Diagnóstico de Resíduos Sólidos, artigo de Roberto Naime

 

[EcoDebate] O Brasil vive mudanças inimagináveis em todos os setores. Na economia, nas políticas de inclusão social, na cultura, enfim, no conjunto de significados que a sociedade atribui a quase tudo. Já se avançou muito na institucionalização da participação popular e social nos intrumentos decisórios do país.

Mas é preciso avançar mais. É sabido que ao procurar um recurso médico, passamos por exames que auxiliam a formulação de um diagnóstico preciso e somente a partir disto é possível determinar um tratamento de saúde eficiente.

Diagnósticos servem para isto, retratam minuciosamente situações para que se possa intervir adequadamente proporcionando melhorias que resultem em otimização de recursos financeiros e melhoria de qualidade de vida para as populações.

Embora todos sejam brasileiros, ninguém vive no país ou no estado. É no município que todos atuam e exercem sua cidadania que contribui para a formação dos estados e do país. O município representa a concretização da vida cotidiana, é nele que vivemos, expressamos nossos anseios e projetamos nossas esperanças.

É no município que a vida pode melhorar ou piorar. Se corresponder aos nossos anseios e melhorar, vamos generalizar para nossa percepção do estado e do país, vamos passar a perceber que a vida no estado ou no pais melhora. É no município que estão nossas famílias, nossos empregos e nossa mais pessoal noção de felicidade.

Assim qualquer diagnóstico setorial que se faça de um município exige ser real, participativo, vivo, interativo, capaz de descrever a situação real de forma que o diagnóstico possibilite o planejamento integrado e sinérgico que é hoje materilizado pela concepção de consórcio formalizado pela bacia hidrográfica entendida desde a década de 70 em todo mundo como a menor unidade de conservação e planejamento existente.

A bacia hidrográfica é um conceito integrador que precisa ser entendido de forma simples. É uma piscina em escala grande e natural dentro da qual se situam cidades e áreas rurais. E onde tudo que acontecer com uma propriedade rural ou um núcleo urbano afeta os demais elementos da mesma piscina.

A bacia hidrográfica oferece a face mais visível do meio físico, e um conceito integrador de paisagem, um conjunto sistêmico com os demais fatores, a expressão conjunta das interações compreendidas ou ainda difusas.

Este agrupamento, capaz de expressar homogeneidades ou realçar diferenciações físicas espaciais e temporais no meio terrestre, origina a conceituação de “geobiossistemas” como unidades territoriais, geográficas ou cartográficas de mesma paisagem, definidas por características estatísticas do meio natural físico, químico ou biológico, hierarquizadas por um mesmo sistema de relações.

Tudo isto ocorre no contexto da bacia hidrográfica. Na ausência deste elemento delimitador do recurso natural, é adotado o conceito de geobiossistema para representar um conjunto de relações responsáveis pela sustentação da flora e da fauna no meio biológico e pelas interações com a agricultura, a pecuária, o armazenamento de água, as obras de infra-estrutura e edificações humanas.

O fator em estudo neste trabalho são os resíduos sólidos. Como todo fator não pode e não deve ser descontextualizado da bacia hidrográfica e deve ser descrito e compreendido conforme as peculiaridades locais de cada comunidade, no caso expressa pelo município. Dentro desta concepção, o diagnóstico deixa de ser uma compilação de dados e passa a ser um elemento vivo e interativo, resultante da forma de apropriação que cada comunidade faz da sua percepção ambiental e da forma com que resolve seus desafios ou procura buscar suas soluções.

Para muitas realidades, de acordo com o tamanho da comunidade ou municipalidade se torna difícil a resolução de desafios sem contar com a sinergia energética e econômica que um consórcio que estrategicamente integra todos os municípios, pode trazer.

Esta realidade se torna mais desafiadora quando se pretende que o diagnóstico sirva para auxiliar a operacionalização da implantação da lei 12.305 que constitui a política nacional de resíduos sólidos.

Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 27/03/2012

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4 comentários em “Diagnóstico de Resíduos Sólidos, artigo de Roberto Naime

  1. LIXO SÓLIDO

    Normalmente ele é coletado de porta em porta e levado para os famosos aterros sanitários onde incomoda a todos, mesmo quando estes aterros funcionam, dentro da melhor e mais apurada técnica, como biodigestores com a finalidade de gerar gás metano para consumo.

    O aterro sanitário não é a maneira mais correta e a mais adequada pois o cheiro exalado nestas áreas é insuportável. O que fazer então ?

    A maneira mais racional de se livrar do lixo sólido, doméstico e hospitalar, é queimá-lo aproveitando e energia liberada na queima para gerar eletricidade que deve ser usada pelas prefeituras de modo a proporcionar economia na conta de energia elétrica.

