Unidade de Conservação Ambiental como um Instrumento do Planejamento Ambiental Urbano: Parque Natural Municipal Salto do Zinco – Benedito Novo, SC, por Jéssica Vandal e Gregorio Carlos De Simone

artigo

UNIDADE DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL COMO UM INSTRUMENTO DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL URBANO: PARQUE NATURAL MUNICIPAL SALTO DO ZINCO – BENEDITO NOVO, SC

ENVIRONMENTAL CONSERVATION UNIT AS AN URBAN ENVIRONMENTAL PLANNING INSTRUMENT: SALTO DO ZINCO MUNICIPAL NATURAL PARK – BENEDITO NOVO, SC

Jéssica Vandal1

Gregorio Carlos De Simone2

Resumo

O objeto de estudo deste trabalho é a proposta de criação de uma Unidade de Conservação, nomeada Parque Natural Municipal Salto do Zinco, localizado em Benedito Novo, Santa Catarina. As Unidades de Conservação são um dos importantes instrumentos do Planejamento Ambiental Urbano que as autoridades podem estabelecer para organizar de modo sustentável determinado recorte geográfico. Escolheu-se determinada área para estudo levando em consideração suas características geoambientais possuírem um grande valor paisagístico e biodiverso, apresentando relativa importância para a sociedade local. Portanto, o objetivo principal é uma proposta de planejamento ambiental a partir da criação do Parque Natural Municipal Salto do Zinco, estabelecendo todo o processo envolvente no planejamento desta Unidade. A partir do problema chave de “conservação e preservação ambiental” foram pontuados os objetivos, realizados diagnósticos, prognósticos e analise de alternativas. Por fim, foi elaborado um item específico que trata de avaliações, nas quais se atenta a pontos específicos a serem elaborados e/ou desenvolvidos ao longo do tempo. O trabalho foi desenvolvido tendo como base metodológica a Teoria Geossistêmica. As técnicas envolveram a coleta de dados em órgãos oficiais, fontes bibliográficas e interpretação de imagens de satélite. Como resultados se obteve a proposta de criação da Unidade de Conservação elencando-se alternativas e medidas a serem adotada. A proposta contribui para a importância em se ter um planejamento ambiental urbano organizado e como um instrumento pode ser extremamente importante para uma adequada gestão de território.

Palavras Chave: Planejamento Ambiental e Urbano; Unidade de Conservação; Instrumentos do planejamento ambiental.

Abstract

The object of study is the proposal to create a Conservation Unit, named Salto do Zinco Municipal Natural Park, located in Benedito Novo, Santa Catarina. The Conservation Units are one of the important instruments of Urban Environmental Planning that the authorities can establish to organize a certain geographic cut in a sustainable way. It was chosen a certain area for study taking into account its geoenvironmental characteristics possess a great landscape and biodiversity value, presenting relative importance to the local society. Therefore, the main objective is a proposal of environmental planning from the creation of the Salto do Zinco Municipal Natural Park, establishing the entire process involved in the planning of this Unit. From the key problem of “conservation and environmental preservation” the objectives were scored, diagnoses, prognoses and analysis of alternatives. Finally, a specific item was elaborated that deals with evaluations, in which attention is paid to specific points to be elaborated and / or developed over time. The work was developed having as methodological basis the Geosystemic Theory. The techniques involved the collection of data in official organs, bibliographic sources and interpretation of satellite images. As a result, the proposal to create the Conservation Unit was obtained, listing alternatives and measures to be adopted. The proposal contributes to the importance of having organized urban environmental planning and as an instrument can be extremely important for an adequate territory management.

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Key-words: Environmental and Urban Planning; Conservation Unit; Instruments of environmental planning.

INTRODUÇÃO

No Brasil, a proteção das áreas naturais é feita por meio de Unidades de Conservação (UC), a qual se torna estratégia extremamente eficaz para a manutenção dos recursos naturais em longo prazo. E como forma de atingir este objetivo de forma eficiente, foi instituído o Sistema Nacional de Conservação da Natureza (SNUC), através da publicação da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. As Unidades de Conservação são espaços territoriais e marinhos detentores de atributos naturais e culturais de especial relevância para a manutenção do equilíbrio ecológico. (SÃO PAULO, 2017; MMA, 2017).

