Pássaros pequenos são importantes para manter a floresta, mas não substituem grandes aves, diz pesquisa

 

UNESP

 

A jacutinga é a maior ave que dispersa sementes da Mata Atlântica. Foto: Pedro Jordano
A jacutinga é a maior ave que dispersa sementes da Mata Atlântica. Foto: Pedro Jordano

 

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP-Rio Claro) e do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC-Sevilha, Espanha) mostra que as transformações do ambiente pelo homem podem estar afetando gravemente as interações ecológicas que mantêm a floresta em pé. A redução da floresta à fragmentos florestais pode levar ao isolamento das espécies que realizam funções ecológicas importantes, como a dispersão de sementes. A longo prazo, além da perda de diversidade biológica, a estrutura da floresta pode ser modificada, afetando negativamente outros processos, como o sequestro de carbono da atmosfera que tem implicações diretas na qualidade de vida das pessoas. O estudo está publicado na revista Ecology Letters.

Usando uma nova metodologia para entender a forma com que as espécies de aves e plantas interagem, os pesquisadores encontraram que a dispersão de sementes pequenas nas matas isoladas e pequenas são realizadas apenas por pequenas aves. Por outro lado, a dispersão de sementes grandes por frugívoros grandes está restrita a grandes florestas com mais 10.000 ha, ou seja, mais de 10 mil campos de futebol.

Estas associações entre aves e sementes pequenas são as mais encontradas entre os fragmentos de mata, e podem realizar o papel importante de interligar os remanescentes florestais, evitando os efeitos negativos do isolamento das espécies. No entanto, estas interações são apenas parte do processo de dispersão de sementes e não substituem as funções ecológicas desempenhadas por aves grandes que dispersam sementes grandes, mas que ocorrem apenas nos ambientes de mata mais preservada. A longo prazo, essa substituição de tamanhos de aves e sementes em ambientes mais degradados pode levar a modificação da floresta como conhecemos.

“Chegamos a um limite onde a discussão entre conservar poucos fragmentos grandes ou muitos pequenos na Mata Atlântica torna-se obsoleta pois cada fragmento, mesmo pequeno, contém interações ecológicas únicas” comenta a pesquisadora Carine Emer, que liderou o estudo.

“As aves grandes, como jacutingas e tucanos de bico preto ou araçaris, são insubstituíveis na natureza” argumenta Mauro Galetti, professor do Departamento de Ecologia da UNESP e co-autor do artigo. “Fizemos o maior banco de dados de interações entre pássaros e plantas na Mata Atlântica e apesar de muito ainda para ser feito, estamos encontrando padrões claros que podem nos ajudar a restaurar melhor nossas florestas” comenta Galetti.

O estudo teve amplo financiamento da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Emer, Carine, Galetti, Mauro, Pizo, Marco A., Guimarães Jr., Paulo R., Moraes, Suelen, Piratteli, Augusto & Jordano, Pedro (2018). Seed-dispersal interactions in fragmented landscapes – a metanetwork approach. Ecology Letters, DOI: 10.1111/ele.12909.

 

Da UNESP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/02/2018

 

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