Cartão de crédito: suicídio financeiro

 

Cartão de crédito. Foto: Divulgação/ProTeste

 

O Governo Federal anunciou com ênfase a proposta que contém medidas com o objetivo de baixar os juros dos cartões de crédito. Pelo que foi veiculado até o momento, há dois pontos principais: o limite de utilização do crédito rotativo à 30 dias, e, após esse período, disponibilização de alternativas de financiamento para o valor devido e não pago.

Não é possível negar que as taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito conduzem o consumidor a um verdadeiro suicídio financeiro, pois ultrapassam 400% ao ano. Mas será que essas medidas, por si só, realmente auxiliarão os usuários, como se supõe?

Para a especialista Thaís Cíntia Cárnio, professora de Direito do Consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em termos fáticos, a limitação de prazo aumenta a possibilidade de que as dívidas transformem-se em uma gigantesca bola de neve, composta, em grande parte, pelos juros. “O que realmente falta ao consumidor é a clara abordagem quanto às regras do jogo: quanto mais fácil o acesso ao crédito, maior a taxa de juros. Basta comparar o que é cobrado nos complexos empréstimos de financiamento imobiliário. Após a entrega de uma pilha de documentos e o cumprimento de dezenas de requisitos, temos algo em torno de 11% ao ano. Muita diferença!”.

A professora lembra ainda que é que a falta de educação financeira transforma consumidores em vítimas da fugaz alegria de adquirir um objeto de desejo tão ansiado, e tão parcelado… Isso aliado ao incentivo das lojas âncoras ao pagamento parcelado de compras em seis, sete, até dez vezes.

A proposta não é ruim, mas é insuficiente. Um bom começo seria o estabelecimento da obrigatória e didática explicação do funcionamento do crédito quando da disponibilização do cartão. Na prática, o que se vê é a entrega impensada desse meio de pagamento, sem adequada análise de crédito e, principalmente, sem a devida preparação do cliente para utilizá-lo.

in EcoDebate, 03/01/2017

 

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2 comentários em “Cartão de crédito: suicídio financeiro

  1. Enquanto o Governo “cuida” do que não é da sua conta, as suas obrigações constitucionais vão ficando à deriva. Cada cidadão que se preocupe e resolva os seus problemas, sem a interferência estatal. O Estado Incompetente de nada servirá interceder. Os juros são estabelecidos conforme os riscos que os empréstimos signifiquem para os financistas. É lei do mercado.

  2. Concordo com a Elisa. Os juros são estabelecidos conforme os riscos dos empréstimos. Se estão sendo cobrados juros de 400% ao ano, contra uma inflação de 6,5% ao ano, é porque o risco desse tipo de empréstimo é enorme. Por que é tão grande assim?
    Isso se deve à massa salarial da população que, não obstante ser muito baixa, vem diminuindo. Com baixos salários, a população tem duas alternativas: consumir menos ou se endividar. No primeiro caso, os reflexos sobre o desemprego são imediatos. No segundo, a consequência é o aumento da inadimplência, o que se reflete em maiores taxas de juros, daí os juros astronômicos do cartão de crédito.

Comentários encerrados.

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