Capital in the Twenty-First Century, uma obra em sintonia com as percepções do momento

 

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A obra Capital in the Twenty-First Century irrompe num momento de percepção coletiva que a distância entre ricos e pobres chegou a um nível inaceitável. Em 2011, o Movimento Occupy já havia apontado que o “capitalismo não está mais funcionando”. Candidaturas como a de Barack Obama, nos Estados Unidos, e de François Hollande, na França, por exemplo, necessariamente tiveram que abordar o tema da desigualdade, muito embora, já em seus mandatos, em nada se atreveram a mexer com os grandes interesses em jogo de uma minoria rica. Não é exagero dizer que “a questão das desigualdades está no centro dos debates políticos e econômicos na Europa, nos Estados Unidos e até nas economias emergentes”, daí o fascinante sucesso da obra de Thomas Piketty.

Conforme reportagem do The Observer, “em blogs e websites não especializados em todo os EUA, a obra aqueceu discussões sobre o poder e o dinheiro, questionando o mito presente exatamente no centro da vida cotidiana – o de que o capitalismo melhora a qualidade de vida de todos”. A reportagem também destaca a avaliação de Branko Milanovic, ex-economista do Banco Mundial, que descreveu o trabalho de Piketty como “um dos livros divisores de águas no pensamento econômico”. Outro meio de comunicação afirma que a obra foi capaz de reescrever “200 anos de pensamento econômico sobre a desigualdade”.

Na França, seu país de origem, Piketty “está se tornando amplamente conhecido como comentador sobre questões públicas, escrevendo principalmente para os jornais Le Monde e Libération”, tendo suas ideias discutidas por políticos franceses de diferentes matizes. Contudo, chama a atenção “sua crescente influência no mundo da política dominante anglo-americana”. Esse pode ser mais um indício de que a contribuição de Piketty mexe com todos, em razão do fato de que a pobreza aumenta em todo o mundo.

Segundo informações do Financial Times, até mesmo a Casa Branca e o Departamento de Tesouro americano já entraram em contato com Piketty. A revista Nova York menciona o autor como o “Economista Rock-Star”. Seu livro alcançou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Amazon, em sua versão em inglês, no mês passado. Em entrevista ao jornal Le Monde, Piketty reconheceu que “a novidade é que é um trabalho mais abrangente, por isso é normal que ele chame mais a atenção. Estou surpreso com o sucesso, mas ao mesmo tempo o objetivo era chegar a tantas pessoas”.

Na opinião de Paul Mason “os termos e as explicações da obra são extremamente simples, com uma infinidade de dados históricos, Piketty reduz a história do capitalismo a um claro arco narrativo. Para desafiar a sua argumentação, é preciso rejeitar suas premissas e não sua elaboração”.

É nesse sentido que o economista Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, enfatiza que o livro “é um prodígio de honestidade. Outros livros de economia foram sucesso de vendas, mas, diferentemente da maioria deles, a contribuição de Piketty contém uma erudição autêntica que pode causar uma mudança na retórica. E os conservadores estão aterrorizados”.

A BBC Mundo apresentou matéria que traz como título “Thomas Piketty, a nova estrela da economia mundial”. A respeito da obra, destaca que “a direita [americana] reconheceu ‘a extraordinária magnitude dos dados reunidos e comparados’, mas discordou da tese principal e da ‘pobreza’ das soluções propostas”. Ao passo que, de uma perspectiva de centro-esquerda, avaliou-se que “sua tese se encontraria dentro dos limites da economia ‘neoclássica’”. Nada mais.

Contudo, os fundamentos das proposições de Piketty demonstram-se muito resistentes frente às fraquíssimas refutações que surgiram até o momento. Isso tem tornado o economista um problema, principalmente, para a direita.

A análise da Conjuntura da Semana é uma (re)leitura das Notícias do Dia publicadas diariamente no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Esta análise contou também com a contribuição de André Langer, professor na Faculdade Vicentina – FAVI. de Curitiba-PR.

(EcoDebate, 14/05/2014) publicado pela IHU On-line, parceira estratégica do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]


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