COP19: Negociações esbarram em financiamento para reduzir as emissões e na compensação aos países em desenvolvimento

 

COP19

 

Desabrigados do Vale de Compostela fazem fila para receber ajuda num centro de atendimento do governo na localidade de New Bataan, no sul das Filipinas.

Desabrigados do Vale de Compostela fazem fila para receber ajuda num centro de atendimento do governo na localidade de New Bataan, no sul das Filipinas.REUTERS

A crise econômica internacional começa pouco a pouco a passar, mas ainda assim a disposição dos países em investir na luta contra as mudanças climáticas permanece fraca. Nesta semana, a 19ª Conferência do Clima da ONU – COP 19 -, entrou no chamado “segmento de alto nível”, com a presença dos ministros dos países participantes, mas as negociações permanecem bloqueadas principalmente sobre o financiamento das ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e de compensação aos países em desenvolvimento, que já sofrem com os efeitos das mudanças climáticas.

Os ministros chegaram à Varsóvia (Polônia) na terça-feira e têm até a sexta, 22 de novembro, para concluir um texto que servirá de base para o acordo sobre as reduções das emissões de gases do efeito estufa em 2015, na conferência em Paris. Os representantes do Brasil são o chanceler Luiz Alberto Figueiredo e a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Desde o dia 11, quando o evento se iniciou, os diplomatas de mais de 190 países negociam os termos do texto, porém a determinação das responsabilidades dos países desenvolvidos e em desenvolvimento no aquecimento global é um entrave para o avanço. Os emergentes, como o Brasil, defendem que a carga sobre os países ricos seja maior, devido à participação histórica destas nações nas emissões de gases poluentes desde a Revolução Industrial. Porém uma parte dos desenvolvidos não concorda com o princípio chamado de “responsabilidades comuns porém diferenciadas”.

Os negociadores também não conseguem chegar a um consenso sobre uma ajuda de adaptação para os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como é o caso das Filipinas, atingida por um tufão devastador há duas semanas. Os 100 bilhões de dólares prometidos para 2020 na Conferência de Copenhague, em 2009, estão longe de se tornarem concretos. Outra questão delicada é a das “perdas e danos” sofridos por estes países devido ao aquecimento global, independentemente das ações adotadas para se adaptar.

Enquanto isso, algumas questões registram retrocessos. É o caso do comprometimento de redução de emissões pelo Canadá, a Austrália e o Japão. Os três anunciaram que cortarão as metas prometidas anteriormente – o invés de reduzir 25% dos gases até 2020, os japoneses agora estão dispostos a diminuir apenas 3,8%, em relação ao que emitiam em 2005.

Neste contexto, o clima na conferência é de pessimismo. Desde o princípio, Varsóvia era encarada como uma etapa até a Conferência de Paris, em 2015, quando um novo acordo global sobre as reduções das emissões de gases do efeito estufa (GEE) deve ser firmado entre os chefes de Estado e de Governo. O objetivo é limitar o aquecimento climático a 2°C em relação ao período pré-industrial. Até o momento, a trajetória é de 3,6°C, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

Ontem, em discurso ao plenário da COP em Varsóvia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se declarou “muito preocupado” com a resposta da comunidade internacional para conter o aquecimento global, que considera insuficiente. “Estou muito preocupado, pois nossas ações são ainda insuficientes para limitar a alta da temperatura global sob os abaixo dos 2 graus em relação aos níveis pré-industriais”, declarou o secretário-geral. “Os compromissos tomados atualmente pelos diferentes países são simplesmente insuficientes”, destacou.

Matéria da RFI, reproduzida pelo EcoDebate, 21/11/2013


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