Segundo essa lei, as Unidades de Conservação se dividem em duas categorias: Unidades de Proteção Integral, que visam à preservação da natureza em áreas com pouca ou nenhuma atividade humana e admitem apenas o uso indireto dos seus recursos naturais. E Uso Sustentável, que têm como objetivo a harmonia entre a conservação da natureza e utilização de seus recursos em benefício da comunidade local. A exploração do ambiente é permitida desde que feita de forma sustentável.

A Lei do SNUC representou grandes avanços à criação e gestão das UC nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal), pois ele possibilita uma visão de conjunto das áreas naturais a serem preservadas. Além disso, estabeleceu mecanismos que regulamentam a participação da sociedade na gestão das UC, potencializando a relação entre o Estado, os cidadãos e o meio ambiente. (MMA, 2017).

Um dos fatores mais importantes para o cumprimento dos objetivos de uma UC é a existência e a qualidade do planejamento ambiental desta área. O planejamento constitui-se em um trabalho prévio e necessário para qualquer iniciativa seguindo métodos determinados, o que garante o sucesso de um empreendimento, no caso de uma Unidade de Conservação, se chama Plano de Manejo e estabelece o zoneamento da UC e as demais normas e diretrizes para o uso da área e preservação dos recursos naturais. O plano de manejo contempla três abordagens distintas: Enquadramento da unidade nos cenários internacional, federal, estadual ou municipal, destacando-se a relevância e as oportunidades da UC nesses escopos; Diagnóstico da situação socioambiental do entorno, caracterização ambiental e institucional da UC; e Proposições principalmente voltadas para a UC e sua região, com a finalidade de minimizar/reverter situações de conflito e otimizar situações favoráveis à UC, traduzidas em um planejamento. (IBAMA, 2002).

A região onde se localiza o município de Benedito Novo, tem natureza abundante e grandes potenciais para turismo ecológico e preservação da natureza devido a existência de muitos lugares ainda com alto índice de qualidade ambiental. A criação de uma Unidade de Conservação nesta área somente reforça a preservação da natureza e garante que este local mantenha sua formação original ou que possa ser recuperado a uma situação favorável, se necessário. Também se faz necessário para conscientizar as pessoas da importância da preservação e pode ser grande aliado para impulsionar ainda mais o turismo ecológico sustentável e o desenvolvimento da comunidade que ali vive, através da adoção de programas de educação ambiental impulsionados pela UC.

METODOLOGIA – PROPOSTA DE CRIAÇÃO DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO SALTO DO ZINCO

Localização

Benedito Novo é um município situado na Microrregião de Blumenau, parte da Mesorregião do Vale do Itajaí, no estado de Santa Catarina, na Região Sul do Brasil. Foi fundado na década de 1880 por Joseph Peyerl, Johan Maus e Anton Werling, na época ainda como colônia de Blumenau. A natureza contorna esta cidade que atrai cada vez mais pessoas em busca do turismo ecológico. Cachoeiras, grutas e saltos conquistam os praticantes do turismo de aventura, lugares ideais para esportes radicais, como rapel, canyoning e canoagem.

Uma das regiões que se destaca neste entorno e que possui atributos ecológicos que devem ser preservados através da criação de uma Unidade de Conservação, se localiza distante 30 km do centro de Benedito Novo e é especialmente conhecida por uma queda da água chamada de “Salto do Zinco” que tem mais de 70 metros de queda. (PREFEITURA MUNICIPAL DE BENEDITO NOVO, 2014).

UNIDADE DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL COMO UM INSTRUMENTO DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL URBANO: PARQUE NATURAL MUNICIPAL SALTO DO ZINCO – BENEDITO NOVO, SC

Figura 01: Imagem de satélite de proposta de definição dos limites da Unidade de Conservação.Fonte: Google Maps (2017), adaptado pelo autor.

Categoria da Unidade

A proposta, portanto, é transformar esta região rica em recursos naturais, especialmente hídricos, em um Parque Natural Municipal, chamado de Salto do Zinco – conforme conhecida a queda d’água presente na área.

As unidades de conservação do tipo parque estão enquadradas no SNUC – Lei 9.985/2000 como unidades de proteção integral. Conforme o Artigo 11 desta mesma Lei as unidades de conservação de categoria Parque têm como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.

