ONGs brasileiras se unem para fortalecer unidades de conservação privadas

 

Reserva Natural Salto Morato (PR). Foto Adrian Moss

 

Encontro realizado na Reserva Natural Salto Morato (PR) teve por objetivo discutir ações conjuntas que otimizem recursos e esforços para que asRPPNs ganhem relevância no cenário atual

As três principais ONGs brasileiras que destinam recursos para criação, conservação e manutenção de unidades de conservação (UCs) privadas – Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, SOS Mata Atlântica e WWF – reuniram-se com a Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), no último final de semana, para definir novas formas de fortalecer essas áreas protegidas. Segundo as representantes das instituições, é preciso ampliar o trabalho de articulação da Confederação Nacional. O encontro foi realizado na Reserva Natural Salto Morato.

Uma RPPN é uma das doze categorias de UC previstas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e tem como principal função mobilizar o cidadão a conservar parte da biodiversidade existente em sua propriedade particular. Atualmente, o Brasil possui mais de 1.200 RPPNs que juntas protegem quase 700 mil hectares de áreas naturais.

Para Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, o objetivo de trabalhar em conjunto é ampliar a visibilidade das RPPNs no cenário nacional. “Estamos aliando esforços para que as RPPNs brasileiras tenham mais apoio e representatividade – principalmente na melhoria das politicas públicas – e para que estejam cada vez mais inseridas na sociedade, contribuindo para a geração de renda e de conhecimento”, explica.

Segundo Márcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica, as reservas particulares possuem grande importância no fornecimento dos serviços ambientais, como produção de água, proteção da biodiversidade e dos solos, além da manutenção de um microclima favorável. “Nas RPPNs, todos esses benefícios são mantidos devido aos esforços dos proprietários privados, sem que nenhum ônus da conservação recaia sobre o poder público”, afirma. Para Márcia, as reservas privadas representam um esforço complementar às iniciativas governamentais de conservação “e devem ser valorizadas e reconhecidas”, conclui.

Com tantos benefícios, a coordenadora do programa Mata Atlântica da WWF Brasil, Anna Carolina Lobo, destaca que o governo precisa encorajar a criação e gestão correta deRPPNs. “É preciso que todas as reservas particulares tenham plano de manejo e que eles sejam colocados em prática, por exemplo. Esse é um instrumento simples e estratégico que oferece o direcionamento necessário para que a UC cumpra o seu papel de proteção da biodiversidade”, ressalta.

De acordo com Laércio de Sousa, presidente da Confederação Nacional, as agendas das ONGs ambientalistas participantes da reunião estão alinhadas com os objetivos da instituição. “Todos se mostraram interessados em atuar juntos”, afirma. Ele conta que após esse evento, serão delimitados os focos de atuação para que haja mais apoio para as RPPNS e que sejam ouvidas as reivindicações de seus proprietários. Um documento compilando essas ações está sendo preparado, com previsão de divulgação durante a oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação, um dos maiores eventos da América Latina sobre o tema e que acontece de 21 a 25 de setembro, em Curitiba (PR).

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.436 projetos de 482 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.

Colaboração de Maria Luiza Campos, para o Portal EcoDebate, 07/07/2015


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4 comentários em “ONGs brasileiras se unem para fortalecer unidades de conservação privadas

  1. Os atuais incentivos são muito tímidos para a criação de RPPNs, e a a atual burocracia é muito desestimulante. Deveria haver REAIS mecanismos de incentivo fiscal, pois as RPPNs poderiam vir a ser um eficaz e amplo mecanismo de conservação ambiental.

  2. Penso em tornar pequena área de terras de 55hectares com riacho e pântano, em campos nativos do planalto gaúcho, em uma RPPN, mas estou achando muito burocrático e caro. Onde ir para esclarescimentos e incentivos?

Comentários encerrados.

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