Estudo com mais de 1,2 mil adolescentes indica alta prevalência de dores lombares em município de São Paulo

 

Os dados apontaram que 95,5% dos meninos e 92,9% das meninas participam das aulas de educação física, enquanto 46,8% dos meninos e 45,8% das meninas frequentam alguma modalidade esportiva fora do ambiente escolar
Os dados apontaram que 95,5% dos meninos e 92,9% das meninas participam das aulas de educação física, enquanto 46,8% dos meninos e 45,8% das meninas frequentam alguma modalidade esportiva fora do ambiente escolar

Em artigo publicado na última edição da revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz, pesquisadores da Universidade do Sagrado Coração, em Bauru (SP), avaliaram a prevalência de dor lombar em adolescentes e sua relação com a prática de esportes de competição e atividades sedentárias. Para a pesquisa, foram consultados 1.236 estudantes de 5ª a 8ª séries de todas as escolas municipais de Bauru. Os resultados apontaram que 19,5% dos estudantes sofrem de dores nas costas, sendo a prevalência de 7% nos meninos e 12,5% nas meninas.

“A dor lombar tornou-se um grave problema de saúde pública, pois possui alta incidência na população economicamente ativa, em adolescentes e crianças. A prevalência de dores lombares em crianças de 9 a 10 anos é similar a da população adulta”, afirmam os estudiosos. “A relevância de estudos sobre a prevalência de dores lombares em escolares reside no fato de que essas patologias geram consequências sociais e econômicas, tanto para o Estado como para os indivíduos”, explicam os pesquisadores. “Para o sujeito, significa a perda da qualidade de vida, e, para o Estado, as despesas com tratamento e reabilitação”.

Segundo os pesquisadores, os fatores associados com os sintomas na coluna lombar foram o gênero feminino, a quantidade de horas que assiste à TV ao dia e a prática de esportes. Os dados apontaram que 95,5% dos meninos e 92,9% das meninas participam das aulas de educação física, enquanto 46,8% dos meninos e 45,8% das meninas frequentam alguma modalidade esportiva fora do ambiente escolar. “Os escolares que praticam esportes fora da escola têm duas vezes e meia mais chances de possuir dor lombar”, elucidam os estudiosos. “Tal fato pode ser justificado por um conjunto de fatores, tais como o tipo de esporte, o nível de exigência, a intensidade do treinamento e o grau de trauma agudo gerado, principalmente em crianças e adolescentes”.

Quanto a atividades sedentárias, pouco mais de 99% dos adolescentes consultados assistem a TV e, em aproximadamente 70% dos casos, usam o equipamento mais de duas vezes por semana e acima de duas horas por dia. No que diz respeito ao computador, 38,7% dos meninos é 55,5% das meninas relataram utilizá-lo também mais de duas vezes por semana e acima de duas horas por dia. De acordo com os pesquisadores, a associação dessas atividades com a dor pode ser devido ao tempo prolongado na posição sentada, a posturas incorretas, ao mobiliário inadequado e mal organizado ou ao sedentarismo.

Além disso, eles oferecem algumas suposições para as diferenças entre os sexos. “A força física, que é menor nas mulheres do que nos homens, faz com que o gasto energético delas seja maior, aumentando o risco de sobrecarga musculoesquelética”, dizem os pesquisadores. “Outra possibilidade é de ordem psicossocial, pois se acredita que as mulheres se queixam com maior frequência do que os homens, ou seja, de acordo com essa linha, os contrastes resultam das diferenças na predisposição de homens e mulheres quanto a relatar as informações”.

Reportagem de Renata Moehlecke, da Agência Fiocruz de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 06/09/2011

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