Educação Ambiental sem Fronteiras, Parte 2, artigo de Antonio Silvio Hendges

 

[EcoDebate] Educação e preservação ambiental não são apenas atitudes pessoais, um despertar individual da consciência relacionada com a natureza. O meio ambiente não é natural: todas as sociedades e comunidades humanas instituem idéias, culturas, atitudes, representações sociais¹ do que é a natureza. Estas representações são elaboradas de acordo com os valores morais, sociais, econômicos, políticos, culturais, tecnológicos e religiosos dos grupos humanos e se constituem através das maneiras de pensar, agir, sentir e fazer socialmente estabelecidas. Uma vez formadas estas representações possibilitam a convivência social agregando os indivíduos em comunidades.

A educação ambiental exige uma perspectiva mais ampliada que o enfrentamento de questões localizadas que se inscrevem em contextos específicos e em atividades circunstanciais relacionadas ao lixo, plantio de árvores, preservação de rios e matas, animais e seus habitats. São necessárias atitudes e possibilidades mais amplas que o preservacionismo ou a recuperação de espaços degradados.

Como conseqüência, a formação dos recursos humanos na perspectiva da educação ambiental requer que se contemplem principalmente os aspectos subjetivos das relações com o meio ambiente. Não é mais possível trabalhar-se com atitudes imediatistas e muitas vezes paliativas, desvinculadas dos processos históricos que ao invés de capacitarem, confundem e reduzem as possibilidades de ação através de atitudes sensacionalistas, oportunistas ou descontextualizadas.

Preservar os rios, as matas, os animais, as dunas, os lagos, o patrimônio genético presente e futuro são apenas parte das ações necessárias. Indispensável em educação ambiental é entender os processos e mecanismos que permitem que estes estejam ameaçados. É estabelecer as relações entre as atitudes necessárias e as representações sociais que possibilitaram tais condições.

¹ Representações sociais são idéias, conceitos atitudes coletivas elaboradas de acordo com os valores sociais, econômicos, políticos, culturais, tecnológicos, religiosos dos grupos humanos e se constituem pelas maneiras de pensar, agir, sentir, fazer e consumir socialmente estabelecidas. Uma vez formadas, estas representações possuem a capacidade de agregar indivíduos e possibilitar a convivência social. Podem também gerar conflitos entre grupos (ou indivíduos) quando estes possuem diferentes representações sociais sobre determinado tema ou costume.

Referências:

– REIGOTA, Marcos. Meio Ambiente e Representação Social. 4. ed. São Paulo: Editora Cortez, 2001.

Antonio Silvio Hendges, Articulista do EcoDebate, é Professor de Biologia, Agente Educacional, assessoria em resíduos sólidos, educação ambiental e tendências ambientais. Email: as.hendges@gmail.com

EcoDebate, 29/03/2012

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Alexa

Um comentário em “Educação Ambiental sem Fronteiras, Parte 2, artigo de Antonio Silvio Hendges

  1. A educação ambiental tem fortíssimo vinculo político, com a cidadania! Infelizmente, no Brasil, o tema é tratado com muita teoria, filosofia e pouca mobilidade socioambiental. Dai ter avançado pouquíssimo nas escolas Brasil afora.
    Mais detalhes, veja Projeto CEAV no Yuotube.

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