Tique, TOC ou simplesmente hábito?

 

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Lavar demais as mãos, roer unhas, balançar na cadeira, arrumar a roupa pelas cores. Até que ponto os hábitos podem se transformar em TOC?

Ao longo da vida acumulamos certos comportamentos e gestos que podem ser fruto das nossas experiências e personalidade. Entretanto, esses trejeitos podem também ser sinais do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou ainda de um tique.

Mas, afinal, como identificar se é apenas uma mania ou se é um distúrbio psiquiátrico?

Segundo Fernanda Queiroz, psicóloga, neuropsicóloga e cofundadora da Estar Saúde Mental, há várias diferenças entre simples hábitos cotidianos e os comportamentos de quem tem o diagnóstico do TOC ou de tique. “Os hábitos surgem como reações ou comportamentos que criamos para aliviar a tensão, a ansiedade ou simplesmente porque de alguma maneira nos fazem bem. Nesta categoria podemos incluir mexer no cabelo, balançar os pés, estalar os dedos, arrumar os óculos, organizar nossas roupas por cores, etc. Essas manias são voluntárias, portanto podemos controlá-las quando desejamos,”, explica Fernanda.

“Já o tique ou o TOC merecem mais atenção. O tique é um padrão de comportamento repetitivo e involuntário. Costuma surgir na infância ou na adolescência e raramente na idade adulta. Os tiques são movimentos involuntários, rápidos, repetitivos e sem propósito. Quando realizados oferecem uma sensação de alívio e não temos controle sobre eles. Como exemplos podemos citar piscar os olhos, mexer os ombros, morder os lábios, coçar a garganta, emitir sons estranhos, atirar objetos, repetir certas palavras, entre outros”, afirma a psicóloga.

Em geral, o tique está associado a condições de ansiedade e estresse, assim como a mudanças repentinas na rotina. Quando o tique não desaparece, é preciso investigar. Ele pode estar ligado a diversas condições, como Autismo, Deficiência Intelectual, como efeito colateral de alguns medicamentos e à Síndrome de Tourette.

Quando pode ser TOC?

“O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é caracterizado por pensamentos intrusivos (obsessivos) e/ou por comportamentos ou pensamentos compulsivos e recorrentes. Em geral, esses pensamentos ou ações surgem para dar alívio às obsessões. Um bom exemplo é quando a pessoa acredita que precisa lavar a mão pelo menos 10 vezes para evitar se contaminar com alguma bactéria. Além disso, essa pessoa pode evitar apertos de mão ou colocar a mão em corrimãos ou outras superfícies públicas, o que chamamos de comportamento de esquiva”, diz Fernanda.

“No TOC também é comum a presença de pensamentos distorcidos, exagerados e supervalorizados. A pessoa só consegue se livrar deles quando realiza seus rituais”, comenta a psicóloga. Embora o tique seja diferente do TOC, em cerca de 30% dos casos eles aparecem juntos, ou seja, a pessoa acumula as duas condições. Além disso, mais da metade dos pacientes diagnosticados com TOC tem algum outro transtorno psiquiátrico, como depressão, ansiedade e fobias.

Quando procurar ajuda

É importante entender que todos temos alguns rituais e pensamentos, mas isso não significa um diagnóstico. O que vai diferenciar hábitos ou manias do TOC é a relevância desses pensamentos e comportamentos na vida cotidiana e o quanto interferem na vida funcional da pessoa. “Isso quer dizer que só é TOC quando a presença dos comportamentos e pensamentos é constante e interfere no trabalho, nos estudos, na vida social, ou seja, no funcionamento do indivíduo”, diz Fernanda.

O tratamento do TOC inclui medicamentos e psicoterapia. Hoje, a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) é eficaz em 70% dos pacientes, sendo o tratamento de primeira escolha quando há predominância de rituais e sintomas de intensidade leve a moderada.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/07/2017

 

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