A área já é bastante conhecida e explorada pelo turismo, porém a criação de um ambiente de conservação trará benefícios não só para a preservação deste ecossistema tão precioso, como também ajudará na gestão dos visitantes e no desenvolvimento de um turismo ecológico sustentável da região.

Objetivos

A criação do Parque Natural Municipal Salto do Zinco tem por objetivos,

Geral:

  1. Conservar e preservar o ambiente natural pertencente ao Bioma Mata Atlântica, promovendo o equilíbrio de seu ecossistema enquanto possibilita atividades que não impactem o meio natural, priorizando o turismo ecológico sustentável e a educação ambiental.

Específicos:

  1. Garantir um uso adequado da área, planejando e normatizando as atividades, de forma a assegurar a preservação integral do ecossistema.

  2. Identificar estratégias e prioridades para potencializar a UC, através da identificação de problemas e oportunidades de melhoria.

  3. Contribuir para o desenvolvimento sustentável da comunidade do entorno, promovendo atividades de educação ambiental.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diagnóstico da Caracterização Física

Segundo Aumond (2009), a geologia regional correspondente aos municípios do Médio Vale do Itajaí apresenta diferentes tipos de estrutura refletidos na paisagem, sendo a mesma dissecada pelos rios Benedito e Cedros e esculpida pelos rios sobre rochas sedimentares, sendo a topografia em forma de planalto sedimentar escalonado com topo plano e bordas abruptas, a feição mais marcante da paisagem. Nesta região, ocorrem rochas do Complexo Granulítico, Complexo Tabuleiro, Complexo Brusque, Grupo Itajaí e Grupo Itararé. “A maior extensão do território, abrangendo municípios de Blumenau, Pomerode, Benedito Novo, Indaial, Timbó e Rio dos Cedros, compõe parte do arcabouço geológico mais antigo e é formado por rochas metamórficas gnáissicas granulíticos.

A paisagem do Vale do Itajaí é resultado de processos climáticos e geológicos, com um relevo formado por vales profundos em forma de “V”, com encostas íngremes e sulcadas, geralmente associadas a pequenas várzeas em torno de ribeirões e rios, áreas sujeitas a inundações frequentes. (EMBRAPA, 2004; AUMOND et al., 2009 apud COMITÊ DO ITAJAÍ, 2010). A propriedade em que se planteia a unidade, é cortada pelo Ribeirão do Zinco e possui uma queda da água de 76 metros de altura. (BENEDITO NOVO, 2017).

São relacionados a esta estrutura os solos das classes Podzólico Vermelho Amarelo e Cambissolo que compreendem solos minerais, não hidromórficos, abrangendo solos pouco profundos a muito profundos; e Gleissolos Pouco Húmico. (EMBRAPA, 2004). O solo das encostas de morro pode atingir várias espessuras – muito raso em certos locais e muito profundo em outros. Se for espesso e poroso, a água infiltra com facilidade e o solo se encharca rapidamente, como a rocha abaixo do solo é pouco permeável, a água segue seu caminho preferencial acima dela formando uma zona lubrificada que favorece o escorregamento do solo. (AUMOND et al., 2009 apud COMITÊ DO ITAJAÍ, 2010).

Diagnóstico da Caracterização Biológica

O Vale do Itajaí foi colonizado, a partir de Blumenau, principalmente por agricultores alemães e italianos e, em menor proporção, por poloneses e portugueses. Vindos da Europa na década de 1850 e acostumados a clima, vegetação e solo totalmente diferentes, instalaram-se às margens do rio Itajaí-Açu. O modelo agrícola adotado na região, não respeitava as áreas de preservação permanente e era baseado no desmatamento e posterior queimada, além de não haver nenhum controle da erosão. Na metade do século XX foram introduzidos adubos químicos e agrotóxicos, o que reduziu drasticamente a cobertura florestal, a fertilidade dos solos e a qualidade das águas. (APREMAVI).

