Somos reféns da polarização? artigo de Montserrat Martins

 

artigo de opinião

 

[EcoDebate] “Numa guerra, a primeira vítima é a verdade”, já se sabe desde Ésquilo, o grego. Isso vale também para as guerras nas redes sociais, como ocorre hoje em dia. Um ministro se demite acusando outro, vários são investigados na Lava Jato, esse governo está enrolado em denúncias sobre corrupção, isso significa que o governo anterior está absolvido? Se trata, afinal, de uma competição sobre qual “dos males, o menor?” Se nos deixarmos levar pelas brigas diárias nas redes sociais, somos “forçados” a tomar partido acusando um lado e defendendo o outro.

Qual o benefício, seja moral ou emocional, de tomarmos partido na guerra entre defensores do governo atual e do anterior, nas redes sociais? Será mesmo que temos de escolher um lado? Paremos para pensar um pouco, resistindo às pressões para apoiar ou o governo atual, ou o anterior, será que não podemos manter nossa independência de opiniões?

Temos, afinal, de nos definirmos como “direita” ou “esquerda”, ou será possível sermos a favor da democracia, da civilidade e do “espírito republicano”, no sentido de zelar pela “res publica”, a coisa pública?

Vejamos, afinal, o “menu” de posições políticas que os defensores da polarização nos oferecem. Por um lado, um Congresso de maioria conservadora e altamente corporativista, que resiste à Lava Jato e quer criminalizar o Judiciário, criando leis para tolher o poder de juízes e promotores. Por outro lado, um governo que saiu mediante um impeachment e que se diz vítima dessa mesma Lava Jato e do Judiciário brasileiro.

Notamos, enfim, que os dois lados da suposta “polarização” tem algo vital em comum: a supremacia do poder político sobre as instituições republicanas, pois tem “inimigos” em comum: Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal.

Não seria mais lógico apoiarmos então as instituições, ao invés dos governos? Essa seria uma outra espécie de “polarização” a dos “políticos x instituições”. Nessa outra forma de disputa, nossa civilidade seria apoiar as investigações rigorosas contra os políticos de todos os partidos, não só os de “esquerda” nem só os de “direita”. Já tem sido dito que “a corrupção é ambidestra”, quer dizer, praticada tanto pela direita quanto pela esquerda.

O problema de aderirmos a uma ideologia é ficarmos cegos para os corruptos de um lado que apelam aos “fins que justificam os meios”. Para combater um “mal maior” estariam “perdoados” pelos seus deslizes, querem nos fazer crer. Se temos de aderir a alguma forma de “polarização”, enfim, que fiquemos do lado da sociedade e das instituições contra os maus políticos, seja de que ideologia e seja quantos forem.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade

 

in EcoDebate, 28/11/2016

Somos reféns da polarização? artigo de Montserrat Martins, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/11/28/somos-refens-da-polarizacao-artigo-de-montserrat-martins/.

 

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