Papa Chico, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

 

artigo

 

[EcoDebate] Há uma sequência formidável de sinais na Igreja Católica nos últimos dias. A renúncia de Bento XVI, agora a eleição do primeiro Papa latino-americano, argentino, jesuíta. Para reforçar o emblema, escolhe o nome de Francisco.

O cardeal Bergoglio celebrou uma missa em um encontro promovido pelo Conselho Episcopal latino-americano sobre a temática “Espiritualidades dos povos latino-americanos”, há uns dois ou três anos atrás., em Buenos Aires. Éramos umas 60 pessoas, de todo o continente.

A sua celebração chamava a atenção, sobretudo, pela situação frágil que demonstrava. Ao final perguntei a um amigo da Argentina, que é padre e climatologista, professor da Universidade Católica de Buenos Aires: ele parece falar com dificuldade?

O padre respondeu: ele só tem um pulmão.

A homilia que ele nos fez não tinha referência alguma com a temática do encontro, tanto é que não me recordo de nenhuma palavra que tenha dito.

Diz a mídia que ele vive simples, cozinha sua comida, anda em transporte público, lavou os pés dos aidéticos. Outros enfatizam sua posição conservadora em termos de sexualidade. Mas, aí, nenhuma surpresa.

Incômodas são as acusações de comunhão com a ditadura militar na Argentina. Nos encontros do CELAM é possível perceber, com exceções raras, um episcopado realmente distante do povo. E os próprios argentinos confirmam que, exceto uma meia dúzia de bispos, essa é a realidade. Mas, o bispo que presidia nossa Comissão era um argentino, Monsenhor Lozano, de uma diocese argentina que está frente àquela papeleira que os uruguaios queriam construir e poluir o Rio da Prata. Lozano estava à frente da resistência. Portanto, em qualquer igreja pode haver pessoas sensíveis à realidade do povo.

Em todo caso, a escolha do nome Francisco tem um sinal. É provável que busque um papado simples e simplificado. Entretanto, as boas intenções não resolvem sozinhas os problemas do Vaticano. Como será um homem simples em meio a uma máquina milenar, capaz de moer até um Bento XVI?

Vamos ficar com o que há de melhor nesse momento: vem de fora da Europa, faz sua comida, anda de ônibus e agora se chama Francisco. E Francisco quer dizer simplicidade, ternura, fraternidade, solidariedade com os pobres, irmanação com a natureza.

Para nós, aqui do Velho Chico, tudo que vem de Francisco inspira esse espírito.

Então, para começarmos, está de bom tamanho “Papa Chico”.

Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.

EcoDebate, 15/03/2013


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2 comentários em “Papa Chico, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

  1. Concordo com as palavras do amigo e faço minha sua esperança de que ele possa estar á altura do cargo – tanto na esfera da espiritualidade para os católicos e até não católicos; pois já entramos na Era do Ecumenismo; quanto dos interesses da sociedade e do planeta. Que faça jus a esse nome forte. Precisamos da comunhão de todos e que os poderosos de todos os tipos sejam iluminados.

  2. Que tem alfo por trás dessa votação de um papa argentino quebrando toda a tradição do Vaticano isso há. Que intresse há por trás disso tudo é o que me intriga e mais ainda o fato do Vaticano verdade seja dita manter o Bento XVI dentro dos domínios deles ou seja tornou-se um prisioneiro do Vaticano, será que é para Ele não vir pro mundo e dizer o que viu e o que sabe ? Muito mistério há nisso tudo

Comentários encerrados.

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