No capitalismo sofreremos um colapso planetário, artigo de Valdeci Pedro da Silva

 

opinião

 

[EcoDebate] O capitalismo comemorou, em 09 de novembro de 2014, vinte e cinco anos da derrubada do muro de Berlim, símbolo de sua grande vitória e poder, que foi capaz de impedir o avanço da tentativa de implantar e expandir o socialismo.

Ele comemora também o desenvolvimento econômico “sustentável” [vejam que ironia] que tem conseguido, até agora, apesar das sucessivas crises por que tem passado, mas fecha os olhos para a grande devastação ambiental causada pelas suas atividades extrativas e de produção.

Ele não vê que já derrubou grande parte das florestas do Planeta, que são necessárias para manter a vida de muitas espécies e rios, e também para regular os regimes de chuvas, tanto nas áreas devastadas, quanto em regiões distantes, também devastadas.

Ele já matou muitos rios, e muitos outros contunua a matar, e entre estes que estão sendo mortos, se encontram os maiores da Terra, cujas extinções, associadas a outros eventos, serão capazes de deflagrar um colapso planetário.

Mas o capitalismo não vê nada disto. Ou melhor: ele vê, mas cala, pois utiliza a estratégia de somente contar vantagens, seja por impedir o nascimento e a expansão do socialismo, ou por conseguir se impor como única opção para a existência de vida no planeta que habitamos, isto segundo seu modo de avaliar.

Se espécies estão sendo dizimadas; se falta chuva em algumas regiões, e a seca mata; se em outras regiões chove demais, e as inundações e deslizamentos de terras matam; se rios morrem; se reservatórios de água são desabastecidos, e a população humana é castigada ou morre; se represas para geração de energia ficam vazias, e a energia não é gerada, nada disto ele vê. Mas como ele não vê se, ao chegar a este ponto em que estamos, o seu desenvolvimento, também, já se encontra ameaçado?

O capitalismo, como todos os seres vivos, está em constante luta pela própria sobrevivência, a qual depende do desenvolvimento econômico que possa alcançar, e é por esta razão que ele apresenta um comportamento instintivo, absolutamente irracional.

Se a espécie humana continuar sob o jugo do capitalismo, um pouco mais, inevitavelmente, junto com ele perecerá. O planeta Terra tem evidenciado a exaustão de seus biomas e mostrado ocorrências climáticas desastrosas, causadas pela devastação empreendida pelo capital.

Ou a espécie humana, destacadamente a parte dotada de maior capacidade intectual, desencadeia e conduz, até o final, um processo de erradicação do capitalismo do planeta Terra, agora, que já é tarde, ou se mantém quieta, esperando, junto com as demais espécies, por um colapso planetário, cujas consequências são inimagináveis.

Valdeci Pedro da Silva é Arquiteto e Urbanista.

 

Publicado no Portal EcoDebate, 28/11/2014


[ O conteúdo do EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta clicar no LINK e preencher o formulário de inscrição. O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

Alexa

2 comentários em “No capitalismo sofreremos um colapso planetário, artigo de Valdeci Pedro da Silva

  1. Infelizmente ainda não encontramos, historicamente, saída para o capitalismo. Sendo assim, acho que a solução não é ficar atacando o sistema, mas pensar em ações para conter os seus excessos e internalizar seus custos ambientais. Quando digo conter excessos, cito alguns exemplos:

    a)taxação de produtos supérfluos.
    b)taxação e controle ao desperdício.
    c)transição para energia limpa.
    d)controle de natalidade (essencial …).
    e)taxação de produtos com “alta pegada ecológica”,
    como carne bovina.
    f)proibição da pecuária extensiva.
    g)proibição de uso de madeiras não reflorestadas.
    h)controles rígidos da poluição e destinação do lixo.
    i)controle do comércio internacional (países que usam trabalhos semi escravo possuem atualmente vantagem competitiva).
    j)embargo severo a nações que utilizam trabalho escravo, desmatam, desrespeitam direitos humanos, etc
    k)criação de grandes áreas naturais protegidas.
    l)tornar desmatamento ilegal e tráfico de animais crime grave e severo.

    entre outros …

    Ou seja, é melhor focar nas prinpais mazelas, do que ficar recorrentemente atacando o capitalismo, pois, como escrevi em artigo publicado, dificilmente superaremos esse regime nos próximos cem anos.

  2. Prezado Bruno Versiani,

    agradeço seu vasto e rico comentário, no qual você apresenta longa lista de proposições destinadas a reduzir os males – ou excessos, conforme qualificação feita por você – causados pelo regime capitalista, cuja sobrevivência depende de constante desenvolvimento econômico e da exclusão e exploração da maioria dos seres humanos viventes, e avalia que “dificilmente superaremos esse regime nos próximos cem anos”.

    Considero suas proposições e avaliação extremamente otimistas ou, dizendo melhor, irrealizáveis, e justifico meu ponto de vista:
    a) o capitalismo é um ser absolutamente irracional, cuja sobrevivência depende da obtenção de lucro. Portanto, ele segue seu próprio instinto, e é incapaz de ser manipulado ou domesticado;
    b) vendo o capitalismo como produto de toda evolução social da espécie humana através da História, e considerando suas características psicológicas, acima descritas, não se pode perceber qualquer possibilidade de que ele seja superado, nem nos próximos cem anos, nem em milênios, nem em tempo algum. O que está evidente é que grande parte da vida que ainda existe na Terra, inclusive a espécie humana, sucumbirá com ele, ainda neste século XXI.
    Concluo meu agradecimento ao seu comentário dizendo: Como eu gostaria de estar enganado.

Comentários encerrados.

Top