Degradação através do processo fotoquímico: Estudo de caso realizado em Laboratório, artigo de Alexandre André Feil

 

[EcoDebate] Pela combinação das variáveis intervenientes do crescimento populacional e do consumismo excessivo da população, houve aumento de produção de produtos principalmente de produtos de primeira necessidade. Pode-se citar, como exemplo, os setores alimentícios, os setores têxteis na produção de roupas e tecidos, gerando assim um grande volume de resíduos altamente poluidores, de cor acentuada e com diversos produtos tóxicos considerados agressores a vida dos seres vivos e ao meio ambiente.

Neste contexto, este estudo apresenta uma prática de laboratório com utilização da degradação fotoquímica considerada um processo de tecnologia limpa, ou seja, que não utiliza outros produtos para tratamento ou clareamento de resíduos aquosos.

O Degradador Fotoquímico elaborado pela equipe do Núcleo de Eletroquímica e Materiais Poliméricos/UNIVATES (NEMP) do Centro Universitário UNIVATES (STÜLP et al., 2008) que é formado por uma célula de acrílico de 6 L de dimensão 350mm x 160mm x 160mm, um tubo de quartzo (no interior do qual foi colocado o filamento de uma lâmpada) e uma bomba de recirculação submersa SARLO BETTER de vazão de 90 L.hˉ¹).

No processo de degradação de resíduos aquosos foram utilizados os seguintes reagentes e processos para a realização do teste:

  • O corante da indústria alimentícia, vermelho Bordeaux (Corante azo N=N), composto por uma mistura do corante amaranto (Colour índex 16185) 95% e corante azul brilhante FCF (Colour índex 42090) 5%. A solução foi preparada utilizando-se água deionizada (H­2O) e uma concentração de 100mg.Lˉ¹ do corante vermelho Bordeaux (H2O2).
  • Com o auxilio do reator de degradação fotoquímico os ensaios foram realizados por meio de uma irradiação ultravioleta (UV) (onde a irradiação foi realizada a partir de uma lâmpada de vapor de mercúrio de 250 W (Osram HQL), cuja cobertura original da lâmpada foi retirada, ficando somente o filamento da lâmpada).
  • As medições de absorbância (capacidade intrínseca dos materiais em absorver radiações em frequência especifica) foram realizadas a cada 10 minutos, e os resultados deste teste estão apresentados na Figura 1.

 

figura 1

 

Pode-se analisar a partir da Figura 01 a existência de uma redução da absorbância em decorrência do tempo, o que pressupõe e que de fato ocorre, um clareamento do resíduo aquoso utilizada para realizar a atividade de laboratório.

Também observa-se que no tempo 0 (minuto) há uma absorbância de 2,155 de absorbância e na medida em que os intervalos do tempo passam observa-se que há uma diminuição no ritmo do decréscimo da absorbância, que pressupõe que este processo tem tendência de se estabilizar no decorrer do tempo (minutos).

Em relação ao meio ambiente, a resolução do CONAMA N° 357/2005, relata que o efluente liberado não pode apresentar mudança de coloração, mas esta resolução nos faz refletir sobre o aspecto da coloração e não faz menção aos produtos incolores químicos misturados no efluente liberado. Portanto, deverá haver uma preocupação tanto para a coloração, quanto para a mistura de elementos químicos misturados com o efluente e que são prejudiciais para os seres vivos.

Os processos de tecnologias limpas podem ser utilizados nas atividades onde ha uma mudança na coloração da água utilizada no processo industrial, e como exemplo se pode citar o setor alimentício (coloração principalmente das frutas), o setor têxtil (roupas e tecidos), em curtumes no tratamento de couros, entre outros.

É importante salientar que sobre este processo de tecnologia limpa de Degradação Fotoquímica deve-se realizar as seguintes reflexões: a) a implantação gera uma elevada despesa tanto na fase do projeto, implantação, estrutura (materiais utilizados para a construção do reator); e b) sua operacionalização consome um gasto excessivo de energia elétrica.

Os consumidores, dos produtos produzidos por empresas com altos índices de despesas, são os que pagarão toda esta despesa. Deveria existir uma conscientização dos próprios consumidores para aderirem a produtos produzidos com uma maior responsabilidade perante o meio ambiente, um exemplo prático, seria a utilização perante a empresa de processos tecnológicos limpos, mas de forma a não repassar a despesa para o consumidor, e sim, diminuir do percentual do lucro líquido como forma de conscientização para com o meio ambiente.

Referencia

STÜLP, Simone; HAETINGER, C; MARMITT, S; SILVA, C.P.DA. Avaliação da degradação do corante vermelho Bordeaux através do processo fotoquímico. Engenharia Sanitária e Ambiental. v.13. p. 73 –77, 2008.

Prof. Ms. Alexandre André Feil
Graduado em Ciências Contábeis
Mestrado em Ambiente e Desenvolvimento
Doutorando em Qualidade Ambiental
http://lattes.cnpq.br/6410162361977430

Centro Universitário Univates
http://www.univates.br/

 

EcoDebate, 18/11/2013


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