Enfoque Sistêmico para Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER, Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável, por João A. Mangabeira, Sérgio Gomes Tôsto e Lauro Charlet Pereira

 

Enfoque Sistêmico para Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER, Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável.

 

artigo

 

João A. Mangabeira1

Sérgio Gomes Tôsto2

Lauro Charlet Pereira3

 

[EcoDebate] Grande parte do fracasso de projetos agrário nos países em desenvolvimento é devido ao desconhecimento de seus autores das realidades agrárias. Um dos principais erros cometidos consiste em idear soluções técnicas sem levar em conta a complexidade dos sistemas de produção utilizados no contexto da produção agrícola. Um desenvolvimento agrícola que atente restaurar os equilíbrios alimentares e ecológicos exige um profundo conhecimento sistêmico, temporal e espacial da produção agropecuária.

Na realidade agropecuária o enfoque sistêmico apresenta importantes vantagens para resolver os tradicionais erros de enfoque, já que levam em considerações as interações entre os diferentes subsistemas de produção no tempo e no espaço, depois de analisar o funcionamento de um sistema de produção, por intermédio do conjunto dos vários subsistemas de cultivos agrícolas ou criações de animais.

Um sistema de produção agrícola é resultado da interação complexa de muitos subsistemas de cultivos ou criações, com muitos componentes mutuamente dependentes. No centro deste processo se encontra o produtor. Além disso, a produção agrícola e decisões familiares estão intimamente ligadas, e, portanto, devem ser analisados nas pesquisas pelo enfoque sistêmico.

Neste caso, deve-se considerar a exploração agrícola como composta de dois subsistemas em interação: um que comportaria a racionalidade do agricultor (objetivos, decisões, organizações, entre outros); o outro que comportaria as características dos meios de produção e os fatores externos que condicionam a produção. A interação daria a origem ao sistema de produção.

Também, o funcionamento da propriedade ou posse do agricultor rural deve ser entendido como um sistema complexo, composto pelo grupo familiar, o imóvel e seus recursos, em permanente interação com seu entorno socioeconômico e ecológico em função de seus objetivos.

No geral os sistemas de produção não são projetados e implantados de acordo com o potencial agroecológico e limitações das regiões que estão inseridos, mas respondem em grande parte por razões socioeconômicas. Não considerar este fato, representaria excluir da análise os problemas políticos, sociais e econômicos que apresentam os sistemas agropecuários.

Ou seja, a abordagem pelo enfoque de sistema procura identificar todos aqueles fatores que, de alguma forma, afetam o comportamento da unidade produtiva em seu conjunto. Esse método de pesquisa agropecuária intenta aprender e difundir a globalidade dos sistemas de produção.

Portanto, o enfoque de sistemas deve ser levado em consideração nas pesquisas agrícolas, nas ações de Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER, nos planos, programas e projetos de planejamento e desenvolvimento rural. Pois, conta com um sólido fundamento científico e recorre a uma vasta experiência em pesquisas em muitos países em desenvolvimento, constitui uma alternativa eficaz para cumprir os objetivos propostos, e é apropriado às condições da agricultura familiar na análise de seus sistemas produção.

João A. Mangabeira – Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Dr. Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente, e-mail: joao.mangabeira@embrapa.br

Sérgio Gomes Tôsto – Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, Dr. Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente e-mail: sergio.tosto@embrapa.br

Lauro Charlet Pereira – Engº Agrônomo, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Dr. Planejamento e Gestão Ambiental, e-mail: lauro.pereira@embrapa.br

 

EcoDebate, 22/08/2013


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