, sei que aprendemos à medida que compartilhamos conhecimentos, por isso, gostaria de saber quais lições conceituais e práticas mais aprendeu sobre conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável ao longo desses anos como professora-coordenadora.

Professora Cristiana Martins: Aprendi e ainda aprendo que não existem receitas prontas. Mesmo pré-conceitos podem ser revistos e os alunos nos trazem isto o tempo todo, com repertórios de sucessos e fracassos. Aprendi também que a persistência é palavra-chave nestas duas áreas.

Elissandro Santana: Concernente a todos/as aqueles/as que passam/passaram por formação em conservação da biodiversidade na ESCAS o que você espera/esperou deles/as?

Professora Cristiana: Que consigam disseminar o que aprenderam e acreditam para uma transformação positiva em nossa sociedade, em qualquer escala. Mas se puderem e quiserem ser grandes líderes, melhor ainda!

Elissandro Santana: O que diria aos/às gestores/as públicos/as de todo o Brasil, caso isso fosse possível, acerca da necessidade da formação e de investimentos em ações voltadas para a conservação da biodiversidade e desenvolvimento sustentável?

Professora Cristiana Martins: Educação profissional nestas áreas é muito importante e precisa de investidores para um alcance mais amplo. Educação transforma pessoas que transformam empresas, cidades, estados, países. Profissionais críticos e bem preparados conseguem interagir em todos os ambientes e, com certeza, tem papel fundamental na implementação de um cenário de desenvolvimento mais efetivo, produtivo e inteligente para nosso Planeta.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/11/2021

 

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