Cartas de suscetibilidade serão produzidas em 42 municípios da Amazônia

 

Cartas de suscetibilidade serão produzidas em 42 municípios da Amazônia

 

Uma parceria entre o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Exército e Força Aérea Brasileira (FAB) auxiliará no mapeamento de áreas suscetíveis a deslizamento de terra, enxurrada e inundações em 42 municípios da Amazônia. O objetivo é produzir cartas que identifiquem áreas próprias para a ocupação humana, diminuindo o surgimento de novas áreas de riscos e contribuindo para o planejamento urbano. O mapeamento será realizado a partir de maio.

A partir do uso dos modelos digitais de terreno (MDT) e modelos digitais de elevação (MDE), ambos já desenvolvidos no Projeto Cartografia da Amazônia, as cartas de suscetibilidades de movimentos gravitacionais de massa e inundações serão elaboradas. “Os modelos fornecem informações sobre os processos geodinâmicos que podem atingir parte da malha urbana nos municípios, caracterizando situações de risco”, disse o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes. Segundo ele, as cartas de suscetibilidades já são produtos do Projeto Cartografia da Amazônia, que é coordenado pelo Censipam e realizado em parceria com Exército, Marinha, Aeronáutica e CPRM.

A elaboração das cartas temáticas é facilitada pela existência dos modelos digitais e de elevação do terreno. “Esses produtos são gerados por aerolevantamento cartográfico. Fizemos um cruzamento com dados do Projeto Cartografia da Amazônia para saber quais municípios estão contemplados no Projeto. Para os demais, vamos fazer o mapeamento com a Força Aérea Brasileira (FAB) ou utilizar dados da CPRM”, esclareceu o diretor de Produtos do Censipam, Péricles Cardim. O mapeamento com a FAB será feito com uso do sensor aerotransportável ADS-80. No primeiro momento, a decodificação das imagens será realizada na estação de processamento de solo no 1°/6° Grupamento de Aviação em Recife (PE). No segundo semestre, o procedimento ocorrerá em Brasília, em equipamento adquirido recentemente pelo Censipam.

Para iniciar os trabalhos de elaboração das Cartas, Censipam e CPRM montaram um Projeto Piloto no Centro Regional do Censipam em Belém. A metodologia para confecção das Cartas é a mesma utilizada para os demais municípios selecionados. “No caso de nossa parceria, o diferencial é que analistas de ambas as instituições farão todas as etapas de elaboração das Cartas: recebimento de imagens do aerolevantamento cartográfico, construção do MDT e MDE, qualificação do mapa, que pode precisar de verificação em campo, e envio ao Setor de Homologação de Dados do CPRM”, disse Cardim. O Piloto será replicado nos Centros Regionais do Censipam em Manaus e Porto Velho. O trabalho ficará disponível no portal eletrônico da CPRM para a sociedade e instituições.

A seleção dos municípios para a elaboração das Cartas de Suscetibilidade foi feita pelo Governo Federal. Os critérios utilizados levaram em conta a análise da incidência de desastres naturais que afetaram a população de municípios brasileiros nos últimos 20 anos e o número de mortes, além de considerar a taxa de crescimento populacional. Segundo informações da CPRM, essas regiões demandam maior atenção por possuírem um histórico mais crítico e provavelmente vão demandar novos loteamentos devido ao aumento da população.

A elaboração das Cartas ocorre em âmbito nacional devido à edição da Lei Federal que institui a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC). A PNPDC altera o Estatuto das Cidades e torna obrigatório elaborar carta geotécnica (mapeamento) como ferramenta de planejamento urbano, de infraestrutura, de gestão de recursos hídricos e de uso e ocupação do solo. O PNDC está estruturado em quatro eixos temáticos: Mapeamento; Prevenção; Monitoramento e Alerta; e Resposta. A CPRM recebeu a incumbência de atuar no primeiro eixo. Ao todo, 286 municípios de todas as regiões brasileiras serão contemplados.

Lista dos municípios que terão a carta de suscetibilidade

Acre – Rio Branco

Amazonas – Manaus, Iranduba, Manacapuru, Manicoré, Tefé e Urani

Amapá – Macapá e Santana

Maranhão – Imperatriz, São Luiz, Bacabal, Grajaú, Pedreiras, Trizelda do Vale, Vitória do Mearim.

Mato Grosso – Água Boa, Comodoro, Nova Bandeirante, Nova Canaã do Norte, Peixoto de Azevedo, São José do Rio Claro

Pará – Belém, Marabá, Porto de Moz, Rurópolis, Santana do Araguaia, Santarém, Alenquer, Almeirim, Altamira, Baião, Gurupá, Itaituba, Monte Alegre, Oriximiná, Prainha, São João do Araguaia e Tucuru

Rondônia – Porto Velho
Roraima – Bom Vista

Fonte: CENSIPAM

 

EcoDebate, 28/04/2014


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