Mercúrio (Hg) – Assassino silencioso e implacável, artigo de Gabriel Tadeu Franqueira Junqueira

 

[EcoDebate] Mercúrio, cujo símbolo químico é Hg, é um metal líquido à temperatura ambiente, conhecido desde a Grécia Antiga. É conhecido também como hidrargiro, prata viva, hidrargírio, e azougue, dentre outras denominações. Devido à sua fluidez, seu nome homenageia o Deus romano que era o mensageiro dos Deuses, MERCÚRIO. Já o seu símbolo Hg, deriva-se do latim hydrargyrum, que significa “prata líquida”. O Mercúrio é um dos seis elementos da Tabela Periódica que se apresentam na forma liquida a temperatura ambiente (ou bem próximas à ela). Os outros cinco elementos são os metais: césio, gálio, frâncio,rubídio e o não metálico bromo. Dos seis, apenas o mercúrio e o bromo são líquidos nas condições padrão de T e P. O mercúrio pertence ao grupo ou família 12, também chamada de família do zinco, na tabela periódica. Faz parte da classe dos metais de transição.

O mineral-minério do qual é extraído o mercúrio chama-se Cinábrio. A província Espanhola de Almadén possui as maiores reservas de Cinábrio, atualmente conhecidas.

Seu uso , resumidamente, pode ser descrito como sendo: fabricação de termômetros e barômetros, em lâmpadas fluorescentes, como catalisador em reações químicas, espelhos, detonadores (espoletas) corantes e no garimpo de ouro, por formar amálgama com o ouro e, conseqüentemente facilitar imensamente a concentração do ouro fino. Esta é a forma de maior contaminação do homem, especialmente o brasileiro, com o Hg.

Quando trabalhávamos com mina de ouro, no Rio Grande do Norte e comprávamos ouro amalgamado dos garimpeiros, queimávamos a amálgama para eliminar o mercúrio e pagar pelo ouro puro. Na época usávamos barba e bigode.Salienta-se que o bigode ficava “branco” pelo mercúrio em forma de vapor que entrava pelo nariz e ia direto aos pulmões. A pequena fração de mercúrio, detida pelo bigode, era suficiente para deixá-lo branco. Naquela época (1980 a 1984) era total o desconhecimento quanto aos males acarretados pelo mercúrio. Nenhuma escola de Geologia, o DNPM, ninguém conhecia ou falava sobre os perigos do mercúrio. Parece que até hoje predomina a ignorância sobre o assunto. O DNPM nunca disse aos garimpeiros que para cada 3 gramas de ouro, usa-se 1 grama de mercúrio e não o contrário , como acontece na maioria das vezes, o que faz com que se perca ouro e mercúrio durante a concentração final em caixas concentradoras ou bateias.

O Mal da baía de MInamata como é conhecida a intoxicação por mercúrio, devido a intoxicação de quase toda a população japonesa que habitava a Baía e consumia peixe saturado de mercúrio (na sua forma orgânica – dimetilmercúrio) diariamente. Se não me engano a forma mais letal da intoxicação é através do dimetilmercúrio (forma orgânica). O mercúrio metálico passa para a forma orgânica dentro da água, através do plâncton. No caso de Minamata, água salgada. Embora possa ser transformado em dimetilmercúrio também em água doce, o processo é muito mais estudado e conhecido na água do mar (salgada).

Na construção de barragens, a água ao elevar-se de nível, é levada até o mercúrio existente no topo das barrancas do rio, (antigos garimpos) transformando o mercúrio metálico em orgânico. O plâncton, responsável pela transformação, é alimento para pequenos peixes, que por sua vez serve de alimento para peixes maiores, até atingir o topo da cadeia alimentar, onde se situa o homem. E como o mercúrio é cumulativo, cada vez a intoxicação é maior…. .

Os peixes pescados no lago da UHE de Tucuruí,já possuem altos teores de mercúrio.

A título de curiosidade: quando morávamos no Rio de Janeiro, labutando na área ambiental, ficamos sabendo que as águas da baía da Guanabara já continham 3ou 4 vezes o teor de mercúrio da baía de Minamata. A nossa sorte é que comemos pouquíssimo peixe, ao contrário do japonês.

Atualmente, ingerimos mercúrio ao comermos, por exemplo, batatas, pois um dos defensivos agrícolas usado nos batatais é à base de mercúrio.

O assunto precisa ser bem explanado,pois como geólogo trabalhamos praticamente em todos os garimpos espalhados pelo país e atualmente fazemos tratamento homeopático para eliminar ou minorar os efeitos dessa substância venenosa, assassina.

Em breve voltaremos ao assunto. Aguardem!!

Gabriel Tadeu Franqueira Junqueira
Engº Geólogo, CREA-MG n° 17.772/D

EcoDebate, 29/02/2012

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