    Esta queima tem que ser feita em locais especiais mas o mais próximo possível da cidade para reduzir os gastos com o transporte, onde os ventos dominantes lancem a fumaça para longe da cidade e com a utilização de filtros apropriados para a fumaça e para as partículas.

    Lembrar que lançar gás carbônico na atmosfera, isento de impurezas, é benéfico para o meio ambiente e para a vida.

    A depender da quantidade de lixo, se pequena, isso não poderá ser feito todos os dias e as instalações das prefeituras não podem ficar aguardando esta energia elétrica. Mesmo assim, o lixo deve ser queimado, de tempo em tempo, e a energia gerada, nesta termelétrica movida a lixo, tem que ser injetada na rede da empresa que fornece energia elétrica ao município. Ao final do mês a prefeitura só pagará a diferença entre aquilo que ela consumiu e o que injetou na rede acrescida de uma taxa de utilização da rede.

    Acontece que o lixo nunca está, totalmente, seco para ser queimado. A solução é queimá-lo, úmido mesmo, mas com um rendimento inferior ou secá-lo, ao tempo, ao abrigo das chuvas, numa espécie de estufa. Nesta situação, o mal cheiro irá persistir.

    Sou da opinião que, ainda com baixo rendimento, o lixo dever ser queimado, mesmo úmido. Para minimizar esta umidade deverá ser feita uma campanha de modo a orientar a população com a finalidade de fornecer um lixo, o mais seco possível e fazer uma coleta seletiva.

    Assim sendo, a população já faz a separação da parte orgânica da parte inorgânica e fornece um lixo mais seco.

    Lembrar que, quanto à parte orgânica, deve-se separar papel, plásticos de qualquer natureza, sapatos, roupas velhas, cadeiras e madeiras que são mais fáceis de serem secados e queimados. Restos de comida, quando ainda úmidos, são mais difíceis de serem queimados.

    As cinzas resultantes da queima do lixo orgânico devem ser usadas como adubo e dadas ou vendidas aos agricultores do município, a preço de custo, sem lucro e que, pelas minhas percepções, deve ser muito baixo.

    É evidente que só vamos queimar a parte orgânica do lixo. Quanto à parte inorgânica, vidros, latas, baterias, restos de fios, fiação de computadores, ela deve ser examinada para ver se é passível de reciclagem. Caso positivo, reciclá-la. Caso negativo, ela deverá ser triturada e o pó resultante deste trituramento poderá ser usado na fabricação de tijolos, pavimentação de ruas e outros destinos mais. A criatividade dos humanos é imbatível em encontrar soluções para esta situação.

    Caso esta parte inorgânica não tenha condições de ser usada ela deverá ser lançada ao mar em locais próximos às correntes marinhas em pontos onde estas correntes se afastam dos continentes lembrando, como já falamos, dissemos, ao início, que o mar é a lixeira natural do planeta. Ao final, como este lixo orgânico tem mais densidade que a água, ele irá para o fundo do mar.

    Sds

    Vicente Lassandro Neto
    vilanet@terra.com.br

  2. O Sr. Vicente Lessandro Neto sempre surpreendendo.

    Se o mar é a lixeira do planeta Terra, então a destinação do lixo não é problema: pega tudo e lança ao mar, e veremos se o mar vai sobreviver.

  3. Prezados, eu gostaria de deixar aqui registrado minha indignação com a proposta publicada pelo senhor Vicente. Propõe incinerar os residuos solidos de pequenas comunidades com aproveitamento energético. A Politica Nacional de Residuos Solidos estabelece outro tipo de diretrizes para a gestão desse problema que é a inevitável geração de residuos neste modelo de sociedade industrial e de consumo onde vivemos. Propõe a priorização da coleta seletiva com participação ativa da sociedade contribuindo com a segregação dos residuos de pôs consumo que constituem matéria e energia a ser reciclada em novos produtos para preservar os recursos naturais, especialmente os nao renováveis. Propõe a formulação e implantação pelos municípios de políticas de apoio a organização dos Catadores de materiais recicláveis que são agentes pioneiros de proteção ao meio ambiente e conservação de matéria e energia contida nos materiais pôs consumo. A incineração, enquanto tecnologia de tratamento térmico de residuos perigosos pode e deve fazer parte de um sistema integrado por diferentes tecnologias para tratar a fração de residuos perigosos, quando existir uma quantidade que justifique a sua aplicação, mas propor queimar tudo, é uma loucura! E quanto a geração de energia acho que esse tipo de proposta é mais consumidora do que produtora de energia. Então, discordo do senhor.

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