Eduardo, artigo de Montserrat Martins

 

opinião

 

[EcoDebate] Não conheci a pessoa Eduardo Campos, apenas o político e brevemente, mas tive algumas impressões marcantes sobre ele – a começar por uma alegria, simpatia e determinação notáveis. Mas o que mais me chamou a atenção, mesmo, foram situações constrangedoras que lhe exigiram humildade diante de pessoas que, habitualmente, não teriam o poder de constranger um líder na sua posição.

Participei de um desses constrangimentos em fevereiro desse ano, na sua primeira vinda a Porto Alegre como presidenciável, num encontro da coligação sobre Programa de Governo. Havia uma divisão interna no PSB gaúcho em que um setor propunha uma aliança com uma candidatura ao governo do RS que nós, na época na Coordenação da Rede Sustentabilidade, não aceitávamos em função de suas posições na descaracterização do Código Florestal. Estava perguntando a Marina sobre a posição de Eduardo Campos a respeito, quando chegou o próprio, trazendo alguém que queria falar com Marina, pedindo desculpas pela interrupção. Aproveitei a ocasião para me dirigir diretamente a ele, sobre o que estava perguntando a Marina.

Sem que eu fosse parlamentar, candidato ou mesmo dirigente de um partido registrado, estava interpelando um presidenciável, na primeira vez que lhe dirigia a palavra, lhe cobrando posições, pois tinha a sensação de que talvez não tivesse outra oportunidade de tratar do assunto tão diretamente. Mais do que dar explicações, Eduardo indicou o caminho que estava traçando conjuntamente com Marina e que efetivamente cumpriu.

Na sua última passagem por Porto Alegre, quando inaugurou o Comitê Central Eduardo e Marina no dia 31 de julho, chamou a atenção de todos seu entrosamento com a Marina tanto ao nível emocional quanto no discurso. Naquele momento não tínhamos mais a sensação de estar em partidos diversos, coligados, mas realmente unidos pelas mesmas causas.

Eduardo fez um discurso veemente tocando numa das grandes feridas desse país e da administração federal, que é a dívida pública, que já assume uma grande proporção em relação ao nosso PIB. Dívida que impede que se pense seriamente numa reforma tributária (uma de suas propostas de governo) e que prejudica inclusive as relações da União com os Estados e Municípios. Salientou como estamos pagando juros de mercado e, paradoxalmente, emprestando a juros subsidiados – através do BNDES – a negócios de valor duvidoso para o país.

Tivemos a alegria, naquela noite, de felicitá-lo com entusiasmo por sua visão do país e por suas propostas. Um alívio, para quem o conhecera num momento de constrangimento. O fato é que Eduardo conquistou, sinceramente, as pessoas com quem conviveu. Se no início os membros da Rede o apoiávamos pela confiança em Marina, na sua última passagem pelo RS ficou claro que estávamos apoiando a ele mesmo, com confiança em sua pessoa e afinidade com as propostas nas quais acreditamos. Não era um simples acordo eleitoral, mas uma afinidade verdadeira entre duas lideranças inspiradoras, Eduardo e Marina.

Tendo sido candidato uma única vez até hoje, eu ainda me constranjo em ser visto como um “político”, não me identifico com a política tradicional e vejo a participação como um dever cívico. Mas Eduardo foi, sim, um político capaz de honrar as pessoas que se dedicam à vida pública. Conhecendo apenas o político, podíamos ver uma pessoa também que acreditava na sua missão, tal como o seu avô.

 

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.

EcoDebate, 19/08/2014


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Alexa

Um comentário em “Eduardo, artigo de Montserrat Martins

  1. Pre\ado Monteserrat Martins

    Ajudei – apesar de nunca ter considerado seriamente abandonar o PT – a arrumar alguns apoios para a REDE aqui em São Carlos, SP. Mas fiquei profundamente decepcionado com a forma monocrática como a Marina decidiu=se pela aliança com o PSB: exatamente num movimento que tem o nome de REDE!!!
    Na mesma semana em que Marina tomou esta decisão um dos maiores especuladores imobiliários, criador de inúmeros loteamentos clandestinos (o nosso Joaquim Roriz do interior de São Paulo), com mais de 200 processos judiciis, o candidato com a maior declaração de imposto de renda do Brasil nas eleições de 2010, pessoa que, como ambientalista há mais de 35 anos, eu denunciei inúmeras vezes ao Ministério Público e em pelo menos duas vezes tive frente à frente diante de juízes que sempre arranjaram formas de aliviar a dele, pois é, o Sr. Airton Garcia Ferreira (puxe a capivara dele para ver) anunciou que estava se filiando ao PSB paulista para coordenar a campanha do Eduardo no interior de São Paulo, a convite diretamente do próprio Eduardo Campos.
    O que a Marina vai fazer agora, se engoliu enquanto vice? E o Geraldo Alckim do PSDB paulista, que não tem uma ficha suja, mas é superconservador?

    Um gde e ftn abç

Comentários encerrados.

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