Condicionada a precipitação intensa na área das serras litorâneas e da Serra do Mar, ocorre a Floresta Ombrófila Densa, ou Floresta Pluvial da Encosta Atlântica. Sua cobertura florestal é formada predominantemente por vegetação secundária em estágio avançado e médio de sucessão, que se desenvolveu após décadas de exploração. Essa vegetação se caracteriza por árvores que podem chegar até 35 m de altura, formando um dossel de densas copas, entremeada com arvoretas, arbustos e ervas. Pode-se destacar as espécies canjerana, tanheiro, canela-preta, laranjeira-do-mato, peroba, licurana, dentre outras. (LAPS; SEVEGNANI; SCHROEDER, 2013).

Na região do Vale do Itajaí, devido a sua altitude, ainda pode-se classificar a vegetação da Floresta Ombrófila Densa com submontana (altitudes entre 30 e 400 m). Nesta faixa de altitude, se destaca o palmiteiro, coqueiro-gerivá, xaxins, garajuva, camboatá-branco, dentre tantas outras.

Com relação a fauna presente nessa região fitogeográfica, os animais não são exclusivos de apenas uma formação, pois se deslocam por grandes áreas. Algumas espécies como a onça-pintada e a anta, estão praticamente extintas em Santa Catarina. Outras estão presentes, como: leão-baio, jaguatirica, tatu-galinha, cutia, tamanduá-mirim, gambá, bugio-ruivo, macaco-prego e morcegos. As aves são de uma riqueza grande, com funções ecológicas muito importantes. Podem-se destacar dentre esse grupo o macuco, inhambu, jacu-açu, tucano-de-bico-verde, aracuã, gavião-carijó, entre outros. (LAPS; SEVEGNANI; SCHROEDER, 2013).

Nas margens dos rios, nas chamadas matas ciliares, podemos ressaltar que quando preservados, esses locais fornecem habitat, abrigo e alimento para diversos animais e funcionam como corredores de dispersão, sendo importantes na manutenção de populações de diversas espécies da fauna. (JOHNSON; SARAIVA; COELHO, 1999).

Diagnóstico da Caracterização Socioeconômica

O município de Benedito Novo, confrontante com os municípios de Timbó e Rio dos Cedros, teve seus recursos naturais como primeira fonte de riqueza econômica do município. A madeira nativa foi explorada durante muitos anos para construção civil, fabricação de móveis, produção de carvão vegetal, dentre outros. Após a implantação de leis ambientais mais rigorosas, a indústria madeireira buscou adaptar-se usando madeira reflorestada (pínus e eucalipto) plantada de forma crescente no próprio município. (IBGE, 2010, 2015; PREFEITURA MUNICIPAL DE BENEDITO NOVO, 2014).

Atualmente, além das madeireiras, há empresas de diversos ramos atuando, como a indústria têxtil, as fábricas de papel e papelão, granitos e emborrachados, sendo algumas reconhecidas nacionalmente. Referente ao uso do solo neste município, destacam-se as plantações de arrozais e a pastagens e a extração de produtos advindos da silvicultura. Na região onde se pretende criar a UC, predominam pequenas propriedades rurais que realizam agricultura de subsistência e pequena comercialização de excedentes, além da pecuária para consumo próprio. Além do turismo ecológico, muito desenvolvido nesta área. Dentro da área delimitada, também se encontram áreas de pastagens e algumas espécies exóticas. (IBGE, 2014; PREFEITURA MUNICIPAL DE BENEDITO NOVO, 2014).

PROGNÓSTICO

Potencialidades da área

A área do Salto do Zinco se caracteriza pela beleza cênica e natureza exuberante. Possui uma riqueza de componentes da fauna e da flora de grande interesse ecológico e é especialmente conhecida por seus recursos hídricos, em especial o “salto”, onde a preservação integral de seu entorno é essencial para garantir sua qualidade e saúde ambiental. O mirante e a trilha de acesso a parte baixa da cachoeira são ótimos atrativos, que podem ser ainda mais explorados.

Além disso, a área recebe grande quantidade de turistas, especialmente interessados no turismo ecológico e nas atividades relacionadas a este modelo. Também faz parte do circuito de cicloturismo do Vale Europeu, fator que atrai turistas de outras regiões e torna a região ainda mais atrativa. (PREFEITURA MUNICIPAL BENEDITO NOVO; POUSADA CAMPO DO ZINCO, 2017).

