Coronavírus: momento de respeito e solidariedade, artigo de Armando Rovai

 

Coronavírus: Ministério da Saúde atualiza dados em coletiva de imprensa
Coronavírus: Ministério da Saúde atualiza dados em coletiva de imprensa. Foto: ABr

 

[EcoDebate] Desde que surgiram as primeiras notícias acerca do coronavírus (Covid-19), uma onda de desrespeito e preconceito tem sido divulgada pelas mídias sociais, como as recentes falas proferidas sobre a origem do vírus e sua proposital contaminação. Algumas dessas falas partiram de pessoas que têm a obrigação de se comportar nos estritos termos de um Estado Democrático de Direito, até porque, algumas delas representam a população brasileira no parlamento.

De toda forma, a pandemia tem de ser tratada com seriedade, maturidade e serenidade, uma vez que, em função da relevância da situação, todas as informações da doença deveriam ser trazidas de forma real por órgãos competentes e oficiais. Boatos infundados e fake news, taxativamente, não podem ser permitidos.

Hoje, mais do que nunca, para a salvaguarda de um ambiente mundial saudável é necessário a valorização de políticas públicas concretas, racionais e objetivas, em razão da proliferação da pandemia.

Casos do coronavírus confirmados em solo nacional já deveriam, há algum tempo, ter movimentado as autoridades no sentido de se anteciparem para organizarem, adequadamente, o sistema de saúde nacional, providenciando hospitais com leitos próprios e preparados, em número suficiente para atender a população numa possível e eventual superlotação hospitalar — o que provavelmente ocorrerá, tendo em vista o que vêm ocorrendo pelo mundo afora.

É obrigatório tratarmos o assunto de maneira prudente e responsável evitando comentários jocosos, desleixados e, mais ainda, como se fosse uma mera “fantasia”. Certamente, quem assim pensa ou jocosamente se manifestou, se arrependerá! Vale lembrar que a conduta de nossas autoridades políticas deve apresentar preceitos sérios, éticos e responsáveis. Como últimos acontecimentos recentemente ocorridos, cumpre citar na forma de exemplo a ser seguido, os ensinamentos de Aristóteles, que definia política como um propósito eminentemente ético, na medida em que para ele, o objeto de estudo da ciência política era a promoção do bem comum. Em outros termos, ele quis dizer que política é a arte de governar e, segundo o léxico, governar significa: “dirigir um país, uma nação, com firmeza e, principalmente, sabedoria”.

Cabe, portanto, uma reflexão, já que, cedo ou tarde, o coronavírus passará e a população sobreviverá, porém, a disseminação do preconceito e do ódio deixará marcas irreparáveis. O momento atual é de precaução, cautela, efetividade, respeito e principalmente, de solidariedade!

Armando Rovai é professor de Direito Ambiental da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e doutor direito político e econômico em pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/03/2020

[cite]

 

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