Educação Sustentável: Estratégias para Educar as Crianças em Período de Aulas Remotas

 

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Educação Sustentável: Estratégias para Educar as Crianças em Período de Aulas Remotas, artigo de José Austerliano Rodrigues e Josefa Erika Brito Araújo

[EcoDebate] Desde os anos iniciais até a universidade, os jovens desenvolvem sua identidade e descobrem seus valores e suas paixões. Devagar e sempre, as crianças se tornam aptas agir em questões sociais e ambientais por meio de seus hábitos de compra e consumo, sugerindo uma oportunidade-chave para moldar suas consciências enquanto seus valores relacionados à sustentabilidade se formam (OTTMAN, 2012; RODRIGUES, 2020).

As crianças e os jovens adultos são stakeholders (partes interessadas) importantes da indústria, por causa de seu poder de compra de sua capacidade de influenciar as compras de suas famílias, principalmente quando se trata de um assunto sobre o qual se interessam muito: o meio ambiente (OTTMAN, 2012; RODRIGUES, 2020).

Na verdade, mais da metade das crianças entre 6 e 8 anos incentivam os pais a comprarem produtos sustentáveis (SUSTAINABLE LIFE MEDIA, 2008; OTTMAN, 2012). Preparadas com slogans ambientalista simples, como “reduzir, reutilizar e reciclar” (o que geralmente se traduz em “reciclar, reciclar, reciclar”), “agentes ecológicos” de 1,20m de altura podem ditar o comportamento em casa. Enquanto seus irmãos frequentam a universidade, as mentes brilhantes dos futuros líderes da próxima geração estão formando suas preferências por marcas de produtos, como sabão, alimentos, carros e roupas, e, provavelmente, os adotarão pela vida toda (OTTMAN, 2012).

Contudo, as questões ambientais e sociais se adéquam bem com uma grande variedade de assuntos, desde ciência e matemática às artes e estudos sociais (sociologia, geografia e história).

Para os professores, o meio ambiente e a ecologia apresenta uma atração “prática” e podem melhorar uma aula de matemática ou de estudos socais. Os professores e administradores são parceiros bem dispostos quando percebem uma oportunidade de dividir informações que ensinem os alunos, e ajudem a aumentar orçamentos apertados (OTTMAN, 2012).

Desta forma, ofereça aos educadores materiais e assuntos pertinentes. Associe-se a uma organização sem fins lucrativos para aumentar o impacto e a credibilidade. Por exemplo, durante o período de volta às aulas, em 2004, a Staples Foundation for Learning, um divisão sem fins lucrativos da Staples, o gigante de artigos de papelaria, entrou em parceira com a Earth Force (um programa de educação internacional que envolvem jovens em projetos de educação prática, conservação e restauração) para oferecer às escolas programas educacionais ambientais e os materiais dos programas (OTTMAN, 2012).

No caso brasileiro, em função da ampla expansão do ideário ambientalista pós-Rio92, os programas de educação ambiental, acabaram sendo ações relacionadas à reciclagem de lixo e redução do desperdício (LAYRARQUES, 2002; PORTILHO, 2010). Desta maneira, Boicotes e compras sustentáveis nunca chegaram a ter expressão no país (CRESPO et alli, 1998; PORTILHO, 2010; RODRIGUES, 2020).

Todavia, diante do cenário atual da Pandemia de Coronavírus (COVID-19), surge um debate importante relacionado à ideia da interdisciplinaridade direcionada aos meios tecnológicos que exigem abordagens pedagógicas globalizantes e sistêmicas que concernem ao meio ambiente aplicado no âmbito escolar, tendo em vista, a sensibilização dos alunos em relação aos conflitos baseados  entre o homem  e a natureza, a natureza e a cultura, levando em consideração que é através da introdução da dimensão ambiental que o indivíduo durante o processo educativo toma consciência do meio ambiente (MELO; CINTRA; LUZ, 2020).

Neste contexto, faz-se necessário a integração das várias disciplinas como forma de introduzir estratégias eficazes que auxiliem o processo educativo voltado à sustentabilidade, utilizando-se de recursos diversos, a exemplo da horta escolar, abrangendo o estudo desde a fertilidade do solo à cultura ambiental, a variedade das plantas, o valor nutritivo de diversos alimentos, motivar o público a participar de uma vacinação em massa, desestimular o consumo de cigarro, álcool e o uso de drogas pesadas e ensinar mudar a atitude de pessoas intolerantes, e assim por diante. CAPRA, 2003; KOTLER; KELLER, 2018).

Tendo em vista, o desenvolvimento direcionado aos cinco pilares da sustentabilidade de marketing (ambiental, social, econômico, cidadania ecológica e tecnologia de informação), é preciso salientar e destacar as práticas pedagógicas vivenciadas nestes espaços, proporcionando ouvir e dar voz ao novo, buscando mudanças de comportamentos e procedimentos que tenham impactos nas atitudes, no que concerne ao processo de uma perspectiva propícia para a sustentabilidade (MONTENEGRO et al, 2018; RODRIGUES; RODRIGUES FILHO, 2018; RODRIGUES, 2020).

Portanto, ao endossarmos possíveis estratégias que fomentem e incluam novas vivências no cotidiano escolar, evidencia-se a necessidade de rompimento com o tradicional e um novo ambiente direcionado a interdisciplinaridade lúdica, essa podendo ser mais satisfatória, inclusiva, motivadora, gerando impactos tanto no que diz respeito à consciência quanto na interação social do sujeito, sendo, portanto, adequada aos processos pedagógicos (ROSA et al, 2017).

Autores:
1. José Austerliano Rodrigues. Especialista Sênior em Sustentabilidade de Marketing e Doutor em Marketing Sustentável pela UFRJ, com ênfase em Sustentabilidade e Marketing, com interesse em pesquisa em Marketing Sustentável, Sustentabilidade de Marketing, Responsabilidade Social e Comportamento do Consumidor. E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

2. Josefa Erika Brito Araújo. Mestranda. Pós graduada em Geografia e Gestão Ambiental pela FIP. Gestora da Escola Municipal Pedro de Lira Borges – Taquaritinga do Norte (PE). E-mail: erika1135@outlook.com.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/01/2021


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Um comentário em “Educação Sustentável: Estratégias para Educar as Crianças em Período de Aulas Remotas

  1. Parabéns pelo conteúdo tão necessário nestes tempos de pandemia… toda ajuda para promover a humanização na nossa sociedade por meio da educação!

Comentários encerrados.

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