O entorno da UC, e toda a região rural do município de Benedito Novo oferece muitas oportunidades em relação ao turismo ecológico e rural, pois esta área é dotada de muitos atributos naturais e históricos. A criação do Parque potencializará a região, juntamente com a exploração destas oportunidades, o que pode contribuir ao desenvolvimento regional e possibilitar geração de renda para as famílias do entorno.

Fragilidade e potenciais conflitos

Dentre as principais fragilidades e possíveis conflitos internos que podem surgir na Unidade de Conservação Parque Municipal Salto do Zinco, deve se considerar o fato da propriedade ser privada, o que pode gerar conflitos de interesse entre o governo municipal e os proprietários, uma vez que a área segue sendo explorada turisticamente. Outro ponto é a existência de muitas áreas de pastagens dentro da delimitação do Parque e também a grande demanda de visitação na UC, devido ao acesso excessivo de veículos ou visitação desornada, considerando que é uma área muito conhecida e procurada por diversos tipos de público (famílias, ciclistas, pessoas para acampar, etc). Não se pode deixar de mencionar os aspectos relacionados à segurança, uma vez que existe a possibilidade de se aproximar da cachoeira, e também descer até a parte baixa desta, além do mirante existente, os quais exigem grande planejamento e cuidados de segurança.

Com relação aos fatores externos que podem influir de maneira negativa na UC, se pode citar novamente o aumento do fluxo de veículos em função da visitação ao Parque, fator agravado devido a infraestrutura precária das estradas de acesso. Também influem no Parque a existência de espécies exóticas no entorno e as práticas agropecuárias. Além disso, a educação ambiental é pouca ou inexistente com a comunidade do entorno, ponto chave no planejamento estratégico da UC, que se revertido, pode beneficiar o Parque melhorando a qualidade ambiental do entorno.

ALTERNATIVAS

Após realizar o diagnóstico da área e identificar as principais potencialidades e fragilidades, é possível pontuar as alternativas de planejamento e gestão mais adequadas ao Parque. Um dos pontos de maior destaque é com relação a situação da área. Por ser privada, necessita de uma negociação com o atual proprietário, nesta negociação pode ser que o município compre a área ou indenize o proprietário, ou também pode ser realizado um Termo de Ajustamento de Conduta ou uma compensação, na qual o proprietário pode receber uma outra área em outro local ou alguma outra negociação. Este tipo de processo não é usual, porém poderia ser aplicado, de acordo com a decisão do proprietário.

Sobre as questões relacionadas ao uso da área, em relação à existência de pastagens dentro da área o que se sugere é a retirada dos animais imediatamente e a elaboração de uma Plano de Recuperação de Áreas Degradadas de forma a recuperar esta área com vegetação nativa. Nos pontos do entorno onde foram identificadas áreas com espécies exóticas e práticas agropecuárias, se sugere melhorar o número de espécies nativas plantadas nos limites do Parque, de forma a criar uma espécie de cinturão verde com espécies nativas que vai fortalecer a área e reduzir os possíveis impactos que essas áreas poderiam causar. Análises de qualidade da água periódicas também são indicadas para monitorar a qualidade da água nas regiões à montante e à jusante da UC.

Sobre todos os pontos relativos à infraestrutura, investimentos são extremamente necessários para garantir um bom uso da área. É de grande importância instalar grades de segurança em toda área de mirante da cachoeira e também instalar corrimões e fazer algumas melhoras na trilha de acesso a parte baixa da cachoeira, em pontos mais críticos, de modo a evitar qualquer tipo de acidente e facilitar o acesso dos visitantes. As estradas de acesso ao Parque e também as estradas internas precisam de manutenções frequentes. É aconselhável que se mantenham as estradas de terra para não modificar muito a estrutura mais natural do Parque, porém em pontos críticos do acesso, pode ser colocado algum tipo de macadame para melhorar as condições. A preparação de uma área de estacionamento e cancela para controle de veículos também seria muito beneficiosa para a gestão dos veículos. Instalação de uma pequena estrutura para alojamento, com banheiros, bebedouro e lixeiros, além de informações sobre o Parque e sobre a área. Esta área pode ser utilizada por um “caseiro” nos finais de semana, quando são realizados acampamentos programados no local.

