5 fatos sobre a Floresta com Araucárias

 

araucárias

 

O pinheiro-do-Paraná não é exclusivo desse estado

A Araucária (Araucaria angustifolia), popularmente conhecida como pinheiro-do-paraná, é a espécie mais conhecida da Floresta com Araucárias, ecossistema associado ao Bioma Mata Atlântica. Apesar de ser símbolo do Paraná, onde já ocupou 40% do território, a Floresta com Araucárias ocorre predominantemente em áreas de altitude elevada nos três estados do Sul brasileiro, onde ocorria em cerca de 200 mil km2. Os pinheiros de aparência sublime também são encontrados em maciços descontínuos no Sudeste: sul de Minas Gerais, noroeste do Rio de Janeiro e sudeste de São Paulo, sempre em partes mais elevadas de serras dessas regiões.

Pinhão não é fruta, é consumido pela fauna silvestre e é considerado alimento funcional

O pinhão que consumimos é a semente da Araucária, espécie de árvores pertencente ao grupo das gimnospermas, que não dá frutos. Ele é bastante consumido durante os meses de inverno, especialmente em festas juninas e principalmente no Sul do país. Além de saborosa, sua amêndoa é rica em reservas energéticas e também apresenta propriedades medicinais, sendo indicada para o combate à azia, à anemia e a outras debilidades do organismo. A indicação foi apurada pelo Araucária+, iniciativa desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a Fundação CERTI (SC), para investir em novos e responsáveis usos do pinhão e da erva-mate, com o objetivo de conservar o ecossistema onde ocorrem, a Floresta com Araucárias. Vale lembrar que o pinhão também é consumido por diversas espécies que ocorrem nessas áreas, como o papagaio-charão, a gralha-azul, a cutia, além de outras aves, roedores e pequenos e grandes mamíferos.

Chimarrão gaúcho e chá de mate são produzidos graças ao ecossistema

A maior parte das pessoas desconhece, mas a erva-mate (Ilex paraguariensis) é uma árvore nativa da Floresta com Araucárias. Dessa planta, são extraídas as folhas a partir das quais se produz o chá de mate, uma das bebidas de infusão mais consumidas do Brasil; e também o tradicional chimarrão gaúcho, bastante comum nos estados do Sul brasileiro.

Floresta é utilizada para produção sombreada

A conservação de remanescentes de Floresta com Araucárias pode representar uma alternativa viável para a própria produção sombreada da erva-mate. “Nativa desse ecossistema, estudos indicam que a planta se desenvolve melhor em seu ambiente natural, no interior da floresta, crescendo com folhas maiores que implicam em melhor aproveitamento e gosto mais suave do chá extraído”, conforme explica Guilherme Karam, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Além disso, a floresta oferece condições ideais para a manutenção da qualidade da planta, como menor suscetibilidade a doenças e pragas e baixíssima necessidade de artificialização no processo de produção: a área natural disponibiliza solo rico em nutrientes, o que dispensa o uso de fertilizantes; além de água em quantidade adequada, evitando a necessidade de irrigação. Com grandes benefícios, a chamada ‘produção sombreada’ da erva-mate é o método predominante nos três maiores estados produtores no Brasil: Paraná, seguindo de Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Guilherme ressalta que esse método de produção possui baixo impacto para a biodiversidade.

Fama da gralha-azul é parcialmente verdadeira

Lendas indígenas e o imaginário popular contribuíram para responsabilizar a gralha-azul, ave-símbolo do Paraná, como a única e grande responsável pelo ‘replantio’ de pinheiros. O trabalho ‘árduo e solitário’ seria fruto de um descuido: ao esconder os pinhões na terra para consumi-los posteriormente, a ave contribui para a geração de novas araucárias, pois acabava perdendo a localização de muitos deles. Na verdade, o trabalho de regeneração é coletivo: “diversas espécies alimentam-se de pinhões, não apenas a gralha-azul. Na verdade, a cutia, um roedor de pequeno porte, é uma das mais fundamentais para a manutenção do ecossistema, pois tem como hábito enterrar as sementes para consumi-las mais tarde, permitindo que muitas delas germinem e formem novas plantas”, esclarece Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoia iniciativas para a conservação da Floresta com Araucárias.

Colaboração de Maria Luiza Campos, para o Portal EcoDebate, 19/05/2015


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