Butantan alerta que ataques de cobras e escorpiões aumentam no verão

 

Na natureza, não há vilões, mas escorpiões, assim como as serpentes, costumam “aprontar” em épocas de forte calor e chuvas intensas

Da Rádio USP

Acompanhe a entrevista da jornalista Simone Lemos com o diretor médico do Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan, Carlos Roberto de Medeiros:

 

Escorpião
Escorpião
Foto: Visualhunt

Nesta época do ano, de forte calor e muita chuva, aumentam os casos envolvendo ataques de animais peçonhentos, principalmente escorpiões e serpentes. Na verdade, acidentes provocados por escorpiões são relativamente comuns, chegando a mais de 90 mil por ano. A picada desse aracnídeo provoca forte dor no local, pode apresentar sudorese e um certo vermelhidão. Todavia, em mais de 95%, os casos de picada restringem-se à dor e evoluem de forma benigna. Ocorre, porém, que uma porcentagem mínima (em torno de 3% a 5%) das pessoas pode desenvolver um quadro mais grave, apresentando desde sintomas como náuseas, vômitos, sudorese profusa até acometimento cardiorrespiratório, levando à edema aguda de pulmão e choque, não raro resultando em morte.

Por isso, o melhor a fazer em caso de picada de escorpião é a pessoa atacada passar algumas horas em observação em um hospital, a fim de que se possa observar  sua evolução e se haverá necessidade de administrar o soro específico para esse caso. A orientação é do diretor médico do Hospital Vital Brazil do Instituto Butantan, Carlos Roberto de Medeiros. Ele lembra que a preocupação maior deve ser com as crianças, particularmente vulneráveis aos efeitos dos ataques dos escorpiões (60% das vítimas fatais situam-se na faixa etária abaixo dos 14 anos).

Em relação aos acidentes com serpentes, 90% deles – diz o médico – são causados por jararacas, uma espécie particularmente agressiva, cujo veneno provoca um processo inflamatório local e interfere na coagulação do sangue, levando a sangramentos. O doutor Medeiros diz que não se deve amarrar o local da picada, nem cortar ou furar na tentativa de extrair o veneno, pois são ações que, além de não ajudar em nada, podem levar a complicações. O ideal, diz ele, é manter a calma e lavar o local com água e sabão, antes de procurar o auxílio médico mais próximo para que ao indivíduo seja administrado o soro antiofídico.

Quanto mais tempo o paciente passar sem atendimento, mais graves serão as consequências dos efeitos do veneno no organismo, daí a importância de um auxílio médico rápido e eficiente. O Hospital Vital Brazil, que está situado dentro do Instituto Butantan, é especializado no atendimento a pacientes picados por animais peçonhentos. Funcionando ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana, o HVB mantém um serviço de pronto-atendimento e dispõe de dez leitos para observação e/ou internação.

 

Da Rádio USP, in EcoDebate, 06/01/2017

 

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