Para as regras e normativas do Parque existem algumas sugestões: limitação de número de veículos de acordo com a capacidade da área, estabelecimento de horário de funcionamento para o Parque: terça-feira à domingo, de 09h às 18h, estendendo-se até as 19h em horário de verão. Como já mencionado, restringir o acampamento para grupos ou pessoas com agendamento prévio, apenas nos finais de semana (Sexta à domingo), onde haverá um caseiro de plantão. Instalação de placas e avisos em toda área do parque relacionadas ao cuidado com o mesmo, conscientização sobre resíduos e segurança, placas informativas sobre o caminho da rota de ciclo turismo, entre outras informações importantes e pertinentes. Também deve-se proibir a realização de fogueiras, cortar árvores, plantar qualquer tipo de vegetação, alimentar os animais, caçar e outras atividades que possam causar danos ao meio ambiente.

Se planteia também uma proposta de educação ambiental em parceria com as escolas do município, realizando aulas práticas e lúdicas na UC, abordando temas diversos sobre preservação da natureza, ecologia e servindo de apoio para disciplinas da grade curricular. Trabalhos de educação ambiental também com aos moradores da região, através de encontros e também a realização de eventos como caminhadas ecológicas, entre outras.

AVALIAÇÃO E CONCLUSÕES

Com base em todas as informações levantadas sobre a área e avaliando todas as possíveis alternativas, se identificou uma série de pontos de grande relevância que deverão ser adotados para criação e concepção da Unidade de Conservação.

A Unidade será caracterizada como Parque Municipal, dentro da categoria de Proteção Integral; A proposta prioritária é a de compra da área, porém pode-se considerar outros acordos se as primeiras negociações não derem resultados; Está proibida a presença de animais domésticos e também animais não silvestres; Proibido fazer fogueiras, cortar árvores, alimentar animais, jogar resíduos nas áreas do Parque, plantar qualquer tipo de vegetação, realizar atividades de caça ou qualquer outra atividade que não esteja de acordo com as premissas da Unidade de Conservação ou que possa danificar a natureza e causar desequilíbrios ao ecossistema do Parque.

Deverá ainda ser realizado um diagnóstico preciso da qualidade da vegetação existente na área, com propostas de revegetação e retirada de espécies exóticas, se for necessário, além da elaboração de um PRAD para as áreas de pastagem e o plantio de árvores nativas na área de amortecimento (entorno); Deverão ser realizadas análises semestrais de qualidade da água à montante e à jusante da área do Parque, em pelo menos 04 pontos de modo que possa se estabelecer um avaliação periódica sobre a mesma para o uso da população local.

Em tempo, o Parque terá uma sede pequena, com uma estrutura básica de alojamento para um caseiro e banheiros, bebedouros e lixeiras adequados a quantidade de visitantes estimada; Deverá ser realizada uma estrutura de mirante da cachoeira com guard rail de proteção; Melhoria da trilha de acesso a parte baixa da cachoeira e instalação de corrimões ou pontos de apoio em pontos mais críticos; Manutenção bimestral das estradas internas do Parque e trimestral das estradas externas de acesso ao Parque, com a colocação de macadame ou outro material terroso adequado e menos agressivo possível; Delimitação e limpeza de uma área destinada a camping, estacionamento de veículos (já sem vegetação), além da colocação de uma cancela em local estratégico para limitar o acesso dos veículos às áreas de circulação de pessoas.

Entende-se que o horário de funcionamento do Parque deverá ser de terça-feira a domingo, de 09h às 18h, estendendo-se até as 19h em horário de verão. Esta proposta de horário prima pelo equilíbrio socioambiental da comunidade e das espécimes vegetacionais e faunísticas do Parque; Proposição de regras específicas para acampamento de modo que este possa ser benéfico a população e ao meio ambiente. A intenção é de fazer com que as pessoas se sentam integrantes ao meio ambiente e não à parte dele. Como proposição restringe-se para pessoas ou grupos que agendem previamente, pelo menos 1 semana, e apenas permitido nos finais de semana (Sexta a domingo) ou feriados; Contratação mínima de dois “caseiros” ou pessoas responsáveis por cuidar do Parque em seu horário de funcionamento e também no finais de semana com eventos ou acampamentos; Confecção e instalação de placas de aviso e recomendações sobre o uso correto do Parque e suas regras, ressaltando temas como preservação, descarte de resíduos, segurança, tratativa com animais silvestres, informações sobre cicloturismo e também sobre o Parque de maneira geral.

