Uso de carvão vegetal, artigo de Roberto Naime

 

Uso de carvão vegetal, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O assunto oscila entre as pautas de prioridades. Mas se é certo que a restrição sempre tende a enfraquecer o lado menos favorecido de uma situação social e nem sempre resolve o problema, principalmente se o assunto é ambiental, também é certo de que alguma medida ou algum tipo de atitude sistêmica precisa ser tomada em relação ao uso de carvão vegetal.

Toda a questão do desmatamento do cerrado passa pelo uso de carvão vegetal, principalmente na siderurgia, mas é preciso ações de monitoramento, fiscalização e incentivos para a preservação ambiental da flora nativa.

E na verdade as restrições devem ser universalizadas tanto quanto possível, não devem ser em relação ao volume consumido pois as empresas oscilam para cima e para baixo nas suas necessidades e no seu consumo de acordo com variados fatores.

O cerrado é responsável por cerca de 5% da biodiversidade do planeta e é uma das savanas mais ricas do mundo em espécies vegetais e animais, sendo considerado um dos biomas mais ameaçados do Brasil em função de vários tipos de impactos ambientais que sofre.

São necessárias ações imediatas para que se possa alcançar a meta de reduzir em 40% o desmatamento até o final de 2020 conforme pretendem as metas governamentais.

A idéia é que as grandes indústrias siderúrgicas produtoras de coque substituam o carvão vegetal das florestas nativas pelo de florestas plantadas ou reflorestadas. Já dentro do século XXI não existem argumentos capazes de justificar a explotação de vegetação nativa para industrialização.

A maior parte dos argumentos são de natureza social, mas são cada vez mais necessários e urgentes programas integrados de inserção social associados ao combate ao desmatamento do cerrado, com ações de monitoramento, fiscalização e incentivos para preservação ambiental.

De alguma forma é necessário coragem para implantar estas medidas de caráter social e ambiental, uma vez que parece que só havendo ações integradas que solucionem questões sociais ao mesmo tempo que preservem patrimônios naturais, é que possibilitem a obtenção de resultados favoráveis relevantes.

O cerrado é um bioma natural típico do Brasil e deve ser tratado com o devido cuidado merecido por suas características extremamente próprias e pela elevada suscetibilidade que apresenta ao sofrer impactos ambientais de diversas naturezas.

O cerrado ainda é o segundo maior bioma brasileiro, menor apenas do que a floresta amazônica com a qual se limita a norte do território brasileiro. Sua fauna e flora são extremamente diversificadas e a biodiversidade é notável.

São descritas a existência de mais de dez mil espécies vegetais no cerrado, havendo ainda grande diversidade animal. Além da biodiversidade, os recursos hídricos da região são notáveis em quantidade e qualidade, abrigando as nascentes dos principais rios das bacias hidrográficas da Amazônia, do Prata e do São Francisco.

As estimativas apontam que dos 2 milhões de km2 originais do cerrado brasileiro, existam completamente preservados menos de 20% do total. A expansão da atividade agropecuária pressiona cada vez mais as áreas remanescentes do cerrado.

Portanto não existe mais tempo para esperar e são necessárias medidas urgentes para compatibilizar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental no cerrado brasileiro, numa equação cuja resultante seja a sustentabilidade ambiental em suas dimensões sociais, econômicas e ecológicas.

Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

EcoDebate, 07/11/2011

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