Pesquisa indica que exposição a agrotóxicos durante a gravidez aumenta o risco de autismo nas crianças

 

Agrotóxicos e autismo: relação demonstrada – Maior pesquisa já feita sobre a exposição a venenos agrícolas, durante a gravidez, conclui que ela aumenta risco de desenvolver transtorno. Dados parecem devastadores

A reportagem é de Raquel Torres, publicada por Outra Saúde, 21-03-2019.

 

pulverização aérea de agrotóxicos

 

Durante a gravidez e na primeira infância, a exposição a alguns dos agrotóxicos mais usados no mundo está ligada a um maior risco de as crianças desenvolverem o Transtorno do Espectro Autista. Essa é a conclusão de um dos maiores estudos já realizados sobre esses efeitos, e o artigo [Prenatal and infant exposure to ambient pesticides and autism spectrum disorder in children: population based case-control study] foi publicado ontem no British Medical Journal.

Ligados à Universidade da Califórnia e com recursos do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos EUA, os pesquisadores examinaram registros de mais de 38 mil pessoas nascidas entre 1998 e 2010 em uma região do estado marcada por grande atividade agrícola; 2.961 delas haviam sido diagnosticadas com o transtorno, sendo 445 também com diagnóstico de deficiência intelectual.

Os dados desses pacientes foram cruzados com informações sobre a pulverização perto das casas das mães. Foram escolhidos 11 dos agrotóxicos mais comuns, por já terem sido relacionados em pesquisas anteriores a interferências no neurodesenvolvimento. Entre eles, o famoso glifosato e o malation, inseticida que aqui no Brasil também é usado para controle do Aedes Aegypti em áreas urbanas.

A partir daí, os pesquisadores investigaram os efeitos da exposição a esses produtos na fase pré-natal (no útero) e durante o primeiro ano de vida. Quando as gestantes viviam a menos de dois quilômetros de uma área com alto índice de pulverização desses produtos, seus filhos tiveram entre 10% e 16% mais chances de ser diagnosticados com o transtorno. Para diagnósticos de autismo que vinham acompanhados por deficiências intelectuais, o resultado foi ainda mais impressionante: as taxas foram em média 30% mais altas entre as crianças que foram expostas aos químicos no útero. Já crianças expostas a esses mesmos agrotóxicos durante o primeiro ano de vida tiveram até 50% mais diagnósticos de autismo (houve ajustes para não somar este risco ao da exposição durante a gravidez).

O editorial do BMJ explica por que essa pesquisa é tão importante, apesar de já haver outras anteriores relacionando agrotóxicos e autismo. Primeiro porque o estudo também examinou a deficiência intelectual, gerando informações sobre como os pesticidas se relacionam com a gravidade do transtorno. Segundo, porque os autores examinaram os efeitos de vários agrotóxicos em conjunto – o que é justamente uma recomendação da OMS para conseguir proteger melhor a saúde humana, já que no ambiente eles não estão isolados.

Uma limitação é que a pesquisa não tratou de todos os tipos de transtorno, apenas os diagnosticados pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais versão IV-R.13. Ficaram de fora alguns, como a Síndrome de Asperger. Agora, é preciso replicar as descobertas em outras regiões do mundo.

IHU

(EcoDebate, 26/03/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

 

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