Estado do Rio tem mais da metade do território com alto risco de deslizamentos

Estado do Rio tem mais da metade do território com alto risco de deslizamentos

Estudo inédito aponta que 53,9% da área fluminense corre risco de deslizamento - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
Estudo inédito aponta que 53,9% da área fluminense corre risco de deslizamento – Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
  

Por Caio Belandi / Arte de Márcio Silva da Costa / IBGE

Mais da metade da área do estado do Rio de Janeiro tem suscetibilidade a deslizamentos classificada como muito alta.

É o que aponta o estudo do IBGE divulgado nesta sexta-feira, informando que 53,9% do território fluminense está no nível máximo de risco. Outros 19,9% estão classificados como alta suscetibilidade, a segunda faixa mais elevada.

O estado é o líder absoluto entre as unidades da federação em termos de áreas com maior suscetibilidade. O estado vizinho, Espírito Santo, aparece em segundo lugar, com 44,9% do território com suscetibilidade muito alta e 19,9%, alta.

A Região Sudeste, aliás, é a que concentra mais áreas de suscetibilidade a deslizamentos muito alta: 23,2%. Outros 24,6% do território estão classificados como alta.

Os dados são do mapa “Suscetibilidade a deslizamentos do Brasil: primeira aproximação”, estudo inédito divulgado hoje (29) pelo IBGE. O trabalho mostra que 5,7% da extensão territorial nacional tem suscetibilidade muito alta a deslizamentos, enquanto outros 10,4% estão na segunda faixa mais elevada.

Estado do Rio tem mais da metade do território com alto risco de deslizamentos

Alguns fatores explicam este fenômeno. Devido às características do meio físico, clima tropical e à alta pluviosidade, determinadas regiões do Brasil apresentam um conjunto de motivos que favorecem o desencadeamento de deslizamentos.

É o caso do Sudeste. Por apresentar áreas serranas e planálticas situadas em terrenos geológicos de grande mobilidade, a região é motivo de preocupação. Além dos fatores naturais, a dinâmica de uso e ocupação da terra, muitas vezes desordenada, potencializa a incidência de deslizamentos e agrava seus impactos.

“Por conta do relevo, de serem lugares mais acidentados, áreas como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira mostram os níveis mais elevados de riscos. A vegetação (Mata Atlântica) tem um certo peso, mas o que predomina nessa afirmação é a declividade”, explica Therence de Sarti, geólogo do Instituto que colaborou com o estudo.

O Sul também apresenta muitas áreas com níveis altos de suscetibilidade a deslizamentos. A pesquisa mostra a região com 15,6% e 24,5%, respectivamente, nas faixas muito alta e alta. O terceiro estado com mais áreas classificadas no nível máximo no país é Santa Catarina, com 33,7% do território com suscetibilidade muito alta e 31,5%, com alta.

Episódios recentes ocorridos no estado sulista, em 2008, e no Rio de Janeiro (Ilha Grande/Angra dos Reis em 2009, Niterói em 2010 e Região Serrana em 2011) exemplificam de maneira trágica os danos gerados por deslizamentos nestas áreas.

No extremo oposto estão o Norte e o Centro-Oeste, regiões onde predominam áreas de grande planície e depressão. Elas concentram menos áreas de maior suscetibilidade a deslizamentos: 1,6% de muito alta e 6% alta no Norte e 3,6% e 8,2%, nesta ordem, no Centro-Oeste. O Nordeste aparece com 3,8% e 10,1%, respectivamente.

O estudo, feito sobre grade estatística, leva em consideração seis aspectos: Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Declividade, Pluviosidade e Cobertura e uso da terra e Vegetação. A cada um deles foram determinados critérios de importância. A Declividade é o critério que mais contribuiu para a suscetibilidade a deslizamentos. Na outra ponta, a Pluviosidade é o que menos interfere nos riscos.

Após a análise de cada um desses aspectos, o IBGE chegou a um mapa final. “O Instituto analisou que faltava uma visão geral da situação dos deslizamentos no país. A partir desse mapa, podemos determinar mais lugares para detalhar o trabalho, e outros órgãos poderão se basear nele para estudos mais aprofundados”, pondera Therence.

O mapa “Suscetibilidade a deslizamentos do Brasil: primeira aproximação” faz parte do 2º volume da coleção “Macrocaracterização dos Recursos Naturais do Brasil”, que traz detalhamento dos aspectos naturais do Brasil. a coleção é direcionada a estudantes, professores, agentes públicos e gestores do meio ambiente.

Fonte: IBGE

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/12/2019

[cite]

 

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