Manifesto Rethinking Economics pelo Pluralismo em Economia

 

Rethinking Economics

 

Recentemente o Rethinking Economics, um movimento originalmente surgido na Inglaterra, mas que agora conta com a parceria de 40 associações de estudantes de 20 países diferentes, compomos as organizações fundadoras do ISIPE (International Students Initiative for Pluralist Economics), traduzindo para o português, Iniciativa Internacional de Estudantes por Uma Economia Pluralista, lançou um manifesto conclamando jovens estudantes de todo mundo para pensar o modelo econômico, buscando um novo sistema mais aprimorado. É valido mencionar brevemente que no Brasil o grupo pioneiro a se lançar neste estudo foi o Nova Ágora.

Sem mais demora, segue abaixo o manifesto traduzido para o idioma português:

UMA CHAMADA INTERNACIONAL DE ESTUDANTES PELO PLURALISMO EM ECONOMIA

Não é apenas a economia mundial que está em crise. O ensino da economia também está, e tal crise tem consequências que vão além dos muros das universidades. O que é ensinado forma as mentes das próximas gerações de elaboradores de política econômica, e, portanto, dão forma à sociedade em que vivemos. Nós, 42 associações de estudantes de economia de 19 países diferentes, acreditamos que é hora de reconsiderar a forma como a economia é ensinada. Não estamos satisfeitos com o dramático estreitamento da grade curricular que é executada nas duas últimas décadas. Essa falta de diversidade intelectual não apenas restringe a educação e a pesquisa, mas também limita nossa habilidade de lidar com os desafios multidimensionais do século 21 – desde estabilidade financeira, até segurança alimentar e mudanças climáticas. O mundo real deve ser trazido de volta para a sala de aula, assim como debates e pluralismo de teorias e métodos. Isto ajudará a renovar a disciplina e, como resultado, criará um espaço no qual soluções para os problemas da sociedade possam vir a tona.

Unidos através das fronteiras, nós demandamos por uma mudança de rumo. Nós não afirmamos que temos a resposta perfeita, mas nós não temos dúvida que estudantes de economia se beneficiarão ao se exporem a diferentes perspectivas e ideias. Pluralismo não apenas ajudaria a enriquecer o ensino e a pesquisa e a revigorar a disciplina, mas traria a economia de volta ao serviço da sociedade. Três formas de pluralismo devem estar no núcleo do pluralismo: teórico, metodológico e interdisciplinar.

O pluralismo teórico enfatiza a necessidade de aumentar o número de escolas do pensamento representadas na grade curricular. Não estamos combatendo nenhuma forma particular de tradição econômica. Pluralismo não diz respeito a escolher lados, mas sim a encorajar debates ricos intelectualmente e aprender a contrastar as ideias de maneira critica. Enquanto outras disciplinas aceitam a diversidade e ensinam teorias concorrentes, mesmo quando são mutuamente incompatíveis, o ensino de economia é geralmente apresentado como um corpo unificado de conhecimento. De fato, a tradição dominante tem variações internas, mas ainda sim, é apenas uma maneira de “fazer economia” e olhar para o mundo real. Isto não acontece nas outras áreas do conhecimento; ninguém levaria a sério um programa de graduação em psicologia que se foca apenas no freudianismo, ou uma graduação em ciências politicas que se foca apenas no socialismo. Uma educação em economia inclusiva e compreensiva deveria promover exposição do acadêmico a uma gama variada de perspectivas teóricas, desde o método neoclássico mais comum até os amplamente excluídos como os clássicos, pós-keynesianos, institucionalistas, ecologistas, feministas, marxistas e tradições Austríacas – dentre outros. A maioria dos estudantes de economia gradua-se sem nunca estudar tamanha diversidade de perspectivas na sala de aula.

Além do mais, é essencial que o núcleo do currículo acadêmico inclua matérias que providenciem contesto e estimulem o pensamento reflexivo sobre a economia e seus métodos per se, incluindo filosofia da economia e a teoria do conhecimento. Pelo fato das teorias não poderem ser inteiramente compreendidas sem se vincular ao contexto histórico no qual elas são formuladas, os estudantes devem ser sistematicamente expostos à história do pensamento econômico e a à literatura clássica da economia, assim como história econômica. Atualmente, tais cursos ou não existem ou são marginalizados na grade curricular dos cursos de economia.

O pluralismo metodológico chama atenção para a necessidade de aumentar a gama de ferramentas que os economistas utilizam para debater as questões econômicas. É óbvio que matemática e estatística são essenciais para nossa disciplina. Mas geralmente estudantes aprendem a dominar métodos quantitativos sem se quer discutir se e porque eles deveriam ser usados, a escolha de premissas e a aplicabilidade dos resultados também não são debatidas. Existem importantes aspectos de economia que não podem ser entendidos usando exclusivamente métodos quantitativos: um estudo econômico que seja equilibrado requer que os métodos quantitativos sejam complementados por métodos utilizados por outras ciências sociais. Por exemplo, a compreensão de instituições e da cultura poderia ser melhorada se a análise qualitativa obtivesse maior atenção na grade curricular do curso. No entanto, a maioria dos estudantes nunca assiste a uma aula sobre métodos qualitativos.

