Medicina Funcional Integrativa, artigo de Roberto Naime

 

artigo

 

[EcoDebate] A Dra. Regina Di Ciommo é pós-doutora em Recursos Naturais com especialização em Ecologia Humana. Pesquisadora da Universidade Estadual da Bahia, em Ilhéus, é professora de cursos de pós-graduação. Autora e coordenadora de projetos de desenvolvimento local e sustentabilidade, nos estados de São Paulo e Bahia. Através de uma abordagem de sua autoria se expõe princípios e diretrizes da medicina funcional integrativa.

Nas últimas décadas a alimentação passou por uma transformação radical. Os produtos da indústria alimentícia, altamente processados, não possuem os nutrientes fundamentais que se necessita para a saúde, substituídos por calorias vazias. Este é um grande paradoxo quando se fala em comparar alimentos naturais ou orgânicos com industrializados. Querem apenas comparar calorias e não vitaminas ou proteínas e substâncias químicas.

O maior exemplo de desequilíbrio seja a alimentação chamada de “fast food”, nos Estados Unidos e “exportada” para quase todos os confins da civilização humana, que contém grande quantidade de calorias e lipídios, mas faz com que os indivíduos fiquem desnutridos e ainda recebendo uma carga de componentes tóxicos provenientes de conservantes, adoçantes e corantes contidos nos alimentos.

Exclusivamente com a finalidade de tornar mais atraentes os alimentos e para que durem maior intervalo de tempo. Além da quantidade de agrotóxicos que os alimentos já carregam desde sua produção. Essa manifestação é proferida pela Dra. Cristina Sales, especialista em Medicina Funcional Integrativa. A médica portuguesa vem conquistando prestígio e está muito requisitada para palestras e conferências. Sua teoria compatibiliza conhecimentos da medicina e da nutrição.

Esta concepção propõe que os alimentos contêm em si informações e se comunicam com as células de nosso corpo. Se o que foi ingerido não for identificado como alimento por nosso organismo, por alguma motivação psicológica ou existencial e seja interpretado pelo corpo como uma substância estranha ou artificial, ocorre uma reação de alergia, inchaço e irritação do sistema autoimune, o que leva a doenças endócrinas, degenerativas ou alérgicas.

A alimentação industrializada parece ter passado a provocar doenças e contribuir para a mortalidade precoce, em vez de garantir a saúde e o bem-estar. São alimentos bonitos, atraentes, mas que não foram feitos para ser.

Atualmente nossos alimentos são muito diferentes dos que os ancestrais serem ingeridos e carregam apenas calorias. Os alimentos consumidos pelos seres humanos favorecem que o organismo não consiga se adaptar para digestão. A falta de assimilação, com frequência gera uma inflamação.

Os sucos de fruta, desde que passaram a ser industrializados substituem as frutas naturais, na mesa de muitas famílias. O detalhe é que pouco contém de suco de frutas na real, mas muito de açúcar e acidificantes.

A população precisa ser informada e instruída para que adquira consciência sobre o que deve mudar na indústria de alimentos. O congelamento, que veio para ficar, foi uma inovação positiva. Legumes podem ser congelados para permanecerem frescos e seus nutrientes estão presentes durante mais tempo do que aqueles que ficam nas prateleiras dos mercados.

Já as carnes e peixes, em produtos industrializados, recebem aditivos e conservantes. É importante ler os rótulos descritivos das embalagens, porque neste local vão ser encontrar os nomes estranhos que identificam o que são substâncias e componentes químicos que não fazem parte do alimento original.

Exemplo disto são os hambúrgueres industrializados, feitos para durar 30 ou até 40 dias. O hambúrguer de carne fresca dura 10% desse tempo, sem que se deteriore. Obviamente se introduzem artifícios cujas resultantes de longo prazo não podem ser determinadas pelas análises simplistas e calcadas em linearidade cartesiana que se elaboram.

Assim como se faz com biotecnologia, agrotóxicos ou outras substâncias, se utilizam componentes que não se sabe se vão interferir ou não no longo prazo, com mecanismos de proteção atuantes na seleção natural. Isto é temerário.

Principalmente sem compreender todas as relações implícitas ou explícitas, e não lineares ou cartesianas da homeostase dos ecossistemas, seja este ecossistema englobando toda a terra ou fragmentado. Assim, parece um pouco pretensioso na atual fase de conhecimentos da civilização humana, implementar estes incrementos sem considerar os princípios de precaução e sem mobilizar tentativas mais sistêmicas e holísticas de se apropriar da realidade.

Sempre que a alimentação é composta de substâncias tóxicas, o organismo humano se defende em uma inflamação, seja do estômago, intestino ou vias respiratórias, ou deposita essas substâncias nas células de gordura. Elas são nosso reservatório de energia e também guardam os elementos que o organismo não metaboliza e que ficam retidos para não prejudicarem outros tecidos e órgãos vitais. Essa espécie de “resíduo sólido” acaba por criar alterações metabólicas.

