Relação cidade x natureza, parte I, artigo de Roberto Naime

 

artigo

 

[EcoDebate] SILVA et. al. (2015) discutem os problemas ambientais nas ultimas décadas, sob a dimensão da relação entre cidade e natureza. Estas discussões evidenciam a questão ambiental aliada ao contexto sociopolítico e econômico.

Os parques urbanos surgem no século XIX na Europa num cenário de crescente desordenamento migratório do campo para cidade, mecanização pesada nas cidades e problemas de poluição e saúde de um modo geral.

O parque urbano aparece ainda como espaço contendo área verde e de lazer, resultado de um amplo processo de produção e reprodução do espaço, com base em leis e normas do Estado para a efetivação de uma política pública ambiental.

É a partir da modernidade que diversos teóricos apontam para profundas transformações sociais que ocorrem nas cidades. Nessa seara conceitual de modernidade numa interface da cidade que se manifesta nos centros urbanos, através da industrialização e de uma reorganização dos movimentos sociais em sua base política e que desencadeiam em uma série de direitos.
Aponta-se que é na modernidade que ocorre a superação do sagrado para o profano, ocorre deixar de aceitar as explicações da divindade pelas ciências empíricas, há uma mudanças na organização social com a passagem do rural para o urbano.

Ao tratar de modernidade, inclui-se sobre a racionalização e Habermas, interpretando Max Weber aponta que racional significa o efeito do “processo de desencantamento ocorrido na Europa que, ao destruir as imagens religiosas do mundo, criou uma cultura profana”.

Habermas ao articular racionalidade e o projeto de modernidade aponta para a compreensão e possibilidade de emancipação humana, uma vez que o cotidiano absorve esta racionalização e “dissolvem-se também, formas de vida tradicionais”.

Características desse tempo de racionalização e de modernidade, é o que Hegel assevera como o moderno, que se dá com a descoberta do novo mundo. Cedro (2005) indica que as principais características do mundo moderno consistem no “Iluminismo, a reflexão da fé, a soberania do Estado, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, conhecimento da natureza, o livre-arbítrio, as Grandes Guerras e sua manifestação com a perda da ilusão e ingenuidade”.

Por incrível que pareça tudo isto vai influenciar muito a relação entre o urbano necessário e a natureza a qual se pertence, acima de qualquer negação.

Se observarmos que nessas características ou eventos que ocorrem dessa passagem da Idade Média para a Contemporânea, com o projeto de racionalização e modernidade, isso leva a pensar em processos que ocorrem através das culturas, pois a uma apropriação ou uma troca de culturas e identidades, sendo que esta antiga cultura foi substituída por uma reflexiva.

Pois somente com esta cultura reflexiva e com o ingresso da racionalização é que se tornam possíveis acontecimentos neste século. É isto que vai determinar uma nova significação da natureza no urbano.

Referências:

BOVO, Marcos Clair e CONRADO, Denner. O Parque urbano no contexto da organização do espaço da cidade de Campo Mourão. Caderno Prudentino de Geografia. Presidente Prudente, n. 34 v.1. 2012.

CEDRO, Marcelo. A modernidade em Marx e em Weber. Anais do XII Congresso Brasileiro de Sociologia. Universidade Federal de Minas Gerais, 2005.

FERREIRA, Adjalme Dias. Efeitos positivos gerados pelos parques urbanos: O caso do Passeio Público da Cidade do Rio de Janeiro. Dissertação de Mestrado em Ciência Ambiental. Universidade Federal Fluminense. 2011.

HABERMAS, Jürgen. O discurso filosófico da Modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

JORGE, Vinie Pedro. Além do Jardim: O parque na cidade de São José dos Campos. Dissertação de Mestrado em Urbanismo da PUC-CAMPINAS, 2007.

LOBODA, Carlos Roberto e DE ANGELIS, Bruno Luiz Domingos. Áreas verdes públicas urbanas: conceitos, usos e funções. Ambiência – Revista do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais, Guarapuava, v. 1, n. 1, jan/jun. 2005. Disponível em: Acesso em: 02/11/2013.

OLIVEIRA, Fabiano Melo Gonçalves. Direito Ambiental. Niterói, RJ: Impetus, 2012.

SCALISE, W. Parques Urbanos – evolução, projeto, funções e uso. Revista Assentamentos Humanos. Marilia, v.4 n. 1, 2002. Disponível em: http://www.unimar.br/feat/assent_humano4/parques.htm. Acesso em: 15/12/2012.

SILVA, Janaina Barbosa e PASQUALETTO, Antônio. O Caminho dos parques urbanos brasileiros: Da origem ao século XXI Revista Estudos. Goiânia. v. 40 n.3. jun/ago, 2013. Disponível em: http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewPDFInterstitial/2919/1789. Acesso em: 12/12/2013.

TOLEDO, Fabiane dos Santos e SANTOS, Douglas Gomes. Espaço livre de construção: um passeio pelos parques urbanos. Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, v. 3, n. 1, Piracicaba. 2012.

SILVA, Anderson Lincoln Vital da e SILVA, Rosa Eulália Vital da: “A relação cidade e natureza em um parque urbano na cidade de Manaus”, Revista DELOS: Desarrollo Local Sostenible, n. 23 (junio 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/delos/23/parque-naturaleza.html

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

in EcoDebate, 30/03/2016

[cite]

 

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