Estudo mostra economia e meio ambiente em rota de colisão

 

Estudo mostra economia e meio ambiente em rota de colisão

 

 

Aumento do abismo entre ricos e pobres, endividamento estatal e prejuízos causados pelas mudanças climáticas indicam que o mundo enfrenta riscos crescentes, alerta relatório do Fórum Econômico Mundial.

O relatório Riscos Globais 2013, produzido pelo Fórum Econômico Mundial, é resultado de uma pesquisa de opinião que envolveu mais de mil especialistas em economia, política, ciência e sociedade. A maioria deles apontou a grave disparidade econômica como o risco mais provável de se manifestar no decorrer dos próximos dez anos.

As consequências mais graves seriam desencadeadas por uma eventual crise financeira sistêmica. Entre cinco maiores riscos citados tanto pelo impacto como pela probabilidade estão os desequilíbrios fiscais crônicos e a escassez no abastecimento de água.

Duas tormentas

Depois de um ano com eventos climáticos extremos e devastadores – da tempestade tropical Sandy às inundações na China –, o aumento das emissões de gases causadores do efeito estufa é mencionado pelos pesquisados como o terceiro risco global mais provável. Para os especialistas, a conseqüência mais grave da próxima década será a falta de adaptação às mudanças climáticas – considerada um perigo para o meio ambiente.

“A lista de riscos globais apresenta um sinal de alerta a respeito de nossos principais sistemas”, disse Lee Howell, diretor do Fórum Econômico Mundial e um dos editores do relatório.

“O mundo passa atualmente por duas tormentas”, disse John Drzik, presidente do grupo de consultoria empresarial Oliver Wyman. “Nós vemos uma tormenta ecológica e uma econômica – e as duas estão em rota de colisão. Se nós não investirmos em medidas para prevenir o crescente risco de eventos climáticos graves, o bem-estar global das futuras gerações estará em perigo.”

Perigos interligados

Os riscos socioeconômicos considerados urgentes levaram à redução dos esforços para controlar as mudanças climáticas. Segundo o estudo, a principal causa seria uma percepção distorcida do aquecimento global – mesmo com os eventos climáticos extremos.

No setor de saúde, os editores do relatório alertam para uma falsa sensação de segurança promovida pelos avanços da medicina. “Um dos meios mais efetivos e utilizados para proteger a vida humana – o uso de compostos antibacterianos e antimicrobianos (antibióticos) – pode não ter mais a mesma eficácia no futuro próximo”, diz trecho do estudo.

Reação digital em cadeia

Em todos os ramos da comunicação – da imprensa à internet – sempre foi difícil antever como a tecnologia vai transformar a sociedade. A democratização do acesso à informação, de modo geral, é considerada positiva.

Contudo, os editores do estudo advertem para conseqüências desestabilizadoras e imprevisíveis como, por exemplo, as revoltas causadas pelo filme anti-islâmico “Inocência dos Muçulmanos”, postado no YouTube. Ao passo em que a tradicional função de controle da mídia desaparece, aumenta o perigo de reações em cadeia como essas.

Em duas semanas, o relatório Riscos Globais 2013 será discutido no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíca – de 23 a 27 de janeiro. Para isso, são esperados novamente influentes economistas, cientistas e políticos – entre eles a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev. Eles planejam discutir possibilidades de fortalecer o sistema econômico contra os riscos globais e, ao mesmo tempo, restringir os impactos das catástrofes ambientais.

Autor: Rolf Wenkel (fc)
Revisão: Francis França

Matéria da Agência Deutsche Welle, DW, publicada pelo EcoDebate, 10/01/2013


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6 comentários em “Estudo mostra economia e meio ambiente em rota de colisão

  1. A grande questão é que o mundo deveria usar seu precioso tempo e inteligência com maior ênfase para as questões socioambientais e não exclusivamente para abordagens e interesses antropoeconomicos. A economia natural é indispensável tanto para o funcionamento dos serviços dos ecossistemas quanto para os serviços dos humanos. Nós dependemos da biodiversidade e dos ciclos biogeoquímicos. Se eles estão sendo exterminados ou poluídos, nós nos poluímos com eles, sem dar a devida atenção ao que realmente é vital para todos. Encantados pela midia, pela cibernética e a velocidade dos pós-modernismo, vamos sucumbindo também. Esse equívoco ainda permanece e certamente só será notado – e quem sabe, corrigido – depois que muiutos paises e blocos inteiros venham a desfalecer num “mal súbito econômico”. Até lá, vamos sofrendo pequenos desmaios, tonturas e dores de cabeça.

  2. Por óbvio, a economia é um subsistema da ecologia. Só esqueceram de contar isso para os economistas.

  3. Para o capitalismo não existe uma terceira opção. Ele existe ou não existe. Ele não pode ser diferente do que é, como propôs Bento XVI em sua mensagem de final de ano:” um capitalismo menos…”
    Para o capitalismo, com relação aos seus interesses, não existe a idéia de menos, é sempre mais e mais e mais, até o fim.

  4. O perigo é eles quererem restringir a liberdade de informação em nome da segurança do sistema…

  5. De nada importa mudar o sistema (capitalismo, socialismo, etc ismo), as pessoas precisam mudar. Os problemas coletivos que enfrentamos são projeções de valores individuais distorcidos. A mudança individual atinge a causa dos problemas, enquanto a alteração de “sistema” age apenas nos efeitos destes. Migremos da competição para a cooperação, e do acúmulo para o compartilhamento (de tudo, bens materiais, conhecimento, amor), cada um, na sua vida cotidiana, e então os sistemas políticos-financeiros serão outros, e com certeza os relatórios, menos apocalípticos.

  6. A unica solução viável neste caso seria…. Todos ingerirmos uma dose heróica de cogumelos, mudando nossas percepções sobre a realidade e a natureza humana e consequentemente viveremos felizes para sempre!

Comentários encerrados.

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