A Marcha para o Oeste, artigo de Montserrat Martins

 

região centro-oeste

 

[EcoDebate] O Centro Oeste é hoje uma região rica, com 3 estados (GO, MT e MS) e o Distrito Federal que juntos representam quase 10% do PIB nacional. História liderada pelo único brasileiro homenageado com o nome de um estado do país: Rondon, com a denominação do estado de Rondônia. “A Marcha para o Oeste”, dos irmãos Villas Boas (sucessores de Rondon), traz lições interessantes que merecem ser conhecidas.

Esse livro inspirou o filme “Xingu” e em 2016 chega aos cinemas “Rondon, o desbravador”, sobre o militar que ficou conhecido pela política pacifista entre brancos e índios e pelo desenvolvimento do Centro-Oeste. Cândido Rondon (1865-1958) ficou órfão cedo e alistou-se no Exército aos 16 anos, era abolicionista e republicano, movimento que ele ajudou a tornar vitorioso em 1889.

O Brasil era muito pouco povoado nas suas fronteiras e a estratégia do governo republicano foi construir uma linha telegráfica de Goiás ao Mato Grosso, para dar suporte ao povoamento da região, foi quando Rondon teve os primeiros encontros com os índios. Ele liderou a expansão das comunicações desde Cuiabá até Corumbá, alcançando as fronteiras com Paraguai e Bolívia. Em1910 organizou o Serviço de Proteção aos Índios e fez expedições para a Amazônia, sempre de modo pacífico.

Nos anos 40, o Marechal Rondou apoiou a Marcha para o Oeste, lançada por Getúlio Vargas e que prosseguiu nos governos seguintes, com os irmãos Villas Boas no comando da Expedição. Estes, nascidos já no século XX, deram continuidade à política pacifista de Rondon na colonização do Centro Oeste. Essa, hoje fundamental para o agronegócio brasileiro, foi liderada portanto por homens com uma visão de desenvolvimento sustentável. Por exemplo, tinham de caçar para sobreviver mas evitavam matar cervos porque esses, já nos anos 40, estavam ameaçados de extinção.

Hoje, todas as 4 capitais da região estão entre as 13 capitais de maior renda per capita do país, principalmente devido ao agronegócio, com destaque para milho, soja, arroz, além da pecuária e mineração. O que falta ao Centro Oeste, além da industrialização? Descrever suas limitações é falar do país todo, pois seu modelo de desenvolvimento é o mesmo que predomina no Brasil, “o país das commodities”.

Nosso transporte é rodoviário, quase não temos ferrovias para escoar a produção. Nossos produtos são principalmente commodities, matérias-primas, sem valor agregado, ao contrário da China por exemplo que compra nossos minérios “a preço de banana” e nos revende produtos industrializados fabricados com esses mesmos minérios. O desmatamento predatório afeta o clima, nosso agronegócio ainda é pouco sustentável. Se na nossa História houve grandes líderes na Marcha para o Oeste, hoje precisamos é de inteligência estratégica para planejar o futuro do país.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

 

in EcoDebate, 19/09/2016

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2 comentários em “A Marcha para o Oeste, artigo de Montserrat Martins

  1. Sabiam que na época só recrutavam pessoas analfabetas? E os Irmãos Villas Bôas (4) não foram aceitos por serem alfabetizados? Sabiam que eles por conta própria, deram volta pelo Araguaia para atingir a região do norte do país, e tiveram que omitir que eram alfabetizados para serem aceito na região? Sabemos que muitas coisas acontecem e são descaracterizadas, pois a história é contada sempre por um ponto de vista, geralmente por quem vence ou tem acesso à mídia.

  2. O livro A Marcha para o Oeste, que contém os diários de Orlando e Claudio Villas Boas, em suas mais de 600 páginas não omite discussões nem críticas aos governos da época, é uma leitura realmente interessante em todos os sentidos.

Comentários encerrados.

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