A Geologia Ambiental como área de avaliação dos processos de transformação em superfície, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes

artigo

A GEOLOGIA AMBIENTAL COMO ÁREA DE AVALIAÇÃO DOS PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO EM SUPERFÍCIE

Marco Antonio Ferreira Gomes

Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Há pouco mais de três décadas, os conhecimentos científicos relacionados à geologia tinham como foco principal os processos endógenos, ou seja, aqueles que ocorrem no interior do Planeta, em diferentes ambientes de formação das rochas (ígneo, sedimentar e metamórfico) e profundidades. Embora as rochas sedimentares sejam oriundas de depósitos de sedimentos em uma bacia, ou seja, um processo exógeno, sua origem depende da litificação que só ocorre a uma determinada profundidade e pressão de carga de outros materiais sobrepostos.

Os chamados processos exógenos ou de superfície ficavam em segundo plano, até porque muitas áreas do conhecimento faziam interface e, às vezes, até ofuscavam qualquer abordagem geológica sobre o assunto. Entre essas abordagens, destacam-se os processos erosivos, a dinâmica fluvial (controle de enchentes), as transformações do relevo, os deslizamentos e escorregamentos de encostas e taludes, como também as obras de aterramento e de construção de barragens, entre outras. Mesmo a geologia estando presente na solução/controle desses processos, a Engenharia Civil (geotecnia), a Geografia (geomorfologia), e a Agronomia (uso e manejo de solos), muitas vezes, fizeram frente em relação à intervenção/execução de obras e serviços. Mais recentemente, a Engenharia Ambiental, também passou também a abordar essa temática.

Com a evolução do conhecimento, a partir de um caráter mais holístico, aliado ao aumento dos problemas de ordem ambiental, a geologia ganhou novo destaque por meio da Geologia Ambiental, com a percepção de que era possível seu relacionamento e integração com várias áreas do conhecimento, para explicar os mais variados fenômenos ambientais em superfície, sejam eles naturais ou causados pela ação humana.

Embora a definição de Geologia Ambiental já exista desde a década de 70, só a partir dos anos 90, é que ela ganhou mais destaque, obviamente em função do crescimento acelerado dos diversos problemas envolvendo o meio ambiente em nível global. Nesse intercurso, alguns nomes têm surgido para abordar questões que também são pertinentes à Geologia Ambiental, tais como Geomedicina e Geodiversidade.

A Geologia Ambiental é definida como uma ciência aplicada, comprometida com a aplicação prática da geologia na resolução dos passivos ambientais. Possui caráter de atuação multidisciplinar, estando intimamente relacionada com a Geologia de Engenharia e Engenharia Ambiental, em maior grau, como também com a Geografia Ambiental, Biologia, Química e as Ciências Agrárias de um modo geral.

Dentro de uma perspectiva de atuação de destaque, a Geologia Ambiental tem como foco o ordenamento do território, envolvendo o uso da terra, e a previsão de locais potencialmente suscetíveis a catástrofes, tais como abalos sísmicos, movimentos de massa, áreas inundáveis, tsunamis, entre outros. Também atua na recuperação de áreas degradadas pela mineração, um dos grandes problemas ambientais existentes em todo o mundo.

Em Ciências Agrárias, por exemplo, existem trabalhos com abordagem da Geologia Ambiental a partir dos chamados aspectos geoambientais em bacias hidrográficas, importantes na avaliação dos impactos gerados, decorrentes do uso da terra.

Assim, frente ao exposto, pode se concluir que a Geologia Ambiental se consolidou atualmente, enquanto ciência multidisciplinar, como uma área técnico-científica de grande relevância nos estudos de avaliação dos processos de transformação em superfície, não só de caráter natural, mas também e, principalmente, antrópico.

Referências

ALMEIDA, L. Geologia Ambiental. NT Editora. Brasília: 2015. 128 p. : il.

GOMES, M. A.F.; PEREIRA, L. C.; PEREIRA, A. S.; PAZIANOTTO, R. A. A. Aspectos Geoambientais da Eucaliptocultura no Vale do Paraíba Paulista. Jaguariúna, SP: Embrapa Meio Ambiente, 2019. 28 p. il. (Documentos/Embrapa Meio Ambiente, 118).

SOUZA, C. Geomedicina – geologia e saúde. UFPA/AEDI, 2019. 85 p. (Curso de Especialização em Geomedicina, Módulo II).

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/10/2019

A Geologia Ambiental como área de avaliação dos processos de transformação em superfície, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/10/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/10/28/a-geologia-ambiental-como-area-de-avaliacao-dos-processos-de-transformacao-em-superficie-artigo-de-marco-antonio-ferreira-gomes/.

 

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Um comentário em “A Geologia Ambiental como área de avaliação dos processos de transformação em superfície, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes

  1. O colega comete falta grave ao não considerar a história e a atuação da Geologia de Engenharia e da Geomorfologia Aplicada no contexto da compreensão da Dinâmica Externa e, mais modernamente, no papel do Homem enquanto agente geológico.
    Geologia Ambiental é apenas um ramo de aplicação da Geologia de Engenharia, e pouco poderá fazer um geólogo ambiental caso não possua uma forte base de conhecimentos e experiências em Geologia de Engenharia.

Comentários encerrados.

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