Cadastro de imóveis do Incra mostra que terras estão mais concentradas e improdutivas no Brasil

Dados do cadastro de imóveis do Incra, levantados a partir da auto-declaração dos proprietários de terras, apontam que aumentou a concentração da terra e a improdutividade entre 2003 e 2010 (veja tabela no final do texto).

Atualmente, 130 mil proprietários de terras concentram 318 milhões de hectares. Em 2003, eram 112 mil proprietários com 215 milhões de hectares. Mais de 100 milhões de hectares passaram para o controle de latifundiários, que controlam em média mais de 2.400 hectares.

Os dados demonstram também que o registro de áreas improdutivas cresceu mais do que das áreas produtivas, o que aponta para a ampliação das áreas que descumprem a função social. O aumento do número de imóveis e de hectares são sinais de que mais proprietários entraram no cadastro no Incra.

Em 2003, eram 58 mil proprietário que controlavam 133 milhões de hectares improdutivos. Em 2010, são 69 mil proprietários com 228 milhões de hectares abaixo da produtividade média.

“Essas áreas podem ser desapropriadas e destinadas à Reforma Agrária”, afirma José Batista de Oliveira, da Coordenação Nacional do MST.

Os critérios para classificar a improdutividade dessas áreas estão na tabela vigente dos índices de produtividade, que tem como base o censo agropecuário de 1975.

O número de propriedades improdutivas aumentaria se fosse utilizado como parâmetro o censo agropecuário de 2006, que leva em consideração as novas técnicas de produção agrícola que possibilitam o aumento da produtividade.

“Há um amplo território em todas as regiões do país para a execução da reforma agrária com obtenção via desapropriação, sem ameaçar a ‘eficiência’ da grande exploração do agronegócio”, afirma Gerson Teixeira, ex-presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e integrante do núcleo agrário do PT.

Por Igor Felippe Santos, da Página do MST

EcoDebate, 27/06/2011

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Um comentário em “Cadastro de imóveis do Incra mostra que terras estão mais concentradas e improdutivas no Brasil

  1. Eu fui engenheiro do Incra por 14 anos e fui superintendente do Incra no Paraná e posso afirmar que esses cadastros são tendenciosos, em favor do MST, conforme à fonte cita, pois inúmeros funcionários do Incra são filiados e simpatizantes do MST, portanto eles sempre acham uma brecha para justificar à tal “Reforma Agrária”, eu acho que algo está errado pois a nossa produçào e produtividade está sempre crescendo ano à ano, como que então vai aumentar as áreas improdutivas?O que se considera área improdutiva pelo Incra, como engenheiro que fui do Incra eu sei de cadeira, são as áreas de matas nativas que o proprietário(s) não averbaram ou preencheram errado e no cadastro cai como improdutiva.É o caso típicp da Giacometi no Paraná, em que a empresa tinha mais de 20.000 ha tudo em floresta nativa, o maior remanescente de “pau marfim”do Pr. Desapropriaram e hoje os mesmos do MST e algumas ONGs nada comentam sobre este desastre ambiental,pois como consultor florestal trabalhei na Lic. Ambiental deste assentamento, e hoje só existe o minimo de mata e 85% do lotes do assentados estão arrendados, para os demais proprietários rurais, e eles ficam jogando na cidade de Rio Bonito do Iguaçu e fazendo mais filhos para pegar o “Bolsa Familia”esta é a Reforma agrária que engrossa os cofres do MST com a participação, dste programa milionário com o dinheiro dos contribuintes.

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