COP25: Favela e perifa na Conferência do Clima? Tá tendo! 

Pedro Borges do Alma Preta e Michel Silva do Fala Roça e Favela em Pauta tão cobrindo a Conferência do Clima [COP 25] na missão de estimular o olhar das juventudes de favelas e periferias pra crise climática. Eu já tô apaixonada pelo trampo deles lá e vou comentar aqui que problemática é essa e porque a participação deles na Conferência do Clima é histórica. Bora saber?

O Instituto Clima e Sociedade [ICS] e a agência Énois firmaram parceria pra agenda climática ser pautada por meios de comunicação comunitária e jornalistas de favelas e periferias. Pedro e Michel foram selecionados pra cobrir a COP 25, analisar discussões e perfil dos participantes, conhecer agenda e fontes oficiais, e pra entender como se comunicam, ou não, com as realidades cotidianas e periféricas. 

O trampo do Pedro e do Michel na COP 25 é acompanhado de perto pela editora da Énois, Jessica Mota. Eles vão fazer reportagens pra publicação no Favela em Pauta, no Periferia em movimento e em meios parceiros, como UOL. Sensacional né. 

Cobertura inédita e histórica

É um investimento inédito em abrir espaço pra jovens jornalistas explorarem a pauta crise climática em perspectivas pouco abordadas por ambientalistas. E é uma cobertura histórica, por ser focada em grupos e regiões mais vulneráveis às mudanças do clima não priorizados no ambientalismo. 

Indígenas, ribeirinhos, quilombolas são imediatamente associados a meio ambiente, sustentabilidade e aos efeitos das mudanças climáticas por seus modos de vida serem diretamente ligados à natureza. No entanto, favelas e periferias, gente pobre, preta, nordestina, também tão nessa condição de vulneráveis, só que nas cidades. 

E tem mais! Atenção, comunicadores comunitários: depois da COP 25 vai ter Redação Aberta dedicado à crise climática. A conversa sobre cobertura da imprensa, agenda e ações climáticas locais, é pra ampliar a troca de ideias sobre como conscientizar e produzir impactos na sociedade, em especial pelo jornalismo local. 

Pra quem não conhece, Redação Aberta é o evento em que jornalistas e cidadãos discutem como é feito o jornalismo. É um “espaço de oficinas onde jornalistas e cidadãos se reúnem para discutir questões, compartilhar recursos e conhecimento e aprender a relatar e investigar histórias em seus territórios.”

A problemática 

A mudança no clima é o maior desafio que a humanidade precisa enfrentar. Muita gente não sabe que o clima mudou nem os motivos e os efeitos, só que geral já sente no cotidiano. Sabe o calorão, as chuvonas? Então, calorão e chuvona são efeitos da mudança do clima. 

Mas, como o clima mudou? Tudo que a gente faz aqui ou acolá explora, polui, degrada e destrói a natureza, tem sido assim desde que o ser humano descobriu o fogo. Esses impactos pioram crescentemente desde a Revolução Industrial, com as máquinas, os processos poluentes de produção, até os dias de hoje com a produção cada vez maior de mais e mais coisas pra gente comprar.

Coisas que nem são necessárias mas são inventadas e produzidas pra gente comprar. Coisas que são feitas pra não durar pra gente comprar, jogar fora e comprar outras coisas. Isso chama economia de consumo, mantém ricos enriquecendo sem parar, garante a concentração de riquezas pra poucas pessoas e a pobreza e a desigualdade pra muitas pessoas. 

Produzindo sempre mais pra vender ainda mais, e manter bilionários e milionários faturando, o planeta tá sendo poluído sem descanso, a natureza tem sido explorada e degradada à exaustão, espécies de plantas e animais tão sendo extintas. E toda a poluição acumulada ao longo de décadas aqueceu o mundo globalmente. 

Como o aquecimento global não foi diminuído por decisão de líderes políticos e empresariais, o clima foi mudando até chegar o tempo da crise climática, que é hoje. As águas dos oceanos tão mais quentes, geleiras tão derretendo mais rápido que o previsto pra atualidade, o nível do mar tá subindo, nações que são ilhas tão perdendo terra pro mar, fenômenos naturais como furacões, tempestades e ondas de calor tão mais intensas. Alguns graus a mais na temperatura fazem muita diferença na vida de todos os seres vivos aqui, plantas, animais e gentes. 

É um problema tão grave que tem até esse encontro todo ano só pra juntar os países em torno de soluções: a Conferência do Clima [COP]. As COPs são realizadas desde 1994 pela Organização das Nações Unidas [ONU]. 

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Ambientalistas no mundo todo sabem que segmentos mais pobres da população são os mais afetados pelos impactos da mudança do clima. Líderes políticos e empresariais também sabem. No Brasil, no entanto, nem ambientalistas sobem o morro ou vão pra periferia pra dialogar nem políticos investem em educação ambiental e ações de prevenção ou adaptação. 

É o que ocorre na maioria das grandes cidades, claro que tem iniciativas de ONGs e ações governamentais em execução, ainda que em menor escala. E tem também ações práticas empreendidas por moradores de favelas e periferias. No Rio, por exemplo, tão mapeadas pela Rede Favela Sustentável, uma das iniciativas extraordinárias que mostrei no meu primeiro artigo pro Voz das Comunidades, vem ler!

Na cidade do Rio, despreparada pra chuva fraca ou forte, o temporal em fevereiro de 2019 despejou alto volume de água em poucas horas. A prefeitura do Rio aplicou apenas 22% do orçamento pra ações de controle de enchentes e contenção de encostas em 2017 e 2018. Resultado: morte de 7 pessoas, famílias desabrigadas, moradias destruídas [invadidas por água, lama, esgoto e lixo], quase 600 árvores caídas, alagamentos, deslizamentos. Escrevi sobre essa tragédia evitável pro Portal EcoDebate, aproveita pra ler. Famílias no Vidigal e na Rocinha ainda esperam ações básicas da prefeitura. Prejuízos ambientais, sociais e econômicos sempre caem sobre quem tá mais vulnerável. Em abril, 10 pessoas morreram durante outro temporal. 

A COP 25, em Madrid, vai de 2 a 13 de dezembro de 2019, e dessa vez, tem favela e periferia cobrindo pra trazer informações e também colaborar pra formação de comunicadores comunitários. Cola aqui pra saber mais sobre a seleção e a cobertura inédita e histórica.   

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/12/2019

COP25: Favela e perifa na Conferência do Clima? Tá tendo! , in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/12/cop25-favela-e-perifa-na-conferencia-do-clima-ta-tendo/.

 

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