Não são conhecidas com exatidão, as dimensões das consequências deletérias para todo o conjunto orgânico, incluindo o cérebro, o sistema imunológico e o fígado. Mas se sabe que na eventualidade de um rápido emagrecimento, as substâncias tóxicas são liberadas da gordura, determinando crises orgânicas.

O consumo de industrializados, com corantes e conservantes poderia ser tolerado quando é de forma eventual, mas quando é feito com regularidade pode levar a uma sobrecarga tóxica em seis meses, segundo dados referidos. É narrado que os aditivos que contém ácido fosfórico, como o que está nos refrigerantes, leva à acidificação do sangue e à perda de cálcio que constitui a osteoporose. Além de acidificação do estômago e problemas gastrointestinais conexos.

Existem informações bioquímicas muito relevantes e que devem ser consideradas e pertencem a uma lógica dialética e cartesiana. Se a gente decide construir um muro, a quantidade de tijolos e cimento adquirida vai determinar a altura do mesmo. Poderia se argumentar que o planejamento prévio, anterior ao gesto de aquisição é que vai determinar a altura e a possança do muro. Isto é verdadeiro e as manifestações se entrelaçam.

É a mesma coisa com alimentação. É a quantidade de sal e de ingestão de água que determina a quantidade de gorduras. Isto pode ser planejado ou fortuito. Os alimentos são construtores de tecidos, ossos e órgãos, além da energia. Mas o seu funcionamento é bastante complexo e atualmente as pesquisas em nutrição estão mostrando que os alimentos fornecem informação para as células, determinando como devem funcionar, modulando o seu comportamento.

Quando se ingere proteínas, como carne ou peixe, acompanhadas de carboidratos, a proporção entre proteína e carboidratos informa ao organismo a necessidade de produção de hormônios. Ou a altura e extensão do muro de tijolos.

Quando se ingere mais proteínas do que carboidratos, as células comandam a produção de glicose, que consome com as gorduras. E quando se ingere mais carboidratos, a ordem é no sentido de produzir mais insulina, o que leva ao acúmulo de gordura. Assim, a proporção entre esses grupos de alimentos chegam ao sistema digestivo como uma comunicação cifrada ou em código. Ocorre a liberação de hormônios para o uso das gorduras acumuladas, ou para armazenar gordura. Esse é um sistema de informação.

Quando se deseja perder peso, é preciso conhecer esse sistema, para modular o próprio corpo. O arranjo bioquímico deriva da medicina funcional integrativa. Outro hormônio que interfere no apetite é a leptina, que varia conforme a exposição à luz solar.

Quem dorme à noite e trabalha de dia, produz mais leptina no início do dia e menos no final do dia. Quando se ingerem muitos alimentos à noite esse equilíbrio é afetado, já não se tem mais apetite pela manhã. Não se deve fazer a principal refeição do dia em período próxima da hora de repouso, porque não se vai gastar energia. É melhor condicionar o apetite para o dia e comer menos à noite.

As pessoas que possuem um maior nível de informação são as que podem fazer as escolhas mais acertadas. Por isso é bom saber que as gorduras provenientes dos animais, dos cereais como a soja e as gorduras saturadas levam as células a produzirem substâncias que estimulam as inflamações. Já as gorduras ômega 3, provenientes dos peixes, como a sardinha, a cavala e o bacalhau constituem alimentos anti-inflamatórios.

Também são fontes de ômega 3 alguns vegetais como a linhaça e o cártamo, e a cúrcuma. Conhecendo esta variável interveniente, tendências alérgicas ou a artrite ou ainda a doenças autoimunes, devem evitar comer gordura saturada, para não sofrerem agravamentos de sua predisposição a ocorrência de processos inflamatórios.

Segundo a medicina funcional integrativa que considera muito relevante os processos bioquímicos, a cadeia de alimentação atual é muito rica em ômega6 e pobre em ômega 3. As gorduras ômega 6, que favorecem os processos inflamatórios, estão presentes nos óleos provenientes de grãos como a soja, o milho e o amendoim. Acrescentam ômega 6 à nossa alimentação também as aves alimentadas com soja e os peixes criados em cativeiro, que também comem rações com soja.

Quando se visitam supermercados ou feiras, se observam que são enormes as variedades. Mas uma observação mais minuciosa, indica que são poucas as classes de alimentos. São os cereais, os derivados do leite, os açúcares, as carnes e as gorduras. O restante é o alimento industrializado. No dia a dia as pessoas acabam comendo sempre a mesma quantidade e os mesmos tipos de legumes, frutas, grãos e carnes.

Existem muitas alternativas que merecem ser implementadas. Talvez a mais surpreendente de todas seja mesmo derivada da compreensão do que a bioquímica dos alimentos acaba informando e determinando para o organismo.

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

Referência:

http://www.planodesaude.net/medicina-funcional-integrativa

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/02/2019

"Medicina Funcional Integrativa, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 5/02/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/02/05/medicina-funcional-integrativa-artigo-de-roberto-naime/.

 

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