Incidência de raios cresce 11% em média nas cidades com mais de 200 mil habitantes

 

A incidência de raios cresceu em média 11% nas cidades com população acima de 200 mil habitantes, de acordo com os dados mais recentes do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), núcleo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Tanto essas cidades têm mais tempestades, quanto elas estão também cada vez mais intensas, e a urbanização pode ser apontada como uma das principais responsáveis”, diz Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat.

Com base em dados de satélites, o Elat informou que, no ranking mundial, o Brasil ocupa o primeiro lugar na incidência de raios, com 57,8 milhões de ocorrências por ano, seguido pela República Democrática do Congo, com 43,2 milhões, pelos Estados Unidos, com 35 milhões, pela Austrália, com 31,2 milhões, China, com 28 milhões e Índia, com 26,9 milhões.

Por meio da Rede de Monitoramento BrasilDAT, coordenada pelo Elat em conjunto com outras instituições, é possível saber a cada 24 horas se o fenômeno ocorreu em alguma parte das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Sensores de detecção espalhados em vários pontos captam o campo eletromagnético do fenômeno e as informações são repassadas para a central de omputadores do Grupo de Monitoramento do Elat. Até o fim do ano que vem, a área de cobertura será estendida para a Região Norte.

Embora o coordenador do Elat tenha constatado a influência do aquecimento do clima e da urbanização, a cidade onde mais caíram raios proporcionalmente ao tamanho do município foi Porto Real , no Rio de Janeiro, com área de 50,8 quilômetros quadrados (km²) e população de 16.574 pessoas. A incidência naquele local foi de 27 raios por km². A segunda colocada no ranking nacional é São Caetano do Sul, com 22,8 raios, a campeã no estado de São Paulo.

O levantamento, relativo ao biênio 2009/2010, mostra incidência superior à registrada no estado da Flórida (16 raios por km², que lidera as ocorrências nos Estados Unidos. Na cidade de São Paulo foram 14 raios por km².

Segundo o Elat, nas últimas décadas, os grandes centros urbanos apresentaram aumento expressivo na incidência de raios. Na capital paulista, o número excede em 60% o registrado há 50 anos. No último mês de novembro, foram verificadas 1.166 ocorrências, com concentração no último dia 29 (745), o que é quase o dobro do pico registrado em novembro de 2008, mês em que ocorreram 1.505 e, em um só dia (24), 379.

Comparando os meses de novembro dos últimos quatro anos, o maior número foi em 2009, com 3.385, e concentração no dia 24, com 1.172 . Em 2010, a incidência de todo o mês foi a menor desse período, com 841 raios e maior número no dia 9, com 481.

*Colaborou o repórter Bruno Bocchini//Edição: Graça Adjuto

Reportagem de Marli Moreira*, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 22/12/2011

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2 comentários em “Incidência de raios cresce 11% em média nas cidades com mais de 200 mil habitantes

  1. A eliminação da vegetação natural no entorno das cidades, a escassez de praças e parques vegetados, a inexistência de parques naturais municipais e de grandes áreas verdes e a eliminação rápida da arborização urbana, dos quintais e dos jardins, aliados ao acúmulo crescente de estruturas artificiais acumuladoras de calor,
    levam as grandes cidades ao efeito de estufa e ao conseqüente aumento das precipitações e da incidência de raios nas grandes áreas urbanas.

    Somente o incremento da utilização de áreas verdes sociais e residenciais, a proliferação de praças e parques e a proteção das áreas naturais (por exemplo, ao longo dos rios e córregos), poderão reduzir a incidência de raios, a gravidade das enchentes e os escorregamentos de encostas.

    Celso do Lago Paiva,
    Instituto Pró-Endêmicas (instituição de pesquisa aplicada à conservação),
    instituto_proendemicas@hotmail.com

  2. O efeito envolvido na acumulação de calor nas estruturas urbanas das grandes áreas urbanas, que redunda em aumento de precipitação, com intensificação de enchentes e aumento da incidência de raios e de escorregamento de encostas, é chamado de “efeito de ilha de calor urbana”.

    Celso do Lago Paiva
    Instituto Pró-Endêmicas

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