Panettones no mercado, artigo de Montserrat Martins

 

artigo de opinião

 

[EcoDebate] Chegaram panettones no mercado aqui da esquina, me dei conta que acabou o ano, 2017 já era. Ao fim de outubro o comércio mira o Natal, as pessoas as férias e os desempregados os ‘bicos’ de fim de ano e verão.

Em 2017 não vai acontecer mais nada, nem que o Temer baixe de 0% de popularidade, nem que o Aécio seja flagrado de novo, o Congresso já decidiu que o STF não vale nada e ficou por isso mesmo.

O que você pensa de 2017, o que as pessoas que você conhece acharam? Pareceu um ano muito estranho, surreal, pois nunca soubemos tanto e fizemos tão pouco; nunca vimos tantas malas de dinheiro, apartamentos abarrotados de milhões, e os políticos ainda “livrando a cara” dos seus pares na “cara dura”.

Como foi sua vida pessoal? A maioria das pessoas não recobraram seus empregos, não que eu saiba, nem que tenha saído no noticiário. Não há retomada do emprego ainda, mesmo com o discurso oficial de “retomada da economia”.

Não lembro de uma decisão do STF ser descumprida pelo Congresso, alguém lembra? Falamos tão mal da ditadura militar, mas não estamos numa ditadura parlamentar? Nem o sistema constitucional eles respeitam mais, eis que só o Supremo tem a função de interpretar e aplicar a Constituição, e o Senado agora diz que há uma “nova interpretação”, com o que livraram o Aécio.

Como foi sua vida afetiva em 2017? Tomara que tenha sido feliz, na sua vida pessoal e íntima, pois na vida social a sensação coletiva dos brasileiros é de desânimo e revolta. Até 2016 tudo parecia ter consequências, quando Eduardo Cunha foi preso, depois do impeachment da Dilma. A lei finalmente valeria para todos, de todos os partidos? Pois em 2017 as denúncias foram ainda mais fortes, foi o ano das malas de 500 mil reais por semana que um deputado pegava para ele e Temer, que 51 milhões foram encontrados no apartamento do Gedel, que as gravações do Aécio foram explícitas sobre seus crimes, mas não caiu o presidente nem o presidenciável.

2017 foi o ano em que o Gilmar Mendes zombou de nós, não se declarando impedido de julgar seus amigos, mandando às favas não só à modéstia, como ele admitiu, mas mandando às favas quaisquer escrúpulos de imparcialidade. Começou ali a desmoralização do STF, que terminou com a decisão do Senado agora em outubro de descumprir o afastamento do Aécio.

“Azar no jogo, sorte no amor”, diz uma superstição popular. Se a política fosse um jogo, todos nós estaríamos muito bem amados, porque em 2017 o governo e os políticos nos fizeram de bobos e nós não fizemos nada – e o MBL hoje só briga com artistas. “Depois da bonança vem a tempestade”? Será que 2018 será ano de mudar?

 

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2017

[cite]

 

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