Risco de queda ameaça a qualidade de vida dos idosos

 

idoso
Idoso – Foto: © Marcello Casal jr/Agência Brasil

Risco de queda ameaça a qualidade de vida dos idosos

As quedas ocorrem em todas as idades, mas especialmente após os 60 anos ficam mais frequentes à medida que a idade avança, aumentando também, a gravidade das ocorrências.

O momento de reclusão provocada pela pandemia da COVID-19 simboliza um risco a mobilidade, fator que pode aumentar as quedas

Por Tâmara Santos

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2017, quase 12 mil pessoas com mais de 60 anos morreram em decorrência de quedas. Estimativas apontam que, por ano, no Brasil, cerca de 30% dos idosos caem pelo menos uma vez, dos quais 50% ficam com a mobilidade reduzida, gerando lesões que vão requerer vigilância contínua para este idoso.

“A queda é um evento comum, porém, não deve ser considerado um acontecimento normal. Devemos considerar a queda como uma ocorrência sentinela e avaliar o que está por trás”, informa a Dra. Juliana Junqueira, especialista em geriatria e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). No Brasil, atualmente, existem cerca de 29,5 milhões de idosos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima ainda, o crescimento dessa população, que já é superior ao número de crianças com até 9 anos de idade.

Os fatores que podem ocasionar as quedas podem ser intrínsecos ou extrínsecos, como explica a Dra. Iride Caberlon, enfermeira e especialista em gerontologia da SBGG: “Os fatos intrínsecos estão relacionados à pessoa, como: fraquezas musculares, deficiência auditiva, tontura, vertigem e outros. Os fatores extrínsecos, estão relacionados aos eventos externos, como o solo irregular, a falta de adaptação no ambiente (instalação de barras de apoio, retirada de tapetes, nivelamento do piso), calçadas e outros”.

Pandemia

Para além das preocupações normais que o avanço da idade traz, a pandemia da COVID-19 trouxe mais pontos de atenção para a vida dos idosos. Se antes o recomendado era fazer exercícios, caminhar, manter uma vida ativa, agora a instrução é para se recolher e se preservar. O que segunda a Dra. Cristina Ribeiro, fisioterapeuta e membro especialista em gerontologia da SBGG, vai acabar por diminuir a mobilidade e talvez, venha a provocar o aumento no número de quedas. “É importante que os idosos que tenham sessões de exercícios de fisioterapia, mantenham esse atendimento. Que pode ser através de telemonitoramento ou teleatendimento, o importante é não parar totalmente”, pontua.

“As quedas em idosos estão ligadas às doenças crônicas, não apenas doenças específicas da parte neuromuscular, mas doenças sistêmicas de forma geral. Doenças orgânicas como: insuficiência cardíaca e infecções. Por isso, é muito importante ter um olhar especial, pois muitas vezes a queda é a única manifestação de alguma descompensação aguda. Neste momento de pandemia, a queda pode sim, inclusive, ser uma manifestação de infecção por COVID-19 em uma pessoa idosa”, explica a Dra. Juliana Junqueira.

Síndrome da Fragilidade

A Síndrome da fragilidade é uma condição genética que, em decorrência dos seus sintomas, acaba por provocar quedas em idosos. De origem neuroendócrina, gera maior vulnerabilidade. Dentre os sintomas existentes, os mais comuns são perda involuntária de peso, fraqueza, redução da velocidade e exaustão. Quando esses sinais surgem no corpo, acontecem outras reações adversas, como queda, hospitalização e até mesmo declínio funcional e morte.

Sarcopenia

Um artigo divulgado na Revista Brasileira de Reumatologia, apontou que 10% dos idosos entre 60 e 69 anos apresentam sarcopenia. Sendo esta, responsável pela perda da massa muscular e a redução na força dos músculos, gerando a diminuição da autonomia, reduzindo a mobilidade e aumentando o risco de quedas. Entre os fatores que ajudam no desenvolvimento da doença estão: sedentarismo, maus hábitos alimentares, doenças crônicas e alguns medicamentos.

“Ainda sobre as quedas, neste período de pandemia é importante observar sintomas como: depressão, ansiedade, distúrbios do sono, idoso que não está bem, acaba diminuindo a atenção, tendo déficit de concentração e isso aumenta o risco de cair”, afirma a Dra. Juliana, que continua explicando pontos a serem observados: “É preciso lembrar que o idoso neste período, precisa continuar cuidando das suas doenças crônicas, mantendo uma alimentação saudável, com consumo satisfatório de proteínas e também manter a atividade física a medida do possível, porque isso vai impactar na diminuição no risco de queda, conclui a doutora.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/03/2021

 

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