Comer em excesso também é considerado uma forma de dependência

 

saúde

 

Chocolate, hambúrguer, pizza, queijo e sorvete são alguns dos alimentos altamente “viciantes”, segundo estudo

Poucas pessoas sabem que comer pode gerar dependência, assim como fazer uso de drogas ilícitas, fumar cigarros ou consumir álcool. Mas, você sabe por que isso acontece? Alimentos ricos em açúcares e gorduras ativam uma área do cérebro chamada “sistema cerebral de recompensa”. Trata-se de uma rede complexa de neurônios que é estimulada quando fazemos algo que gera prazer.

Segundo Carolina Marques Pellegrini, psicóloga e neuropsicóloga, a função biológica do sistema de recompensa é garantir a sobrevivência da nossa espécie e, para isso, ela nos garante a motivação para comer, beber e nos reproduzir, por exemplo.

“Entretanto, esse sistema também é ativado quando consumimos alimentos muito processados como: pizza, chocolate, sorvetes e batata frita, entre outros. O prazer gerado é imediato e muito rápido, desta forma, para sentir novamente a mesma sensação, a tendência é repetir os comportamentos, ou seja, consumir compulsivamente alimentos gordurosos e doces”, explica Carolina.

Uma pesquisa recente, publicada na revista “PlosOne” revelou que os alimentos processados, como biscoitos, embutidos, refrigerantes e sorvetes, podem gerar no cérebro uma resposta semelhante a de quando consumimos álcool ou nicotina, justamente por ativarem o sistema de recompensa, podendo levar ao desenvolvimento do “vício” alimentar.

Comida pode ser válvula de escape

“Quando a pessoa é obesa ou apresenta alguma compulsão alimentar, é sempre interessante avaliar como estão as emoções. Descartando os problemas físicos que podem gerar a obesidade, é preciso investigar qual o papel a comida ocupa na vida da pessoa”, diz a psicóloga.

Carolina explica que a relação do ser humano com a comida começa ao nascimento. “O primeiro sistema de recompensa que temos contato é a amamentação. O leite materno alivia o desconforto, a fome e acalma o bebê. E é assim que se forma a relação “comida-emoção”. Esse é um processo natural e que dura o tempo necessário até que sejam desenvolvidas as habilidades para lidar com os sentimentos de frustração, ansiedade, medo, etc.”.

“Entretanto, quando a pessoa não tem esses recursos bem desenvolvidos, pode usar a comida como uma maneira de aliviar desconfortos emocionais com os quais não consegue lidar. Esse comportamento fica programado no cérebro, impactando na dificuldade em perder peso ou até mesmo de mantê-lo”.

“Nestes casos a psicoterapia é fundamental, pois irá auxiliar no desenvolvimento de outras estratégias, mais saudáveis, para lidar com os sentimentos e situações que levam a dependência de certos alimentos. Na terapia, por exemplo, é possível investigar quais são os gatilhos que causam a compulsão e atuar especificamente neles”, afirma Carolina.

Colaboração de Leda Sangiorgio, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/02/2017

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate, ISSN 2446-9394,

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Top