O perigo da ingestão de antidepressivos com outros medicamentos, artigo de Mario Louzã

 

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[EcoDebate] Nos tempos difíceis de hoje, em que as pessoas estão mais suscetíveis ao aumento da ansiedade e até à depressão, o consumo de antidepressivos aumentou consideravelmente. De acordo com estudo da IQVIA, empresa norte-americana de auditoria e pesquisa de mercado farmacêutico, entre julho de 2013 e junho de 2014, o número de vendas de antidepressivos e estabilizadores de humor era de quase 47 milhões de comprimidos, enquanto entre julho de 2017 e junho de 2018 a venda foi de quase 71 milhões.

O grande perigo é que, além de muitos antidepressivos e/ou ansiolíticos causarem dependência química ou psicológica, muitos consumidores fazem uso concomitante a outros remédios, sem orientação médica ou mesmo sem comunicar ao seu profissional de saúde. E a interação de antidepressivos com determinados medicamentos pode representar uma verdadeira bomba-relógio no seu organismo.

Tomamos como exemplo os antifúngicos, usados para tratamento de micoses como pé de atleta, dermatofitoses, candidíase, infecções sistêmicas como meningite, entre outros. A terapia envolvendo os antifúngicos imidazólicos fluconazol ou cetoconazol, concomitantemente ao escitalopram, um antidepressivo inibidor seletivo de recaptação da serotonina (isrs), pode resultar no aumento dos efeitos colaterais deste.

Isso acontece porque o escitalopram é um substrato da cyp450, e tanto o fluconazol como o cetoconazol inibem esta enzima. Com a ingestão dos dois medicamentos, o paciente pode ter náusea, vômitos, constipação, diarreia, dor abdominal, redução da libido, insônia, sonolência diurna, aumento da sudorese, entre outros. No caso da interação do antidepressivo com o antifúngico imidazólico, é raro que haja necessidade de reduzir a dose do antidepressivo.

Neste caso, o médico responsável pela prescrição do antidepressivo deve verificar a necessidade de ajustar a dose do medicamento e/ou monitorar periodicamente a eficácia e os efeitos colaterais dos antidepressivos, especialmente no início do tratamento. Daí a importância de deixar o médico a par de todas as medicações que estão sendo usadas pelo paciente.

Por Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha. Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (CRMSP 34330)

 

Colaboração de Flávia Vargas Ghiurghi, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/09/2018

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