ENEM em tempos de pandemia: Uma análise do discurso governamental

artigo de opinião

Artigo de Ricardo Santos David

[EcoDebate] Essa frase tem nos acompanhado muito nesse período de pandemia mundial que estamos enfrentando. Muito. E em diversos aspectos; seja emocional, social, político, entre outros. Mas, deparando-nos com a chamada do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Ministério da Educação, deparamos com a realidade do aspecto social que Educação Brasileira atravessa nesse momento. Não somente pela questão dos candidatos ao maior vestibular do país…mas…em como o discurso que o atual governo trata em si algo tão caro a todos nós… (ou assim deveria ser).

Como um admirador da Análise do Discurso, pensemos que há muitas maneiras de significar a “palavra em curso”: o sentido percebido é notoriamente o da exclusão. Sim, exatamente, pois num país com dimensões tão continentais como o nosso, e na realidade dessa grande crise sanitária que assola não só o Brasil como todo o mundo, notoriamente é dado lugar de fala àqueles que, neste momento, são os “propriamente dignos” de ao menos tentarem ingressar nas universidades federais, deixando para trás tantos outros brasileiros que poderiam de fato ocupar “as gerações de profissionais” que, como cita a chamada, serão desperdiçados no futuro. E perceber que a educação tem esse caráter excludente, vindo de quem deveria proporcioná-la com maior equidade…é completamente frustrante. Acreditamos, de fato, que é o que mais machuca, principalmente quando se acredita tanto nela, é constatar esse fato. E principalmente no grande apoio que essa fala tem de muitos brasileiros também.

Como afirma M. Pecheux, “não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia: o indivíduo é interpelado em sujeito pela ideologia e é assim que a língua faz sentido” (ORLANDI, 2007), fica nítida a relação de todo o sentido que atual propaganda carrega no tocante de quem merece o “ futuro que está logo aí”.  Para que perceber a realidade em que os estudantes da rede pública estão enfrentando?  A nova realidade na qual fomos obrigados a forçosamente nos adaptar (ou não) da educação online apontou (e fez disparar) mais ainda a desigualdade a que tantos estão vivendo. É o discurso vai produzindo sentido…mas…quem se importa com os “excluídos”? E daí, não é mesmo?

Existem muitos outros pontos que podemos trazer à luz da reflexão com base apenas nessa propaganda. Tantos. Por ora, nos entristecemos.

O que ouvimos naquela somatória de frases “Estude de qualquer jeito, a vida não pode parar”  é carregado de simbolismos do discurso separatista da ideologia apresentada pelo pensamento adotado do atual governo do nosso país. E hoje, minha luta é saber que esse não é o sentido que desejo para a minha juventude. A gente pode e deve se reinventar sim, mas de mãos dadas, entendendo que a educação, de verdade e igualitária, pode sim mudar o tão dito futuro do país.  “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, como já dizia nosso amado Paulo Freire.

Referência:

ORLANDI, Eni P. Análise do discurso: princípios e procedimentos. 07. ed. Campinas: Pontes, 2007.

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Ricardo Santos David, Pós – Doutorado em Educação: Formação de Professores, pela FCU – Florida Christian University – EUA – IESLA – Mestrado e Doutorado em Educação e Comunicação:Audiovisual, pela Uniatlántico – América Latina e Europa – Graduação em Pedagogia, Letras, Bacharelado em Linguística, pela UCAM, Universidade Candido Mendes – Rio de Janeiro – Email: ricardosdavid@hotmail.com.br

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/07/2020

 

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