O exotismo das frutas da Mata Atlântica

 

 Divulgação

Das frutas exóticas da Mata Atlântica, a jabuticaba  está entre as mais populares e conhecidas do público
   Das frutas exóticas da Mata Atlântica, a jabuticaba
está entre as mais populares e conhecidas do público
 

Por Vilma Homero

Você conhece grumixama? Já comeu geleia de uvaia? Para a grande maioria, provavelmente a resposta será “não”. Mas no que depender de  Marcio Schittini, das empresas Tiferet, e Paulo Lima, da Estilo Gourmand, essas frutas da Mata Atlântica, hoje ainda consideradas exóticas, se tornarão mais conhecidas do consumidor. Para isso, eles estão fazendo um mapeamento de frutas nativas no estado, para identificar quais são e em que regiões elas crescem abundantes ou têm potencial para atender demanda comercial.

O projeto, que está sendo desenvolvido com financiamento do edital de Inovação Tecnológica, da FAPERJ, é amplo. “A Mata Atlântica é uma fonte de riquezas ainda pouco exploradas. Existem frutas nativas ainda muito pouco conhecidas do consumidor e por isso mesmo consideradas como exóticas. É o caso do cambuci, do cambucá, da grumixama, da própria pitanga, da jabuticaba, da uvaia e do araçá. Elas são, na verdade, as nossas berries nativas, ou seja, nossas cerejas fluminenses, bastante adequadas à produção de geleias, sorvetes, sucos, molhos e até pratos com ingredientes 100% do Rio de Janeiro”, explica Schittini.

Identificadas as regiões de maior potencial, a equipe da Tiferet e da Estilo Gourmand vem visitando e entrando em contato com os agricultores da área para desenvolver estilos de cultivo orgânico e amplo. “Alguns se mostram mais arredios; outros, ao saber que poderão contar com comprador para frutas que até então praticamente não tinham mercado, se entusiasmam.” Segundo Schittini, ao valorizar frutas nativas, também se está valorizando os pequenos produtores rurais. “Nesse sentido, procuramos estabelecer treinamento e melhoria de práticas agrícolas sustentáveis, transformando esse produtor em fornecedor de frutas frescas para uso industrial.”

Apesar de serem frutas abundantes em toda a Mata Atlântica, ainda não existem cultivos em escala. “Na região do município de Varre-Sai, encontramos agricultores bem animados em ampliar sua plantação de jabuticaba e em conhecer novos métodos de cultivo. Na área de Quissamã, no entanto, embora adequada à grumixama, os agricultores ainda não acreditam que haja consumidores para ela por se tratar de uma fruta esquecida”, explica.

 

O fato é que Schittini está investindo com certo conhecimento de causa. Para saber como anda o gosto do público, a Tiferet, que já produz molhos diferentes para atender compradores mais sofisticados, submeteu amostras de geleias de cinco sabores diferentes a testes cegos com especialistas da área de alimentos e donos de restaurantes. “Testamos pitanga, araçá, jabuticaba, uvaia, grumixama e cambuci, além de outras quatro mais conhecidas, como goiaba, ameixa, laranja e amora. O resultado foi que esse público se mostra disposto e curioso a experimentar novos sabores.” Segundo Schittini, ao consultar seus compradores sobre seu interesse em geleias, o resultado foi o mesmo. “Eles querem produtos diferenciados, não o que já existe no mercado e que o público já conhece”, garante.

Enquanto procura aprimorar as amostras desses novos sabores de geleia, tanto no sabor quanto na formulação, já que se trata de produtos que não usam conservantes, a empresa também se prepara para começar a produção. Inicialmente, serão de duas a cinco toneladas de geléia. Isso já garantirá a aquisição de quantidades importantes de frutas in natura junto aos plantadores. “De começo, não conseguiríamos adquirir maiores volumes devido à escassez dos plantios. Nosso objetivo é implementar novas áreas de cultivo pelo estado. Ao comercializar produtos com valor agregado, visamos ao desenvolvimento sustentável das comunidades fruticultoras. Se inicialmente queremos conquistar o mercado fluminense, no futuro, pretendemos direcionar nossas geleias também para exportação, que é um mercado sempre em busca de novidades do Brasil.”

Para Schittini, estimular o consumo desses novos produtos será um grande incentivo à fruticultura no estado, com geração de empregos e renda no interior fluminense. Como argumento, ele apresenta números: “O mercado de produtos orgânicos tem aumentado 10% ao ano no Brasil e 20% no exterior. O público consumidor de produtos light ou diet no País é de 30 milhões de pessoas e a receita das empresas do setor cresceu 870% nos últimos dez anos (http://www.apexbrasil.com.br). Além desses argumentos econômicos, temos ainda o fato de que preservar e reflorestar as áreas de Mata Atlântica é uma prioridade para o estado do Rio de Janeiro. Com a exploração econômica de frutas, é exatamente isso que estamos propondo.”

Fonte: FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

EcoDebate, 16/03/2012

[ O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta clicar no LINK e preencher o formulário de inscrição. O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Alexa

3 comentários em “O exotismo das frutas da Mata Atlântica

  1. Muito boa matéria sobre as frutas “exóticas” da Mata Atlantica. Bem já se diz que em se plantando tudo dá, ou melhor, se mantermos a Mata Atlantica como sempre foi, não teremos problema com a fome no brasil.
    Parabéns ao grande Márcio Schittini pelas informações.
    Grande abraço

  2. peço alguem que me indique um atlas de plantas e principalmente frutas da mata atlantica,
    grato,
    Altair

Comentários encerrados.

Top