Finalmente, a educação em economia deve incluir métodos interdisciplinares que permitam os estudantes engajar com outras ciências sociais e humanas. Economia é uma ciência social; fenômenos econômicos complexos raramente podem ser compreendidos em um vácuo, removido de seus contextos sociais, políticos e históricos. Para discutir apropriadamente política econômica, estudantes devem entender o amplo impacto social e moral das decisões econômicas.

As ideias que objetivam implementar o pluralismo irão variar de lugar para lugar, mas as ideias gerais para a implementação são:
· Contratar instrutores e pesquisadores que possam trazer diversidade teórica e metodológica para os cursos de economia.
· Criar textos e outras ferramentas pedagógicas necessárias para dar apoio à oferta de matérias do curso de economia.
· Formalizar colaborações entre departamentos de ciências sociais e humanas para administrar os programas interdisciplinares que envolvam economia e outros cursos.

A mudança será difícil – sempre é. Mas já está acontecendo. Estudantes pelo mundo todo já começaram a realizar mudanças passo por passo. Nós preenchemos auditórios com palestras semanais com convidados falando sobre tópicos que extrapolam o currículo tradicional. Organizamos grupos de leituras, workshops e conferências; analisamos os atuais programas de estudo e elaboramos programas alternativos; começamos a elaborar aulas entre nós dos temas novos que gostaríamos de aprender. Fundamos grupos de universidades e construímos redes de relacionamento tanto nacional como internacionalmente.

A mudança deve vir de muitos lugares. Então agora convidamos vocês – estudantes, economistas e não-economistas – a se juntarem a nós, para termos força crítica necessária para mudança. Veja o site isipe.net para demonstrar seu apoio e se conectar com nossas redes de relacionamento crescentes. Em última instância, pluralismo na educação econômica é essencial para o debate público saudável. É uma questão de democracia.
Assinado, as organizações membros do ISIPE (International Student Initiative for Pluralism in Economics):

Sociedad de Economía Crítica Argentina y Uruguay, Argentina
The PPE Society, La Trobe University, Australia
Society for Pluralist Economics Vienna, Austria
Nova Ágora, Brasil
Mouvement étudiant québécois pour un enseignement pluraliste de l’économie, Canadá
Estudios Nueva Economía, Chile
Grupo de estudiantes y egresados de la Facultad de Economía y Negocios de la Universidad de Chile, Chile
Det Samfundsøkonomiske Selskab (DSS), Dinamarca
Post-Crash Economics Society Essex, Inglaterra
Cambridge Society for Economic Pluralism, Inglaterra
Better Economics UCLU, Inglaterra
Post-Crash Economics Society Manchester Inglaterra
SOAS Open Economics Forum, Inglaterra
Alternative Thinking for Economics Society, Sheffield University Inglaterra
LSE Post-Crash Economics, Inglaterra
Pour un Enseignement Pluraliste de l’Economie dans le Supérieur (PEPS-Economie), França
Netzwerk Plurale Ökonomik (Network for Pluralist Economics), Alemanha
Oikos Köln, Alemanha
Real World Economics, Mainz, Alemanha
Kritische WissenschaftlerInnen Berlin, Alemanha
Arbeitskreis Plurale Ökonomik, München, Alemanha
Oikos Leipzig, Alemanha
Was ist Ökonomie, Berlin, Alemanha
Impuls. für eine neue Wirtschaft, Erfurt, Alemanha
Ecoation, Augsburg, Alemanha
Kritische Ökonomen, Frankfurt, Alemanha
Arbeitskreis Plurale Ökonomik, Hamburg, Alemanha
Real World Economics, Heidelberg, Alemanha
Stundent HUB Weltethos Institut Tübingen, Alemanha
LIE – Lost in Economics e.V., Regensburg, Alemanha
Javadhpur University Heterodox Economics Association, Índia
Economics Student Forum – Tel Aviv, Israel
Economics Student Forum – Haifa (Rethinking Economics), Israel
Rethinking Economics Italia, Itália
Grupo de Estudiantes por la Enseñanza Plural de la Economía, UNAM, México
Oeconomicus Economic Club MGIMO, Rússia
Glasgow University Real World Economics Society, Escócia
Movement for Pluralistic Economics, Slovenia
Post-Crash Barcelona, Espanha
Asociación de Estudiantes de Económicas de la Universidad Autónoma de Madrid, Espanha
Estudantes de Económicas e Empresariais, Universidade de Santiago de Compostela, Espanha
Lunds Kritiska Ekonomer, Suécia
Handels Students for Sustainability, Suécia
PEPS-Helvetia, Suíça
Rethinking Economics, UK
Rethinking Economics New York, Estados Unidos
Sociedad de Economia Critica, Argentina e Uruguay

FONTE DA TRADUÇÃO: Nova Ágora.
www.novaagora.org

 

EcoDebate, 23/05/2014


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