O que é o Transtorno de Aprendizagem?

 

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Foto: EBC

Transtornos de Aprendizagem – Alguns são sutis, mas quando não tratados, podem trazer grandes prejuízos no decorrer da vida adulta.

Por Marcela Melo

Embora seja muito falado, ainda existe um grande número de pais que não sabem o que é o Transtorno de Aprendizagem (T.A). E neste momento que ainda estamos vivendo, muitos problemas relacionados aos Transtornos de Aprendizagem acabaram vindo à tona, devido às aulas online e à maior proximidade e observação dos pais em relação aos seus filhos em casa, bem como a dificuldade destas crianças em lidarem com as dificuldades, transtornos e o ambiente virtual.  Por isso, é muito importante que deixemos tudo muito claro!

Transtorno de Aprendizagem x Dificuldade de Aprendizagem

O Transtorno de Aprendizagem (TA) está diretamente relacionado ao desenvolvimento, à aquisição de conhecimento escolar. Trata-se de transtornos de habilidades escolares, ou seja, é a dificuldade de aprender a ler, escrever e dificuldade com a matemática.

A Dificuldade de Aprendizagem, podemos dizer que é o Sintoma. É  quando esta criança não está indo bem na escola, ou apresenta quaisquer dificuldades no aprender.

– Neste caso, torna-se necessário entender qual o contexto em que a criança está inserida; ela pode ter uma vulnerabilidade social, pode estar passando por um momento de estresse, por um problema familiar, ou pode até mesmo existir algum problema de visão ou audição. Portanto, a dificuldade de aprendizagem é um sintoma que pode carregar inúmeras causas.”- explica a Pediatra e Neuropsiquiatra infantil, Dra. Gesika Amorim.

O primeiro passo é descobrir se essa dificuldade de aprendizagem é específica do Transtorno de Aprendizagem, ou seja, a dificuldade na leitura, na escrita e na matemática, ou se esse problema na aprendizagem se manifestou por outras causas, familiares, sociais ou de saúde.

E, Quais são os Transtornos de Aprendizagem?

São classificados como Transtornos de Aprendizagem, a Dislexia, a Discalculia, a Disgrafia e a Disortografia.

A especialista, Pediatra e Neuropsiquiatra Infantil, Dra Gesika Amorim, vai nos falar um pouco mais sobre cada um destes transtornos e a importância de um diagnóstico minucioso e preciso.

DISLEXIA

A dislexia é um transtorno que afeta habilidades básicas de leitura e linguagem, fazendo com que as crianças encontrem dificuldade para processar os sons das palavras e associá-los com as letras.

É um transtorno específico de aprendizagem, já que seus sintomas afetam o desempenho acadêmico e não existe nenhuma outra alteração (neurológica, sensorial, cognitiva ou motora) que justifique as dificuldades observadas.

Geralmente, o diagnóstico preciso da dislexia vem em torno dos 7 anos de idade, mas como hoje, as crianças estão sendo alfabetizadas cada vez mais cedo, os sinais também aparecem mais cedo.

Você pode começar a desconfiar de um diagnóstico de dislexia quando:

  • Ela apresenta dificuldade de fala, isto é, ela demora para falar ou não conseguem falar de forma fluente, precisando de tratamento com fonoaudiólogo.

  • Apresenta dificuldade em formar palavras;

  • Leitura lenta, silabada com falta de entendimento do que lê̂;

  • Escrita em espelho com troca de fonemas; entre outros.


A dislexia pode vir acompanhada de disgrafia e nesse caso, a criança tem dificuldade também em fazer a cópia escrita, além de dificuldade de organização, de reconhecer os lados direito e esquerdo incoordenação motora.

Identificando estes sinais no seu filho, leve-o o quanto antes a um Neuropsiquiatra Infantil. Embora a dislexia não tenha cura, o médico te orientará quanto ao tratamento que envolvem estratégias para que ele possa ler e entender.

Curiosidade: Você̂ sabia que Whoopi Goldberg e Steven Spielberg são disléxicos?

