Brasil precisa se preparar para mudança climática, defende secretário

 

Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI
Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI

 

O Brasil teve um grande avanço na redução de emissões de gases de efeito estufa e, por outro lado, precisa se preparar para mudanças já inevitáveis no clima e suas consequências. A avaliação é do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, que participou da divulgação do sumário executivo do Primeiro Relatório de Avaliação do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, nesta segunda-feira (9).

“O país avançou muito na redução nas emissões nos últimos sete anos, como mostram as estimativas. Houve também uma queda no desmatamento na Amazônia e no Cerrado”, observa. “Precisamos avançar mais é no conhecimento para políticas públicas de adaptação em cada setor – agricultura, zona costeira, agricultura, recursos hídricos, cidades, saúde”, diz Nobre, que é o atual presidente do painel, também conhecido pela sigla PBMC.

“O conhecimento científico é fundamental , é o primeiro passo”, comenta. “E a aplicação dos conhecimentos exige uma nova mentalidade, voltada à inovação, a novas maneiras de implementar políticas. Isso dirigido não só à economia, mas à sociedade, e com proteção ao meio ambiente, aos biomas, à nossa biodiversidade.” Para Nobre, há muito espaço para inovação no sentido de tornar o país mais resiliente, ou seja, capaz de se adaptar e retomar o equilíbrio diante dos impactos.

Na avaliação do representante do MCTI, o relatório traz muitas informações relevantes para guiar ações e programas. “Principalmente no momento em que o governo federal está revisando o Plano Nacional sobre Mudança do Clima”, lembra. O sumário do documento foi divulgado na 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais, em São Paulo.

O PMBC envolve cientistas de numerosas instituições sob uma metodologia similar à do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Seu papel é reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre as mudanças climáticas e seus impactos no Brasil. A iniciativa é do MCTI e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Previsões

Carlos Nobre destaca como “bastante preocupantes” as tendências previstas até o fim do século para o território nacional, como o aumento de temperatura em todas as regiões – geralmente entre 3 e 5 graus Celsius –; a diminuição da disponibilidade de água e a ocorrência de secas mais severas no Semiárido; uma maior sazonalizade no Brasil central, com estações mais delimitadas e agravamento das queimadas; e aumento do nível do mar, entre 0,5 e 1 metro, ao longo da costa.

Ao lado de lacunas no conhecimento, o sumário aponta constatações. “As mudanças no padrão de temperatura são visíveis. O padrão brasileiro subiu entre 0,5 e 1 grau Celsius nos últimos 50 anos, o que é compatível com o verificado globalmente”, aponta o secretário. “Nas cidades, isso se dá com muito mais intensidade, o que é um efeito adicional da urbanização. Em São Paulo, o aumento foi de cerca de 3 graus nos últimos 60 anos além do aquecimento global.” No que diz respeito às chuvas, ele pondera que as alterações ainda não estão totalmente claras, mas se sabe que as intensas estão ficando mais intensas.

Na manhã de hoje, foram apresentados também os primeiros resultados do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI). Foram concluídas simulações de cenário para os próximos 50 anos e, segundo Nobre, muito em breve estarão concluídas as projeções para as cinco décadas seguintes. O próximo relatório do PBMC deve usar os resultados do modelo.

“É importante que o país tenha autonomia para elaborar esses cenários”, diz. “Com esse passo, temos uma ferramenta que permite antecipar prováveis impactos sobre nossas áreas de interesse mais direto – a América do Sul, o Atlântico, o Pacífico.”

Texto: Pedro Biondi, com colaboração de Isadora Grespan e Rodrigo PdGuerra – Ascom do MCTI

EcoDebate, 12/09/2013


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4 comentários em “Brasil precisa se preparar para mudança climática, defende secretário

  1. A distância entre o discurso e a prática é um precipício sem fim. As ações do governo federal na área de preservação ambiental, princípio basico para minimizar o efeito estufa e as mudanças climáticas tem sido pífias. Veja o desastre do código florestal. das políticas indigenistas, do apoio ao agronegócio, do avanço das hidrelétricas em área de florestas. Para nosso infortúnio me parece não ter saida na política para o desenvolvimentismo. Ao meu ver não existe hoje no Brasil uma representação política genuinamente voltada para a sustentabilidade, o que vejo são desenvolvimentistas de um lado e oportunistas do outro.

