Os chamados ‘celeiros do mundo’

 

agricultura mecanizada

Os chamados ‘celeiros do mundo’

Artigo de Bruno Versiani dos Anjos

[EcoDebate] Já há algum tempo, tem sido propalada a ideia de ser o Brasil o “celeiro do mundo”. Extensão quase continental, chuvas abundantes (com exceção de algumas regiões), relevo favorável, terras em abundância, clima cálido ou ameno, dentre outros fatores, contribuíram para e essa realidade. A quantidade de terras não cultivadas ainda é grande, e há o mito da “infinitude” a ser explorada. Contudo, tirando a região amazônica e algumas porções do cerrado, não há ainda muita terra a ser “desbravada”.

Em relação à questão pluviométrica, há a evaporação proveniente do Atlântico, e no caso do noroeste brasileiro a imensa evapotranspiração da floresta amazônica (que forma os chamados “rios voadores”), que contribui para a agroeconomia em quase todo o país, sobretudo no centro-oeste, onde a importância do agronegócio é fundamental (devido , obviamente, ao afastamento do oceano Atlântico e à barreira natural que formam os Andes, lembrando que, devido à corrente de Humboldt, grande parte da costa dos países sul americanos virados para o oceano Pacífico é extremamente árida).

Com as sombrias perspectivas do aquecimento global retro alimentante e o desmatamento da amazônia, o Brasil poderá, a médio prazo, perder esse título de “celeiro do mundo”. Com o degelo do permafrost das imensas áreas do Canadá e Rússia, haverá liberação em massa de metano, gás com alto potencial de efeito estufa (daí a retro alimentação). Do ponto de vista positivo, essas ricas terras da taiga siberiana e das áreas do Canadá, que estarão degeladas, se tornaram, essas sim, o “novo celeiro do mundo”. Ou seja, o Brasil caminhará para uma quase semi desertificação e empobrecimento pluviométrico, e o maciço plantio de grãos “migrará” para as imensamente extensas terras do Canadá e Rússia.

Concluindo: desmatando a amazônia, cessam a evapotranspiração do oeste da sul América, que tende à se desertificar e perder o potencial agroeconômico. O novo “celeiro do mundo” se deslocará para Canadá e Rússia.

Bruno Versiani dos Anjos

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2020

 

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