Marcha em defesa do veto parcial ao Projeto de Lei dos Royalties parou o centro do Rio

 

Rio de Janeiro, 26/11/2012 - Políticos, artistas e milhares de pessoas participam da manifestação
Rio de Janeiro, 26/11/2012 – Políticos, artistas e milhares de pessoas participam da manifestação “Veta, Dilma: contra a injustiça, em defesa do Rio” contra o projeto, aprovado no Congresso, que redistribui os royalties e participações especiais, reduzindo a parcela de estados produtores. O trânsito na Avenida Rio Branco e nas ruas transversais foi fechado para a manifestação. A área em torno da Candelária ficou lotada de manifestantes. Foto de Tânia Rêgo/ABr.

 

A marcha Veta, Dilma – contra a mudança na lei dos royalties – reuniu na tarde de ontem (26) 200 mil pessoas no centro do Rio, segundo estimativa divulgada pelo governo do estado. Desde o início da tarde, milhares de pessoas seguiram pela Avenida Rio Branco, da Igreja da Candelária até a Cinelândia, tradicional local de manifestações políticas da cidade.

Grande parte dos manifestantes estava fantasiada de personagens conhecidos como o cantor Michael Jackson e o papa João Paulo II. Jovens com os rostos pintados de azul e branco, as cores da bandeira do estado, se apresentavam em grupos, muitos vindos de bairros distantes.

Moradora de Campo Grande, na zona oeste, a estudante Mirian Correa Alves, que cursa a sexta série do ensino fundamental, resumiu o motivo de sua participação: “Se perdermos os royalties, todo o estado vai ser prejudicado. Inclusive minha família, que pode ficar sem emprego”. A amiga Maria Caroline Flores, que terminou o ensino médio e agora se prepara para o curso universitário, alegou o mesmo motivo. “O meu pai é metalúrgico, e ele poderá perder o emprego”, disse.

Para a auxiliar de serviços gerais Elizabeth Arantes, que assistia à passeata no horário de folga no trabalho, o problema dos royalties é complexo de entender. Mas, segundo ela, o Rio de Janeiro não pode perder recursos com a mudança. “O petróleo é nosso, é daqui do Rio. E tem outros estados que estão querendo os mesmos direitos. Se o governo do Rio perder, vai deixar de investir em muitas coisas, inclusive no bolso do povo”, declarou.

Mas nem todo mundo que participava da marcha apoiava o veto ao projeto. “Somos contra esta passeata. Os royalties são uma falsa questão. O governo do estado nunca justificou onde eram aplicados os recursos oriundos dos royalties. Temos um déficit habitacional de 12 milhões de moradias no país e 5 mil prédios abandonados só na cidade do Rio”, disse Andre de Paula, advogado da Frente Internacionalista dos Sem Teto, que junto com um pequeno grupo portando faixas e cartazes, fazia seu protesto com a ajuda de um megafone.

A manifestação terminou na Cinelândia, em frente a um palco montado nas escadarias do Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo carioca, onde se sucederam políticos e artistas, misturando discursos e músicas, incluindo um inédito rap Veta, Dilma. O Hino Nacional foi interpretado pela cantora Alcione, acompanhado por todos, que logo depois cantaram Cidade Maravilhosa.

A presidenta Dilma tem até o próximo dia 30 para decidir se veta, total ou parcialmente, o Projeto de Lei 2.565/11, que redistribui os royalties do petróleo, que hoje são divididos, em sua maior parte, entre o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com a mudança na lei, os demais estados e municípios passarão a ter direito na divisão dos recursos oriundos da exploração do petróleo.

Reportagem de Vladimir Platonow, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 27/11/2012

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2 comentários em “Marcha em defesa do veto parcial ao Projeto de Lei dos Royalties parou o centro do Rio

  1. O Rio tem que entender que o oceano e o subsolo são riquezas da união assim como seus frutos. O oceano não pertence aos cariocas e sim aos brasileiros.Não é justo o Rio ter uma concentração de renda acima de todos os brasileiros quando o principal produto é de direito de todos. Está na hora de concertar os erros do passado.Vou mais além ,acho que o Rio e outros Estados a exemplo de Espirito Santo,São Paulo tem uma divida muito grande com o resto da nação e deveriam pagar aos poucos, abatendo das futuras receitas. Assim como acho que todo ouro ou mineral retirado no território deve ser distribuído proporcionalmente aos demais estado, inclusive ao egocêntrico Rio de Janeiro.

    Ed Ferreira
    Técnico/Administrador e Blogueiro

  2. ME CONSIDERO BASTANTE CRÍTICO E NÃO SOU JORNALISTA E SOU A FAVOR DA REDISTRIBUÍÇÃO DOS ROYALTIES DO PETRÓLEO POR ACHAR A ATUAL FORMA DE DISTRIBUÍÇÃO DESTA RIQUEZA INJUSTA PARA COM TODOS OS OUTROS BRASILEIROS.

    MAS GOSTARIA DE CHAMAR A ATENÇÃO DA MÁ QUALIDADE DA INFORMAÇÃO REPASSADA A SOCIEDADE NA MATÉRIA JORNALISTÍCA ACIMA. PRIMEIRO: NO TEXTO NÃO É DEFINIDO O QUE DE FATO SÃO OS ROYALTIES E PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS E POR QUÊ O MESMO É DEVIDO. SEGUNDO: NÃO É DEFINIDO A ATUAL FORMA DE DISTRIBUÍÇÃO PARA QUE A SOCIEDADE VEJA COMO A PARTILHA ATUAL É FEITA E SE É INJUSTA OU NÃO ? É APENAS APRESENTADO A VERSÃO DE UM DOS LADOS QUE SERIA INJUSTIÇA COM O RJ FAZER A MUDANÇA NA DISTRIBUÍÇÃO??? TERCEIRO: É APENAS COLOCADA A VISÃO DA SOCIEDADE DE UM DOS ESTADOS “PRODUTORES” QUE PERDERIA COM A MUDANÇA E SEM A OPINIÃO DO OUTRO LADO, DOS OUTROS ESTADOS ? QUARTO: PELO QUE SEI A MAIORIA DO PETRÓLEO EXTRAÍDO EM ALTO MAR NÃO SE ENCONTRA DENTRO DE NENHUM “ESTADO” DIGO ENTE FEDERATIVO E SIM DENTRO DA PLATAFORMA CONTINENTAL DA UNIÃO. OU SEJA, COMO MATÉRIA JORNALISTICA PARA MIM O TEXTO ACIMA NÃO É !!

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