  2. O mais incrível é que se argumente que as temperaturas subiram no Brasil sem apresentar UM gráfico apenas. Por que será ?

    Quem acompanha o assunto de perto sabe que o “aquecimento global” não é global, mas um fenômeno muito mais acentuado no Hemisfério Norte. Daí, creio que um gráfico de como as temperaturas subiram no Brasil, com base em medidas nas zonas rurais e urbanas, iria atrapalhar este discurso catastrofista. Por isto sua ausência.

    Mas, com o hiato de aquecimento global nos últimos 16/17 anos (e daí a troca do termo para “mudanças climáticas), eminentes cientistas que participam do IPCC tem admitido que existem forçantes naturais que talvez não estejam sendo consideradas pelos modelos.

    Ora, se os cientistas não sabem quantificar o que é natural, como podem eles afirmar com “95% de certeza” que o aquecimento tem causas humanas ???

    Este número (95%) diga-se de passagem, não é fruto de nenhum teste estatístico ou obtido por meio da metodologia científica. Trata-se de um número tirado do ar pelos “experts” do IPCC.

    Sobre o secretário, acho que ele está argumentando em favor de alguma estrutura governamental para estudar o problema (algum instituto ou centro de pesquisas ou algo assim). Nada contra, desde que tal órgão não se transforme em uma fábrica de alarmes.

    A afirmação de que a temperatura pode subir em até 6 graus até 2100 é por demais alarmista. Até por que as temperaturas estão em queda desde no mínimo 2003 e o MetOffice (que mantém o principal conjunto de dados de temperaturas mundiais – HADCRUT) admitiu em janeiro deste ano que não haverá aquecimento até 2017. Ora, se este aquecimento de 6 graus começar em 2020, para subir 6 graus até 2100 as temperaturas teriam que subir 0,75C a cada 10 anos. Isto é mais do que subiu em 150 anos! Trata-se, evidentemente, de um exagero, provavelmente para mobilizar (manipular) a sociedade para pressionar os políticos a agirem em prol da “causa”.

    Um estudo fresquinho publicado na Nature Cimate Change analisou 117 predições climáticas desde o ano 1990, e chegou a conclusão que apenas 3 estavam certas. 114 superestimaram as previsões (http://www.pentagonpost.com/climate-models-erroneously-overestimated-global-warming-figures/83411905). Todos as projeções feitas pelo IPCC nos seus 4 relatórios (1990, 1995, 2001 e 2007) estão agora saindo da margem de erro, para menos.

    A população, então, tem motivos para tornar-se cada vez mais cética quanto a modelos climáticos.

    Depois de 24 anos de alarmismo climático, as emissões não diminuiram em nada, ao contrário, aumentaram e muito. Mas o pior não é isto. O pior é que pseudo-soluções para um pseudo-problema estão contribuindo mais ainda para a total degradação da biosfera e dos ecossistemas, especialmente aquelas ligadas à agricultura e a energia. Infelizmente.
    JFB

  3. Caro JFB,

    No seu comentário, cita como referência a matéria “Climate models erroneously overestimated Global warming figures” , no Pentagon Post. No entanto, a matéria destaca a opinião de John Christy, professor na Universidade do Alabama, em Huntsville, que não cita ou apresenta qualquer estudo ou pesquisa contraditória.

    O mesmo acontece quando cita o Prof Freeman Dyson. Novamente opinião, sem estudo ou pesquisa de suporte.

    A ciência exige o livre debate e a discussão de temas e métodos, de modo a avançar com a maior certeza possível. Mas, debate e discussão científica, não apenas de opinião.

    Negar por negar é simples, mas ainda menos científico do que acusa de ser o IPCC.

Comentários encerrados.

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