DISGRAFIA

A Disgrafia é um transtorno da escrita em que os problemas podem estar relacionados com componente grafo motor, ou seja, o padrão motor da escrita. Ela acontece em crianças com capacidade intelectual normal e afeta a forma das letras, o espaçamento entre as palavras e às vezes, a pressão no traço é forte demais ou muito suave, quase não dando para enxergar. As crianças com disgrafia apresentam também lentidão na hora de escrever, pouca orientação espacial no papel, por exemplo, ela escreve, como dizemos, “subindo morro” e “descendo o morro”,  não respeita a margem,  às vezes não fecha o “o”, não corta o “t”,  não coloca o pingo no “i”, não faz o traçado da letra de forma correta, chegando muitas vezes a ser ilegível.

A criança costuma misturar a letra maiúscula com minúscula, letra de forma com letra cursiva, enfim, ela apresenta uma dificuldade viso-motor; Na hora de copiar ela olha para a lousa e quando vai escrever, ela pula linha, pula palavras, o tamanho das letras pode ser ora muito grande, ora muito pequeno. É uma escrita não uniforme.

Vale dizer que no diagnóstico as alterações tônico posturais da criança, são avaliadas, por exemplo: A maneira que ela pega o lápis e sua postura diante da mesa.

DISORTOGRAFIA

Na Disortografia, os tipos de erros que a criança comete estão relacionados com  a ortografia das palavras. É muito comum que até o 2º ano, as crianças façam essas confusões ortográficas, principalmente entre os sons e as palavras, pois ainda não estão dominados por completo; São erros bem mais sistemáticos, totalmente voltados para a ortografia; por exemplo: O uso do L e do LH, troca o X pelo CH, troca o J pelo G , erra o uso dos “S´s” e “ss”, comete erros na acentuação, ou seja, tudo está relacionado aos erros ortográficos, bem diferente por exemplo da dislexia, onde as alterações da escrita são muito mais inconsistentes e isso só consegue ser diferenciado a partir do 3º ano, quando estas crianças estão com 8 anos, mais ou menos. Quando esses erros persistirem em uma frequência muito grande, aí conseguimos avaliar e fazer o diagnóstico, explica a especialista.

DISCALCULIA

Como a dislexia, que está relacionada aos déficits de aprendizagem, a discalculia também não é uma doença. Ela é uma dificuldade que as algumas crianças têm no aprendizado da Matemática, quando lidam com números.

Efetuar equações, entender os seus princípios e tudo que envolve o trabalho com números. É uma desordem de aprendizagem que tem a ver com a formação dos circuitos neurológicos e não tem relação alguma com QI -Quociente de inteligência.

Ela é uma dificuldade única e exclusivamente relacionada ao cálculo matemático.
A Discalculia não é fácil de diagnosticar, pois requer uma avaliação multidisciplinar com o envolvimento de especialistas nas áreas de psicopedagogia, neuropsicologia e neuropediatria.

A Dra. Gesika chama atenção para que os pais fiquem atentos e busquem:

  • Diagnóstico Correto. Levar a criança ao neuropsiquiatra infantil, verificar se existe algum transtorno de aprendizagem e qual é este transtorno para iniciar ou adequar o tratamento correto;

  • Tratamento Correto. Verificar se a criança tem algum transtorno comportamental associado ou se nenhum diagnóstico de Transtorno de aprendizagem tenha sido feito até o momento, precisa-se verificar se a falta de acompanhamento do transtorno de aprendizagem levou ao desenvolvimento de algum transtorno comportamental, tais como depressão, pânico, ansiedade, baixa autoestima, etc; que precise de diagnóstico para que se comece imediatamente o tratamento.

  • Estratégia. Família, Médico e Escola precisam traçar uma estratégia de tratamento e de acompanhamento escolar dessa criança para que estes problemas não piorem.

Nota: Dra Gesika Amorim é pediatra com ênfase em saúde mental e neurodesenvolvimento infantil. Neuropsiquiatra, pós graduada em psiquiatria, e neurologia clínica.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2020

 

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