Por fim salienta-se que através de parceria com as escolas do município, o Parque deverá receber periodicamente alunos do ensino fundamental para aulas de educação ambiental formal, incluindo-a outras disciplinas da grade curricular acadêmica; O Parque também será responsável por realizar campanhas de educação ambiental com os moradores do município e especialmente os moradores das áreas do entorno do parque sobre temas diversos. Eventos de conscientização e oficinas de interesse geral também devem ser realizados de maneira periódica e para isso propõem-se parcerias com ONGs e/ou o sistema de ensino público estadual ou municipal.

8. REFERÊNCIAS

AUMOND. J. Geologia, Geomorfologia e Solos. Observatório Do Desenvolvimento Regional, FURB. Disponível em: <16TTP16://jcientifico.files.wordpress.com/2009/11/geologia-morfologia-e-solos.pdf> Acesso em: 15/11/2017.

CAMPO DO ZINCO. Pousada Campo do Zinco. Disponível em: <http://www.campodozinco.com.br/> Acesso em: 20/11/2017.

COMITÊ DA BACIA DO ITAJAÍ. Plano de recursos hídricos da Bacia do Itajaí. Documento síntese, 2010. Disponível em: <http://srv2.lemig.umontreal.ca/donnees/Projet%20Bresil/dados/3%20vale/plano%20bacia%20itajai%20doc_sintese%202010.pdf> Acesso em: 15/11/2017.

EMBRAPA. Solos do Estado de Santa Catarina. ISSN 1678-0892. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, número 46. Dezembro, 2004.

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Parques e Unidades de Conservação. Disponível em: <http://www.ambiente.sp.gov.br/ambiente/parques-e-unidades-de-conservacao/> Acesso em: 20/11/2017.

IBAMA. Roteiro Metodológico de Planejamento: Parque Nacional, Reserva Biológica, Estação Ecológica. 136 p. 2002.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Benedito Novo. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=420220&search=santa-catarina|benedito-novo>Acesso em: 16/11/2017.

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Unidades de Conservação. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/areas-protegidas/unidades-de-conservacao> Acesso em: 20/11/2017.

PREFEITURA MUNICIPAL DE BENEDITO NOVO. Hidrografia. Disponível em: <http://www.beneditonovo.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/49942> Acesso em: 15/11/2017.

______. Características Físicas. 2014. Disponível em: <http://www.beneditonovo.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/49941> Acesso em: 15/11/2017.

______. Município. 2014. Disponível em: <http://www.beneditonovo.sc.gov.br/municipio/index/codMapaItem/19973> Acesso em: 15/11/2017.

______. Turismo. Disponível em: <http://beneditonovo.sc.gov.br/turismo/item/detalhe/1257> Acesso em: 15/11/2017.

SEVEGNANI, L.; SCHROEDER, E. Biodiversidade catarinense: características, potencialidades e ameaças. Blumenau: Edifurb, 2013.

1Engenheira Ambiental, graduada no Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Indaial, SC jessika.jessi@hotmail.com

2 Prof. Msc. do Curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, Indaial, SC, gregorio.simone@uniasselvi.edu.br

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/11/2018

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Um comentário em “Unidade de Conservação Ambiental como um Instrumento do Planejamento Ambiental Urbano: Parque Natural Municipal Salto do Zinco – Benedito Novo, SC, por Jéssica Vandal e Gregorio Carlos De Simone

  1. Um dado que acho de extrema importância em planejamento ambiental e que foi suprimido no texto, é a extensão da unidade de conservação que está sendo proposta. Isso interfere de forma significativa,na gestão, investimento e manutenção da unidade. Como o texto sugere a contratação de apenas “Caseiros” para cuidar da unidade, sugere-se que seja uma área de pequeno porte. Ficou esta dúvida, pois em uma área de extensão maior, se faz necessário a contratação de equipes multidisciplinares para a gestão eficiente, técnica e profissional da mesma.

Comentários encerrados.

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